- Bem, vai parecer estranho, mas deve fazer uns dez minutos que eu te observo daqui sabia?! Se você realmente quer se jogar, eu tenho duas coisas a dizer: A primeira delas é que o prédio só tem 20 andares, você ficará consciente a queda toda e provavelmente se arrependerá no meio da trajetória, garantindo assim os piores 10 segundos da sua vida. A segunda é que eu serei indiciado como suspeito de um homicídio, então , eu tenho a inevitável missão de te persuadir e convencer você a não fazer isso.
O susto quase a fez cair! Se reequilibrou no parapeito, olhou em volta...viu aquele estranho parado ao lado da porta que dá acesso ao terraço da cobertura e arqueou as sobrancelhas. As luzes foram propositalmente apagadas a fim de que ela pudesse aproveitar a iluminação noturna dos postes na rua, da lua e dos faróis dos carros que passavam lá embaixo.
- Na verdade eu ainda não decidi se me jogo agora ou sei lá...me entupo de remédios...então já que você não quer ser suspeito de nada, sugiro que me deixe decidir sozinha! Esta cobertura é o meu lugar.
- Engraçado - disse ele se aproximando - eu sempre venho aqui pensar nas merdas da vida quando me sinto mal...há uns cinco anos...desde que moro aqui. Então acho que - na verdade - esta cobertura é minha! Você quem está invadindo a minha propriedade.
- Então por onde você andou no último mês? Porque eu venho todas as noites aqui decidir se pulo ou não e nunca te vi por aqui!
- Viajando...negócios...enfim! Parou por um minuto perdido nas lembranças de suas noites insones e mórbidas... - Me chamo Igor...Igor Tavares.
Ela olhou brevemente para o rosto do estranho, deu de ombros e voltou a fitar a calçada.
- Não repare no bigode, não sou mexicano nem nada...preciso manter pra uma peça...um musical.
- Não reparei no bigode...na verdade não reparei em você, está muito escuro e eu estou sem óculos...enfim.
Seguiu-se um silêncio que o incomodou. Ela continuava indiferente.
- Não vou dizer meu nome ok? Não quero que crie nenhum laço comigo.
- Desce aqui então pra gente conversar um pouco, quer um trago?
vou te chamar de senhora pi, ok?
- Que tal você subir? Porque Pi?
- Daqui dá pra pra ver um Pi tatuado no teu antebraço...
- Observador...já vi que não é tão cego quanto eu!
- Não, já fui...sou mais não.
- Cirurgia?
- Isso, justamente...você é médica?
- Não importa...na verdade se eu fosse médica não me importaria...eles nunca se importam
mas já que você perguntou...minha mãe era médica...psiquiatra.
- Nossa...uma profissão até agradável, hein?!
Ela deu de ombros mais uma vez e ele começou a se sentir desconfortável com a situação.
- Bem...já que tu pode...digamos que...se matar. Eu terei a chance incrível de poder ser totalmente sincero e saber que você levará tudo pro caixão.
Ela riu timidamente por três segundos e quarenta centésimos. Ele cronometrou seus olhos se fechando enquanto os lábios desenhavam uma gota de descontração em suas maçãs do rosto.
- Então me conte o que você quiser! Me diga o seu segredo mais sujo e eu levo ele junto comigo pra calçada lá embaixo, e de lá pro inferno.
- Bem, eu gosto das músicas do Justin Timberlake...não, pera...tem piores.
- Me conte então! Eu - por exemplo - se estivesse na sua situação, vendo alguém querer se jogar...
não hesitaria em empurrar a pessoa sabendo que nunca levaria a culpa pela simples vontade de saber como seria matar alguém.
Igor sobe no parapeito e se senta ao lado dela naquele que ele julga ter sido o ato mais corajoso que ele cometera nos últimos tempos; respirou fundo buscando reunir as ideias e - principalmente - não gaguejar. Tentou manter a conversa da forma mais natural que pôde.
- Sendo assim, deixa eu ficar aqui do seu lado, só assim posso morrer pensando ser um herói.
- Mas quem vai morrer hoje sou eu, esqueceu?
Se quiser seguir minha sugestão e me empurrar eu juro que não volto do além pra te denunciar.
- Tá certo então.
A sirene de uma ambulância que passava apressada na rua ao lado prendeu a atenção dos dois até se esvair.
- Tá frio aqui em cima, poxa...e a visão daqui é terrível, dá até vertigem - disse Igor.
- Labirintite? Ah...esquece esses diagnósticos! Me dá um cigarro? Tá mesmo frio!
- Droga, esqueci a carteira lá embaixo, vai pegar, to com preguiça.
Ela olhou pra ele naquilo que foi um misto de revolta e riso, fez que não com a cabeça e deu um meio sorriso enquanto descia pra buscar os cigarros....
- Você quer que eu desça e desista! Não importa...eu volto amanhã - Subiu no parapeito e arqueou as sobrancelhas em sua teimosia - Eu gosto da vista daqui...gosto de tirar os óculos e olhar as luzes...é como se eu fosse uma câmera com o obturador aberto sabe?!
enfim...
- Câmeras...esse último fim de semana eu estive lá em Guiné Bissau com uma Canon no pescoço, acho que você teria gostado de lá tanto quanto eu.
- Provavelmente...
Tragaram ao mesmo tempo e passaram uma eternidade de trinta segundos em silêncio observando a fumaça e as luzes dos apartamentos do prédio vizinho.
- Eu tenho uma coleção de analógicas. Quando eu morrer...enfim...moro no 314...você pode ir lá pegar. Pode ficar com uma copia da chave.
- Vou tentar lembrar disso, não que essa seja uma situação comum, tipo, estar do lado de uma suicida, mas...
eu sou atrapalhado, esquecido...relapso!
- Faça um esforço, não sou qualquer suicida, sou uma suicida que vai te dar uma coleção de câmeras! Mas sou uma suicida covarde...então pode demorar um tempo...
- Tá certo então...bem, sei lá, tá tarde e frio - gaguejou ele - eu deixo tu subir de novo, prometo! Mas é que eu deixei uma lasanha deliciosa pra matar minha larica lá embaixo e aposto que não vou conseguir comer tudo aquilo sozinho...quer dar um pulo lá?
- Lasanha de que? Com molho de que? Não quero desperdiçar minha última refeição com carne moída e molho de tomate comprado pronto de caixinha.
- Você tá com sorte senhora pi, é de carbonara...molho branco.
- Molho branco...minha especialidade!
- Duvido ser melhor que a minha...
- EI EI EI, Calma rapaz...se desequilibrando assim você vai acabar caindo antes que eu caia e eu vou ter que comer a lasanha sozinha!
- Desculpa! Vacilo meu...enfim, vamos descer?
Eles descem do parapeito e pegam o elevador, e antes que ela pudesse se perguntar onde ele morava, eles chegam ao apartamento 505.
- Conhece o restaurante italiano no final da rua?
- Sim sim conheço, o que tem ele?
- Eu trabalho lá!
- Sério?! Uma cozinheira! Mais uma informação...te chamarei de "Mestre Pi" então!
- Ok, Tavares. Já que você vai me acompanhar na minha última refeição, não me custa nada te dizer onde eu trabalho.
Ele abre a porta e é recepcionado calorosamente por uma cadelinha de laço rosa.
- Ai meu Deus esqueci de amarrar a Nina, ela vai te sujar toda!
- Sem problemas, eu gosto de cachorros - Disse ela enquanto olhava em volta estranhando tanta organização - Vem cá...você é algum psicopata ou serial killer?
- Bem, acho que não...não tenho coragem de matar uma barata.
- É que o seu apartamento...é...meio que...MUITO ORGANIZADO! Além disso você tem um cachorro, salva mocinhas do suicídio, deve gostar de crianças, fazer algum tipo de caridade...só pode ser um sádico.
- Ah claro, faz todo o sentido do mundo! - Disse irônico.
- Não acredito em boas pessoas.
- O máximo de agito da minha madrugada é ver Toy Story comendo Nutella, maaaas... como estamos em uma zona fantasma da sinceridade, posso dizer que gosto de...como eu posso explicar isso...gosto de observar filha da Senhora Jacqueline descer nos fins da tarde pro trabalho. Aqueles cabelos vermelhos e o jeito estranho que ela tem de se arrumar... me fascinam sabe?! Um dia eu crio coragem pra dizer tudo isso a ela - Disse ele enquanto ria nervosamente e pegava um vinho.
- Um Stalker...sabia!
- A primeira vez foi coincidência, eu estava descendo pra sair com a Nina e esbarrei com ela. Eu usava um boné e óculos escuros, você nunca me reconheceria...sou daquelas pessoas que são coadjuvantes da própria vida.
- Não seria difícil, não reconheço nem a mim... - Disse indiferente.
- Tá bom - Ironizou - senta ali ó...tá ali teu prato, pode começar sem mim, vou ver se acho um vinil bom aqui...deixa eu ver...Cartola, Cazuza...
- Se escolher alguma porcaria eu vou embora!
- Djavan...Fagner...GAL! Isso...Gal Costa!
- Seus vinis estão em ordem alfabética?
- Sim, porque? - Perguntou hesitante.
- TOC? "Ai meu Deus...os diagnósticos, prometi parar com eles" - Pensou alto.
- Prefiro não falar sobre isso.
Ele se levantou, colocou o vinil pra tocar e sentou apreensivo com o seu vinho e seu olhar curioso.
- Minha mãe tinha TOC, mania de psiquiatra achar que tem tudo no mundo, coitada...eu tinha pena dela...
- aposto que ela também tinha de você...reciprocidade...a alma do negócio! Toda e qualquer relação só se sustenta com reciprocidade, até o ódio! Odiar alguém que não te odeia é horrível, não há relação, saca?
- Claro... - Deu de ombros - e foi por passar a vida sentindo pena de mim, que ela começou a se odiar por ter gerado alguém tão...desprezível...então ela foi embora...não sei pra onde...sumiu, melhor assim! Pobre Jacqueline, ter uma filha que não sente a sua falta...
Ela viu troféus na prateleira, andou até lá e pegou um deles. Ele se levantou num susto e correu até ela tomando o troféu de duas mãos e o alinhando na prateleira de volta. Respirou fundo...conferiu se estava tudo no mesmo lugar e olhou pra ela num misto de alívio e censura, ela retribuiu com olhos assustados.
- E a lasanha? Você mal tocou nela!
- Se eu quebrar os seus troféus você cria a coragem que eu não tenho de me matar? Ah...e a propósito, se você banhar o frango com um pouco de vinho e não tiver medo de testar temperos para o molho a lasanha fica melhor, mas está boa assim de qualquer forma.
- Acho que você teria que tocar fogo nesse apartamento pra eu ter coragem de te matar, ou ao menos de dizer que você é ruim por ter quebrado os meus troféus. E obrigada pelas dicas, tentarei mudar os temperos na próxima.
- Você não me conhece...como sabe que eu não sou ruim???
- Você ajudou a velhinha atravessar a rua na última quinta. E a sua blusa do AC/DC me denuncia que você é uma boa pessoa...
- Então me conte...o que você sabe sobre a filha da Jacqueline?
- Porra nenhuma... sei que ela sempre vai do restaurante pra casa...nenhuma fresta na porta...nenhuma pista sobre namorado...nenhuma compra absurda na padaria ao lado. Só os mesmos cabelos vermelhos e o olhar preto como uma graúna, vazio.
- A filha da Jacqueline é a menina sem qualidades.Sabe porque?
- Porque?
- Ela é alheia à dor humana. O ser humano se orgulha da dor que sente...se aprisiona nela, acha bonito. Se alguém morre...quem mais sente a dor é a melhor pessoa. Competimos pra saber quem sofre mais. A filha da Jacqueline não se importa com isso. Por desprezar a dor ela não tem namorados, por não sentir as perdas ela viu todos irem embora...
por isso não há muito o que saber sobre ela.
Ele revirou os olhos e se voltou para o seu vinho, desprezando o discurso dela, que continuou divagando.
- Por isso talvez não seja justo alguém assim continuar vivo.
- Escuta agora o que eu vou falar, tá certo? - Disse ele tentando interromper o monólogo interminável.
- ...não existem frestas na porta...vivo lendo no meu quarto. Sim, fale.
- Tá, escuta... - bebeu mais vinho, tirou a blusa...a casa estava quente, respirou fundo e criou coragem pra falar: Sabe mestre pi, eu... já vivi coisa pra caralho nessa vida estranha e desde que virei ator,não paro em canto algum; vivo mudando de lugar, passando uns meses aqui e outros acolá; tenho esse apartamento aqui porque venho visitar meus pais e porque eu tenho que ter algum endereço pra receber minha encomendas. Os últimos tempos me fizeram ficar aqui...as pessoas não querem muito ir ao teatro. Na verdade nem eu mesmo quero mais, e apesar de fazer ponta em cinema, acho que nasci pr'aquela bagaça que tá de definhando...mas isso não vem ao caso.
- Eu gosto do teatro - disse ela tentando dar sentido ao que ele falava - enfim...continue.
- O que quero que você saiba é que se eu realmente fosse morrer eu iria querer pelo menos ouvir algo significante...
Enquanto Igor falava, ela lhe lançou o que julgou ser o melhor que pôde dar do seu olhar de reprovação e de "eu não preciso que você diga algo significante por pena de que eu morra sem ouvir algo especial", mas não disse nada...o deixou falar.
- Bem...eu gosto dos seus olhos, dos seus cabelos e das roupas estranhas que você usa, mas o que eu gosto mais de você Mestre Pi...o que eu mais admiro em você...e é o que me faz estar aqui perdendo o meu tempo é esse desejo incontrolável de querer ter conversado contigo algum dia...ter conhecido você, embora isso não faça sentido. Esse imã que me faz aproximar de você...eu to viciando em te ver. Meu coração quase pula pela boca enquanto eu falava contigo sereno; parecia que eu estava no municipal com centenas de pessoas olhando minha performance enquanto eu tentava continuar sereno, calmo, tranquilo...
Ela enrugou a testa tentando achar algum significado lógico em tudo que ele tinha dito daquele jeito gaguejado e nervoso. Não encontrou resposta.
- Acho que o vinho está fazendo efeito - Concluiu Igor em meio a sua decepção - estou falando mais do que deveria...enfim, a chave está na porta, se quiser voltar, claro...
- Quer saber meu maior segredo?
- Manda...
- Há um mês atrás...eu encontrei minha cura.
- Qual?
- Você acabou de ver...lá fora!
Desta vez foi ele que enrugou a testa tentando entender o que ela dizia, mas ela - mais uma vez - o desprezou e continuou a falar.
- Existe uma linha invisível entre a vida e a morte, a coragem e a covardia, a atitude e a inércia. Lá em cima eu consigo andar em cima dessa linha...lá eu me sinto viva...porque sei que se eu der um passo posso morrer! Lá em cima...eu deixo de desprezar a minha dor. Talvez eu não precise subir...mas fazer aquilo todos os dias me impede de morrer por dentro
o que - afinal de contas - é a pior morte.
- Digamos então... que eu seja a morte; que estou esperando você por todos esses dias, afinal de contas, me explique como você chegou hoje ao térreo? Ou melhor! Me explique como está usando essa blusa branca de botão que nem existe no seu armário...melhor ainda, me explique porque você está deitada em minha cama nua se estava agorinha mesmo em pé, em frente a porta do meu "apartamento"...porque não me beija? Porque não termina logo isso de uma vez?
Ela arrumou o travesseiro, abotoou a camisa, bateu as cinzas do cigarro e olhou pra ele frígida.
- Porque se você é a morte eu preciso dormir todas as noites com você na dúvida do que será feito de mim pra poder me sentir viva.
- Então venha, me use e não me beije. Fode com a morte...durma com o inimigo sua piranha! Nas não esqueça de apagar as luzes quando sair...
Ao contrário do que ele pensava ela não se ofendeu; levantou lentamente e andou até a janela. Prendeu os cabelos assanhados e deixou que ele a olhasse vestindo sua camisa, e apenas ela.
- Se eu te beijar vou ser sua, é isso que você quer? Vou deixar de ser alheia a sua dor pra sempre e vou te perseguir como você fez comigo.
- Engraçado, eu to viciado em você.
- Você quer que eu seja alguém como você?
- Fazer com que você me beije, assim de forma rápida, não terá brilho. Eu quero que isso se torne algo apoteótico...na verdade eu amo tanto você que eu queria que você me matasse, me esfolasse..."matar a morte e matar a terra fazendo com que isso tudo exploda de uma vez deixando todos vivos sem mais esforço meu!" Bem...eu estou apaixonado por você como um ator barato de uma novela mexicana. Mas vamos fazer o seguinte: Durma, amanhã nos encontraremos lá de novo, você acordará no parapeito e não lembrará de hoje; assim podemos repetir essa mesma noite todos os dias...um dia eu te acordo do coma e quando você descobrir o looping será maravilhoso!!
Ou me beije agora e nunca mais sentirá a sensação de estar viva pelo simples motivo de quase morrer.
- Você é o meu ator barato de novela mexicana...eu sou alguém sem sentimentos nem qualidades...você irá dormir na sua embriagues apaixonada enquanto me olha fumar um cigarro aqui na sua janela...vai acordar sozinho na cama e esperar a minha volta no frio da cobertura todas as noites. Vou te beijar antes de ir embora...enquanto dormes...e vou viver sabendo que alguém me espera todos os dias até o dia em que jogue a minha covardia de cima do prédio e acabe com isso de vez.
- Você fez a sua escolha...durma bem, minha linda...Bianca Aragão! Tenha bons sonhos.
- Como você sabe o meu nome?
- você não gostaria de saber...
- Maldito seja! - Disse ela enquanto olhava ele finalmente cair no sono.
Juntou o resto de suas roupas, observou ele dormir por uns trinta minutos, finalmente lhe deu o beijo prometido e foi embora deixando um bilhete que dizia: Até um dia...
Kamila Tavares e Pedro Aragão.
domingo, 21 de julho de 2013
quarta-feira, 19 de junho de 2013
O pedido.
- Sabe qual é forma de expressão mais nobre do ser humano?
- O amor?
- Não! A dedicação...porque ela está diretamente relacionada ao tempo! O tempo é a coisa mais preciosa que existe!
- O tempo? Claro que não! O amor é a coisa mais preciosa que existe!
- É aí que você se engana! Eu posso te amar enquanto durmo, enquanto como, enquanto fujo de casa, enquanto minto pra você e fico com outra pessoa...não existe exclusividade no amor! Posso te amar sem que você saiba e o verdadeiro sentido do meu amor nunca será apreciado por outra pessoa além de mim! Mas o tempo - e a dedicação - que eu te dou, são exclusivamente seus e de mais ninguém, as horas do meu dia que te dou são meus bens mais preciosos...e ninguém pode tomá-los de ti nem em um milhão de anos! Já o meu amor? Pode ser tomado por outro alguém a qualquer momento e não lhe restará um gota dele para ser lembrado!
- Tem coisas que você fala que fazem tão sentido que chegam a me dar medo sabia?! Porque ao mesmo tempo que nunca ninguém parou pra pensar nisso, quando você fala e torna tudo isso verdade aos meus ouvidos me parece uma realidade tão óbvia que eu não sei porque nunca enxerguei...
- Você sabe qual é a minha teoria sobre os presentes, não é?!
- Sei sim, que um presente quando é feito pela pessoa que te presenteou, tem muito mais significado do que uma simples compra de shopping...e por mais que seja uma compra, que contenha algo feito à mão, que tenha um pedaço da pessoa...
- Porque você acha que eu prefiro assim?
- Porque uma compra banal é só um objeto, quando tem um toque pessoal tem mais amor!
- ERROU OUTRA VEZ! Preste atenção no que eu acabei de lhe falar!
- Eu prestei atenção, me fale mais sobre...
- É TUDO PELO TEMPO, MEU AMOR! Se você vai no shopping pagar uma conta e lembra do meu aniversário, compra um vestido, pede pra moça da loja embalar pra presente e me entrega - por mais bonito que o vestido seja e por mais que eu venha a gostar dele - só vai lhe custar mais uma parcela no cartão, entende agora o meu exemplo?
- Sim, agora eu entendo!
- Mas se você compra um vestido da minha cor preferida, prepara uma carta, uma surpresa...talvez uma caixa, ou me entrega em uma ocasião que não seja especial...se você anota em um pedaço de papel uma letra de música que eu gosto e coloca um laço de fita mal feito enrolado em um papel de jornal, eu vou saber que aquilo foi feito por você! E principalmente vou pensar nas horas que você gastou do seu tempo pra pensar naquilo e pôs as mãos em algo que achou que fosse ter algum significado pra mim. Se você me compra um MP3, eu não sei o que você quis dizer com isso...se você me compra um MP3, enche ele de músicas e me entrega, eu ganho todo o tempo que você gastou escolhendo as músicas, e vou tentar achar um significado pra cada uma delas, então você ganha o tempo que eu gastei tentando decifrar o seu presente...e isso sim, torna algo especial...e talvez eu nunca precise mudar a seleção de músicas daquele MP3...
- Então em suma, o amor é uma troca de tempo!
- Exatamente!
- E quando os relacionamentos acabam? O nosso sofrimento não é porque acabou o amor?!
- Em parte - muito pequena na verdade - porque a nossa maior lamentação é sobre o tempo que perdemos e as horas que dedicamos e doamos para alguém que foi embora...você chora porque a pessoa levou o seu tempo, e não o seu amor! Se você conhece outro alguém e é feliz com essa pessoa, magicamente tem todo o seu amor de volta para compartilhar...ou seja: a última pessoa de amor não levou nada! Mas o tempo que você passou com ela é irreparável!
- Então além de dinheiro, tempo é amor?
- E poder! Se me perguntassem hoje se eu acredito em Deus, eu diria que sim...meu Deus é o tempo! Ele controla o dinheiro, o amor, o poder...o tempo sabe de tudo, porque tudo passou por ele. Sem tempo deixamos de ser humanos...não dormimos, não comemos, não amamos...o tempo nos cura das maiores dores, e nos chicoteia com as piores doenças. A ausência dele separa os seres humanos uns dos outros e causa o caos, a sobra dele nos dá tanto tempo pra pensar que engordamos e nos tornamos depressivos...Por isso precisamos estar em comunhão eterna com o Deus Tempo, pra que se consiga o equilíbrio perfeito e se possa viver em paz!
- Um belo discurso pra explicar o tempo que você gastou embrulhando esse presente e escrevendo essa carta pra mim. Talvez seja a prova de que você me ama de verdade, já que está tão bem feito...parece ter lhe custado muito tempo.
- O "discurso" - se assim você o chama - não foi pela caixa...muito menos pela carta. Foi pelo que está dentro.
- Um relógio! Eu esperava uma resposta...mas você sempre me deixa com mais perguntas...o que isso significa?
- Todo o meu tempo! ele agora é seu!
- Então você aceita?!
- Sim, eu aceito.
Kamilatavares.
- O amor?
- Não! A dedicação...porque ela está diretamente relacionada ao tempo! O tempo é a coisa mais preciosa que existe!
- O tempo? Claro que não! O amor é a coisa mais preciosa que existe!
- É aí que você se engana! Eu posso te amar enquanto durmo, enquanto como, enquanto fujo de casa, enquanto minto pra você e fico com outra pessoa...não existe exclusividade no amor! Posso te amar sem que você saiba e o verdadeiro sentido do meu amor nunca será apreciado por outra pessoa além de mim! Mas o tempo - e a dedicação - que eu te dou, são exclusivamente seus e de mais ninguém, as horas do meu dia que te dou são meus bens mais preciosos...e ninguém pode tomá-los de ti nem em um milhão de anos! Já o meu amor? Pode ser tomado por outro alguém a qualquer momento e não lhe restará um gota dele para ser lembrado!
- Tem coisas que você fala que fazem tão sentido que chegam a me dar medo sabia?! Porque ao mesmo tempo que nunca ninguém parou pra pensar nisso, quando você fala e torna tudo isso verdade aos meus ouvidos me parece uma realidade tão óbvia que eu não sei porque nunca enxerguei...
- Você sabe qual é a minha teoria sobre os presentes, não é?!
- Sei sim, que um presente quando é feito pela pessoa que te presenteou, tem muito mais significado do que uma simples compra de shopping...e por mais que seja uma compra, que contenha algo feito à mão, que tenha um pedaço da pessoa...
- Porque você acha que eu prefiro assim?
- Porque uma compra banal é só um objeto, quando tem um toque pessoal tem mais amor!
- ERROU OUTRA VEZ! Preste atenção no que eu acabei de lhe falar!
- Eu prestei atenção, me fale mais sobre...
- É TUDO PELO TEMPO, MEU AMOR! Se você vai no shopping pagar uma conta e lembra do meu aniversário, compra um vestido, pede pra moça da loja embalar pra presente e me entrega - por mais bonito que o vestido seja e por mais que eu venha a gostar dele - só vai lhe custar mais uma parcela no cartão, entende agora o meu exemplo?
- Sim, agora eu entendo!
- Mas se você compra um vestido da minha cor preferida, prepara uma carta, uma surpresa...talvez uma caixa, ou me entrega em uma ocasião que não seja especial...se você anota em um pedaço de papel uma letra de música que eu gosto e coloca um laço de fita mal feito enrolado em um papel de jornal, eu vou saber que aquilo foi feito por você! E principalmente vou pensar nas horas que você gastou do seu tempo pra pensar naquilo e pôs as mãos em algo que achou que fosse ter algum significado pra mim. Se você me compra um MP3, eu não sei o que você quis dizer com isso...se você me compra um MP3, enche ele de músicas e me entrega, eu ganho todo o tempo que você gastou escolhendo as músicas, e vou tentar achar um significado pra cada uma delas, então você ganha o tempo que eu gastei tentando decifrar o seu presente...e isso sim, torna algo especial...e talvez eu nunca precise mudar a seleção de músicas daquele MP3...
- Então em suma, o amor é uma troca de tempo!
- Exatamente!
- E quando os relacionamentos acabam? O nosso sofrimento não é porque acabou o amor?!
- Em parte - muito pequena na verdade - porque a nossa maior lamentação é sobre o tempo que perdemos e as horas que dedicamos e doamos para alguém que foi embora...você chora porque a pessoa levou o seu tempo, e não o seu amor! Se você conhece outro alguém e é feliz com essa pessoa, magicamente tem todo o seu amor de volta para compartilhar...ou seja: a última pessoa de amor não levou nada! Mas o tempo que você passou com ela é irreparável!
- Então além de dinheiro, tempo é amor?
- E poder! Se me perguntassem hoje se eu acredito em Deus, eu diria que sim...meu Deus é o tempo! Ele controla o dinheiro, o amor, o poder...o tempo sabe de tudo, porque tudo passou por ele. Sem tempo deixamos de ser humanos...não dormimos, não comemos, não amamos...o tempo nos cura das maiores dores, e nos chicoteia com as piores doenças. A ausência dele separa os seres humanos uns dos outros e causa o caos, a sobra dele nos dá tanto tempo pra pensar que engordamos e nos tornamos depressivos...Por isso precisamos estar em comunhão eterna com o Deus Tempo, pra que se consiga o equilíbrio perfeito e se possa viver em paz!
- Um belo discurso pra explicar o tempo que você gastou embrulhando esse presente e escrevendo essa carta pra mim. Talvez seja a prova de que você me ama de verdade, já que está tão bem feito...parece ter lhe custado muito tempo.
- O "discurso" - se assim você o chama - não foi pela caixa...muito menos pela carta. Foi pelo que está dentro.
- Um relógio! Eu esperava uma resposta...mas você sempre me deixa com mais perguntas...o que isso significa?
- Todo o meu tempo! ele agora é seu!
- Então você aceita?!
- Sim, eu aceito.
Kamilatavares.
domingo, 2 de junho de 2013
O de sempre...
Você vai ficar nervoso e procurar a hora certa pra me falar a coisa errada; que eu fui a pessoa certa na hora errada...que o problema não é comigo, é com você! Porque afinal de contas, que problema poderia ter uma menina bonita e inteligente? Divertida, com bom gosto musical e para filmes, que sabe cantar e tocar violão e ainda por cima cozinha bem? Mas eu não vou acreditar em você porque todos dizem a mesma coisa, seguida de um "mas..." que me assombra.
Mas como eu "sou uma pessoa forte", vou dizer que respeito a sua opinião, que vou continuar sendo sua amiga e que vai ficar tudo bem; mas não vai! Daí então eu vou chorar, começar a comer feito uma louca, depois vou ficar sem comer por dias, vou faltar aula, fumar mais, beber mais, fazer coisas que eu com certeza vou me arrepender depois, vou passar dias trancada no quarto, depois vou sumir de casa e vou dizer pra todo mundo que estou bem melhor assim, que nunca gostei de você mesmo...e todos vão acreditar, por pensarem que aquele é o meu estado normal...
Depois vem a raiva. Vou aumentar a dose de Iron Maiden e Motorhead, deixar de escutar as músicas que me lembram você e pedir educadamente que você vá pro inferno e desapareça da minha vida, desejando que você discorde e lute por mim - o que não vai acontecer - pra variar.
Você eventualmente vai se preocupar comigo, vai querer falar comigo pra ter notícias minhas, talvez até bata uma saudade...mas você vai se segurar ao máximo. Depois de alguns dias vai tentar manter algum contato - eu vou chorar mais - e serei fria, mas a verdade é que eu vou tentar vigiar a sua vida por um bom tempo...até a dor começar a passar...
Vai demorar, mas a vida vai soprar outros ventos e quando essa hora chegar eu não vou mais sentir saudades, talvez até guarde alguma raiva...se passar muito tempo talvez nunca mais tenha volta, e você vai virar uma cicatriz bem grande...
Você vai se lembrar da menina que não teve culpa pelo mal que sofreu, e vai conhecer outra garota que talvez nem seja a certa, mas que apareceu em boa hora...e vai tentar não cometer os mesmos erros com ela...talvez ela seja fria e vez ou outra te trate mal, mas você não vai reclamar por achar que é apenas a ordem natural das coisas...por achar que não merece ser feliz de fato...e quando eu descobrir vou chorar mais um pouco, e mentir dizendo que desejo que você seja feliz com ela! Você vai perguntar se eu conheci alguém, vou responder que sim...eu sempre conheço alguém, mas ele também fez a mesma coisa, ou se não fez - vai fazer. Ou talvez eu ainda esteja apaixonada por esse outro cara, e passe as noites desejando que ele não me julgue por quem eu fui, por quem eu sou, pelo que passei...desejando que dessa vez eu tenha chegado na hora certa, no lugar certo, com a roupa certa...desejando que dessa vez seja "A vez" e que eu nunca mais passe por isso outra vez.
Então quem sabe você me deseje um feliz ano novo, e uma vez ou outra veja algo que o faça lembrar de mim...então vamos nos falar e quem sabe rir...mas nada será do mesmo jeito.
- Já escolheu o que vai pedir?
- O de sempre!
Kamilatavares.
domingo, 26 de maio de 2013
O que eu quero...
Seria tudo isso uma praga daquela carta da lua que a minha tia deixou na mesa pra mim? Seria tudo resultado do meu plano reencarnatório querendo me ensinar alguma grande lição que eu só vou saber qual é quando chegar do lado de lá? Só sei que eu não sei mais de nada, e cada minuto de silêncio vai me rasgando por dentro e me causando uma inquietação atípica de mim. Quero fugir, quero esperar o resto da vida, quero sumir, quero morrer na esperança de que um dia dê certo...não quero mais nada!
Só sei que no fim das contas eu que entrei em colapso por não saber o que fazer e passar muito tempo me perguntando o que fiz de errado; dizem ser pessimismo...pra mim é um filme se repetindo! E nunca acaba bem, nunca tem o final feliz que me faz chorar...meu choro no final é de outra coisa...é de outra parte de mim morrendo.
Um dia vou ser feliz na vida, talvez...mas não do jeito que eu queria! Não morrendo cedo assim, me desgastando pelo que talvez nem valha a pena! Não tenho estrutura pra jogo de azar, depois de tantas eu só boto o meu na reta se a vitória for certa, não aguento mais apostar no time errado, e nessas circunstâncias, eu não sei nem que time vai entrar em campo no próximo jogo! Como proceder?
Essa noite eu tive um pesadelo, acordei chorando mas não liguei pra ninguém! Fiquei parada olhando o dia amanhecer e cavando mais o meu vazio...não quero mais falar de bares ou de outros rapazes, não quero conhecer pessoas novas nem acordar sem conseguir lembrar da noite passada...quero minha rede e meus livros, quero as promessas de paz, quero queimar aquela carta e ver o Sol beijar o mar sem me preocupar com nada além das trivialidades da hora do jantar...
Eu quero paz, meu amor! Quero que todo dia seja como o começo de tudo, quero acordar e começar tudo do zero pra relembrar minha risada despudorada e os teus olhos brilhando e sorrindo pra mim, quero que todos os abraços sejam de reencontro e todas as noites de chuva só pra curtir o frio com você...quero poder cuidar da tua tosse e fazer desaparecer qualquer rastro de dia triste com algum comentário engraçado...quero cuidar de você porque fazendo isso eu cuido também de mim, assim eu aprendo a construir laços...e desfazer os nós da minha garganta...assim eu me contento em ser eu, sem medo!
Kamilatavares.
Só sei que no fim das contas eu que entrei em colapso por não saber o que fazer e passar muito tempo me perguntando o que fiz de errado; dizem ser pessimismo...pra mim é um filme se repetindo! E nunca acaba bem, nunca tem o final feliz que me faz chorar...meu choro no final é de outra coisa...é de outra parte de mim morrendo.
Um dia vou ser feliz na vida, talvez...mas não do jeito que eu queria! Não morrendo cedo assim, me desgastando pelo que talvez nem valha a pena! Não tenho estrutura pra jogo de azar, depois de tantas eu só boto o meu na reta se a vitória for certa, não aguento mais apostar no time errado, e nessas circunstâncias, eu não sei nem que time vai entrar em campo no próximo jogo! Como proceder?
Essa noite eu tive um pesadelo, acordei chorando mas não liguei pra ninguém! Fiquei parada olhando o dia amanhecer e cavando mais o meu vazio...não quero mais falar de bares ou de outros rapazes, não quero conhecer pessoas novas nem acordar sem conseguir lembrar da noite passada...quero minha rede e meus livros, quero as promessas de paz, quero queimar aquela carta e ver o Sol beijar o mar sem me preocupar com nada além das trivialidades da hora do jantar...
Eu quero paz, meu amor! Quero que todo dia seja como o começo de tudo, quero acordar e começar tudo do zero pra relembrar minha risada despudorada e os teus olhos brilhando e sorrindo pra mim, quero que todos os abraços sejam de reencontro e todas as noites de chuva só pra curtir o frio com você...quero poder cuidar da tua tosse e fazer desaparecer qualquer rastro de dia triste com algum comentário engraçado...quero cuidar de você porque fazendo isso eu cuido também de mim, assim eu aprendo a construir laços...e desfazer os nós da minha garganta...assim eu me contento em ser eu, sem medo!
Kamilatavares.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Escritos de guardanapo de bar.
As sinfonias na minha cabeça destoam completamente das músicas animadas que tocam no bar, pessoas dançam. Eu observo.
Não quero fechar os olhos e ver aquela janela grande cortando as paredes azuis que protegem aquele sorriso do mundo lá fora...que trancaram nossos segredos de liquidificador daqueles que não mereciam ouvir...
Quero o meu lar, não a minha casa...
Quero as conversas, as risadas, quero o cheiro dele, o toque, a segurança, a voz dele me dizendo que eu sou um anjo e que tudo vai dar certo! Vai dar tudo certo? O adeus foi um até logo, ou o até logo foi um adeus? Não sei mais de nada...desce mais uma, por favor!
Hoje o dia não tem fim e eu quero apagar pra não correr o risco de mais uma madrugada de olhos inchados...
Pensando bem...dose dupla! É que acabou o meu cigarro...
Kamilatavares.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Babe i'm (not) gonna leave you.
(Para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=iP9xMobANJM )
Os primeiros raios de Sol invadindo a janela sem cortinas me obrigaram a abrir os olhos; na verdade eu não dormi aquela noite, mas o misto de tristeza e esperança não me permitiu chorar...ou talvez eu ainda fosse desumana como antes! Na dúvida resolvi testar...
Por mais quente que a cidade fosse o frio me perturbava naquela hora, ele não soltou a minha mão mesmo dormindo...mas me levantei com aquela dor nas costas e aquele aperto no peito que não me deixavam; juntei algumas coisas...ele não acordou, abri a porta e saí!
Parecia cena de filme quando eu vi a porta fechando e o meu campo de visão ficar cada vez menor, o Led Zeppelin tocava insanamente na minha cabeça..."babe i'm gonna leave you..." e minhas pernas tremiam de medo. Precisava saber se seria fácil pra mim simplesmente fechar uma porta e sair - como sempre fiz - sem deixar explicação, adeus, até logo, bilhetinho na geladeira...sem deixar nada de mim, apenas ir... Precisava saber se eu não sentiria nada como era de costume não sentir.
"I said baby, you know, I'm gonna leave you
I'll leave you when the summertime
Leave you when the summer comes a rolling
Leave you when the summer comes along"
Fumei um cigarro, andei pela casa vazia...a música não parava na minha cabeça, repetia...aumentava o volume...escovei os dentes, refleti por horas naqueles três minutos que duraram a eternidade...não consegui, voltei pro quarto.
Ele permanecia imóvel, o Sol iluminando o pouco que eu conseguia ver dos seus ombros, minhas malas arrumadas, os livros, as HQ's, meu violão...e agora? O que eu vou fazer agora? Não sei mais ir embora...o meu super poder foi tirado de mim, e admitindo a minha fraqueza eu voltei a me deitar, segurar sua mão e esperar o despertador tocar.
Definitivamente não sou mais a mesma...engraçado olhar pra trás e pensar nas besteiras que fiz, mas agradeço por todas elas...sem aqueles erros todos não teria a coragem que tenho hoje, nem mesmo a coragem de admitir minha covardia na hora do adeus, e fui covarde de todas as formas que eu consegui ser.
Estava na hora...ele abriu os olhos, sorriu preguiçoso e me abraçou...eu já estava pronta! Quase nada foi dito, acho que nem era necessário dizer nada naquela hora...então ele arrumou o meu cabelo atrás da orelha, beijou meu antebraço e me olhou de um jeito que eu ainda não consegui decifrar... hora de ir!
Kamilatavares - escutando Led Zeppelin.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Diário de Pandora - 26/04/13
Um dia eu vi em um filme que às vezes basta o Sol iluminar de forma diferente uma pedrinha da rua pra gente chorar e entender um pouquinho mais a vida. Hoje a copa das árvores pintaram de verde aquele céu cinza de um jeito que eu me peguei sorrindo do nada; e de repente os meus problemas todos sumiram só de lembrar do sorriso dele e aquela cara boba que ele faz quando escuta a minha gargalhada.
Será que é possível sentir tanta alegria a ponto de pensar que a gente não merece tanto? Porque nessa hora eu me vi em cima do muro entre o amor e a sensatez e tive vontade de jogar tudo fora e correr pros braços dele. Naquela hora o meu Heavy Metal, a fumaça do meu cigarro e aquela raiva toda não combinavam mais comigo e eu só queria sorrir, acordar cedo, colocar um avental, sorrir, correr, preparar uma salada, tomar um suco de Cajá, plantar uma árvore, adotar mais um cachorro e ser feliz! Naquela hora...aquele dia chuvoso virou manhã ensolarada pra mim e - de repente - não havia mais ninguém no mundo que pudesse entender aquilo que eu sentia...só ele!
Por um segundo eu não tive mais medo de tirar a armadura; minhas utopias se tornaram reais e eu me sentia segura. Ele também foi um anjo! Agora eu posso ser eu, agora eu posso largar os personagens e dividir a minha alegria...claro que sem ele ela ainda existe! Até porque é errado depositar 100% da sua felicidade em qualquer pessoa que não seja você mesmo! Mas com ele essa felicidade toda começa a fazer sentido...se é que isso tudo faz algum sentido! Mas se é assim...então que assim seja!
Pandora!
Transcrito por Kamilatavares. =)
Será que é possível sentir tanta alegria a ponto de pensar que a gente não merece tanto? Porque nessa hora eu me vi em cima do muro entre o amor e a sensatez e tive vontade de jogar tudo fora e correr pros braços dele. Naquela hora o meu Heavy Metal, a fumaça do meu cigarro e aquela raiva toda não combinavam mais comigo e eu só queria sorrir, acordar cedo, colocar um avental, sorrir, correr, preparar uma salada, tomar um suco de Cajá, plantar uma árvore, adotar mais um cachorro e ser feliz! Naquela hora...aquele dia chuvoso virou manhã ensolarada pra mim e - de repente - não havia mais ninguém no mundo que pudesse entender aquilo que eu sentia...só ele!
Por um segundo eu não tive mais medo de tirar a armadura; minhas utopias se tornaram reais e eu me sentia segura. Ele também foi um anjo! Agora eu posso ser eu, agora eu posso largar os personagens e dividir a minha alegria...claro que sem ele ela ainda existe! Até porque é errado depositar 100% da sua felicidade em qualquer pessoa que não seja você mesmo! Mas com ele essa felicidade toda começa a fazer sentido...se é que isso tudo faz algum sentido! Mas se é assim...então que assim seja!
Pandora!
Transcrito por Kamilatavares. =)
terça-feira, 16 de abril de 2013
É você!
Hoje eu me pego sorrindo do nada, hoje eu me olho no espelho e vejo um reflexo bonito...hoje eu não minto quando digo que estou bem.
Minha curta memória tenta manter todas as palavras bonitas que ele me disse vivas aqui em mim, se eu pudesse documentava todos os momentos bons, pros outros historiadores mais descrentes das oralidades pudessem legitimar essa minha alegria toda, e pra que o meu discurso apaixonado não se perdesse no tempo e pudesse viver pelas eternidades dos que virão depois de mim. Na falta de tudo isso eu me agarro ao sorriso dele, esse eu nunca vou esquecer, e nem da dor que sinto nas bochechas me avisando que que não tirei o sorriso bobo do rosto por horas seguidas.
Eu sempre imaginei que um dia fosse viver de um amor pela metade, ou de amor nenhum no fim das contas. Que ia acabar sozinha ou com alguém que estivesse ali pra não morrer só também, ou vivendo com algum amigo que me achasse maravilhosa pra tudo, menos pra amar! Ouvi dizer que eu fiz ele começar a se amar, e ele fez com que eu começasse a me sentir amada! Depois de tanta impaciência acaba que é mesmo verdade isso que dizem que a gente encontra quando para de procurar, e eu andava cansaaaaaaada de vasculhar por ai procurando por nada, e naquele dia de Sol, em meio a todo o meu cansaço, minha falta de disposição e aquele chapéu que eu coloquei numa tentativa de me esconder, ele apareceu sorrindo, e eu nem sabia o que vinha dali pra frente, mas a vida tem dessas.
Não vai ser fácil, muito menos perfeito...mas um dia me disseram que quem tem paz se acomoda e acaba nem aprendendo mais com as dificuldades da vida. E essa coisa meio criança que eu ainda guardo dentro de mim não aguenta o tédio e não me permite acomodações. Pois que seja assim então! Que os meus longos dias pensando sobre a beleza na imperfeição das coisas me consolem quando a saudade bater, e que ele não sofra tanto quando sentir minha falta.
Pois é você porque tinha que ser assim, porque sim, desse jeito conformista mesmo, e ponto final.
Kamilatavares.
sábado, 13 de abril de 2013
Dos contos do verão inexistente.
O Sol andava escaldante nos últimos dias, me lembro que usava um vestidinho solto, havaianas brancas, um chapéu e um copão de suco de cajá na mão, na bolsa sacolas cheias de verduras e frutas, e o meu pão integral. O Toquinho nos meus fones de ouvido não me deixava sucumbir ao mal humor que aquele calor todo poderia me trazer, era um dia bonito, e o mar estava incrivelmente encantador hoje. Nunca fui muito de mar, praia e Sol...mas a passagem pra Londres já comprada e guardada na minha mesa de cabeceira me fez querer aproveitar o máximo de Sol que eu poderia.
Peguei as chaves, olhei a foto no chaveiro...nossa primeira foto! Subi as escadas - o elevador quebrou na semana passada - e abri a porta. O narguille na mesa de centro junto com os joysticks do super nintendo, duas garrafas de cerveja vazias...o cinzeiro sujo, a rede armada balançava sozinha lá da varanda ... ele não arrumou a casa! Mas o almoço de domingo já cheirava bem e a vizinhança inteira escutava Los Hermanos por tabela de tão alto que ele ligou o som, e ainda cantava! Você precisa ver as dancinhas que ele faz enquanto cozinha, canta, me puxa pra dançar...tudo ao mesmo tempo!
Pensei que ele não tinha me ouvido entrar, devido ao barulho ensurdecedor "E ATÉ QUEM ME VÊ LENDO O JORNAAAAAAL UUUUUUUUUH NA FILA DO PÃO...BOM DIA AMOR! TROUXE AS BATATAS QUE EU PEDI?" e eu gritei de volta "DO NOSSO AMOR A GENTE É QUEM SABE PEQUENAAAAAA...BOM DIA AMOR! TROUXE SIM! ESTÃO AQUI...AVENTAL BONITO!!"
Ele finalmente diminuiu o volume do som e veio me dar um beijo
-Obrigada...esse é novo! Minha mulher quem pintou! Muito talentosa!! Te apresento qualquer dia!
- Pois é...ouvi dizer que ela passou a madrugada inteira pintando...Batman né?!
- É sim!
- Bacana...eu tenho um do Iron Man!
- Coloca ele pra eu ver vai!
- Só se você acertar o ponto do molho dessa vez!
- Sacanagem hein?! Quem cozinha os molhos aqui é você!
- Ok...então arrume aquela bagunça na sala que eu faço!
- Combinado!
Fui terminar o almoço, pus a mesa e ele deu uma arrumada na sala e ficou de preguiça jogando Sonic. Sim, trocamos videogames no último natal! Eu ganhei o Super Nintendo e dei pra ele o Megadrive.
- Vem almoçar criatura!
- Pera molier, deixa eu jogar mais um pouquinho!
- Eu deixo, mas ai não vai comer mousse de maracujá!
Ele correu pra mesa imediatamente...abri todas as janelas pra ver se não morria de calor e aproveitei o almoço que estava uma delícia - vale salientar - enquanto conversava com ele sobre a viagem. Os últimos meses foram infernais estudando pra passar no Douturado na Inglaterra, e agora com as malas quase prontas pra ir tudo o que eu queria era aproveitar esse restinho de vida mansa com ele antes de voltar a estudar feito uma louca. Nem acredito que a gente vai morar quatro anos fora, nem acredito que ele ficou tão feliz em ir comigo mesmo largando tudo por aqui - por mais que não seja definitivo - até a gente voltar, nem acredito que as coisas iam dar tão certo pra mim quando eu larguei tudo por ele e deixei minha vida toda lá onde eu nasci.
- Sobremesa Sobremesa Sobremesa!
- Calma, vou pegar!
Antes que eu pudesse servir a mousse dele senti o puxão no meu vestido. Ele tinha dessas coisas de me surpreender, de fazer eu me sentir querida sabe?! Depois de tantas ruins acho que eu andei um pouquinho mas achei a famosa tampa da panela...e nem era quem eu esperava. Aquela minha amargura toda de não querer quem gosta de tal banda ou quem não toca violão ou quem não gosta de tal filme acabou nem funcionando...ele fez bico e de repente já era tudo que eu queria na vida enquanto eu disfarçava minha falta de beleza tocando violão pra ele pela webcam nos tempos em que a gente não podia se ver pessoalmente! Mas depois que a gente se viu foi amor a segunda vista e eu não larguei dele nunca mais!
Vai passar Toy Story na televisão e nós vamos discutir mais uma vez sobre quem é o melhor! Woody ou Buzz, mas eu sei que quando a tarde cair e o cansaço bater ele vai me abraçar e fazer cafuné até eu não conseguir pensar em mais nada. Eu demorei pra descobrir o que era esse tal de amor correspondido, e sei que nada é perfeito nessa vida...inclusive o jogo do Corinthians que eu perdi porque ele queria assistir um filme. Mas quando a minha mãe me liga no fim do dia pra saber como eu estou, a voz que ela escuta é sempre de felicidade.
Kamilatavares.
terça-feira, 9 de abril de 2013
E agora?
Se não faço tudo que você me pede baby
é por puro instinto de me proteger
confiar é tão complicado hoje em dia...
não, não é isso! Eu confio em você
Se eu não passo o dia aqui conversando contigo baby
é por puro medo de não me desprender
de virar esse pedacinho de ti que já me tornei
e na hora que eu for voltar pra casa me perder
Se eu não te deixo me ver todo dia baby
é porque ontem eu chorei, porque sonhei contigo
eu sei eu sei, você também sonhou comigo
e essa lonjura toda da gente me deixa aqui a mercê
Desse amor pela metade que eu tenho que viver
Se eu não corri pra te ver ainda baby
foi por puro medo de tu não querer voltar comigo
e esse receio de te entregar um coração já partido
atropelado pelos caminhões das estradas que andei
Se eu me protejo tanto assim de ti baby
é pra não admitir o quanto eu gosto de você
e pra esconder esse nó na garganta que dá
quando eu acordo todo dia e sei que ainda não é dia
De te ver.
Kamilatavares.
é por puro instinto de me proteger
confiar é tão complicado hoje em dia...
não, não é isso! Eu confio em você
Se eu não passo o dia aqui conversando contigo baby
é por puro medo de não me desprender
de virar esse pedacinho de ti que já me tornei
e na hora que eu for voltar pra casa me perder
Se eu não te deixo me ver todo dia baby
é porque ontem eu chorei, porque sonhei contigo
eu sei eu sei, você também sonhou comigo
e essa lonjura toda da gente me deixa aqui a mercê
Desse amor pela metade que eu tenho que viver
Se eu não corri pra te ver ainda baby
foi por puro medo de tu não querer voltar comigo
e esse receio de te entregar um coração já partido
atropelado pelos caminhões das estradas que andei
Se eu me protejo tanto assim de ti baby
é pra não admitir o quanto eu gosto de você
e pra esconder esse nó na garganta que dá
quando eu acordo todo dia e sei que ainda não é dia
De te ver.
Kamilatavares.
Run!
- Eu gosto de café expresso
- Eu gosto de HQ's
- Eu gosto de tocar violão
- Eu gosto de Radiohead
- Eu gosto de Pink Floyd e Radiohead
- Eu gosto de você!!!!
Ela prendeu a respiração e arqueou as sobrancelhas de súbito! Não esperava por essa...
- Eu também!
- Também gosta de você?
- Não né...de você seu idiota!
- Linda até me chamando de idiota...
- Seu bobo u.u
- Posso confessar uma coisa?
- Fala...
- Eu tou mesmo meio bobo por você sabia?!
- E eu?! Boba e meia!!!
Ele riu e ficaram parados ali...em silêncio por um minuto eterno olhando o outro através da tela, amaldiçoando essa distância toda e desejando insanamente no mínimo um minuto de contato real entre eles...
- Queria que você estivesse aqui...
- Eu também queria estar ai...
E assim os dias passaram...cruéis.
Eles estão voltando pra casa...ela permaneceu calada o tempo todo, era muita informação pra uma noite só...entrou e foi direto pro outro quarto...quase adormeceu...ele entra com um copo d'água na mão e uma desculpa ensaiada, se deita ao lado dela...seu cheio quase a faz parar de raciocinar...
- Desculpa amor... você queria que eu fizesse o que? Ainda não tive como explicar a situação! - Dizia ele quase que sussurando enquanto tentava abraçar sua esperança o mais forte que podia - As vezes eu penso que não nasci mesmo pra ser feliz...
- A questão não é essa Lou, você sabe o que eu penso sobre isso de felicidade, o seu destino quem faz é você, só colhe infelicidade quem planta essas merdas que você anda fazendo...me diga...você ia gostar de me ver com outro?
- Claro que não! Pergunta idiota...mas eu estava de mãos atadas...é complicado mulher...eu já expliquei...e mesmo não querendo ver você com outros eu sei que você ficou com outros caras na minha ausência...enquanto eu passava os sábados esperando você dar sinal de vida.
- É O QUE? Eu passei os sábados bebendo sim, e pensando em você seu babaca...minhas amigas não me aguentavam mais! E vem cá...me responde uma coisa...
- Diga...
- Se eu quisesse ficar com qualquer outro cara, eu teria vindo até aqui atrás de você? Veja os sacrifícios que eu fiz só pra vir te ver! Eu poderia ter ido pra outros mil lugares...eu cancelei viagens com amigos, congressos da faculdade...uma pá de coisas só pra vir ver você...acho que isso diz muito sobre o que eu sinto
- Eu te amo...eu te amo! Quero ficar só com você...
- Sua vez de fazer um sacrifício! Disposto a começar?
- Começo agora...só não quero ver você chorando assim...
- Eu quero água...pega pra mim?
- Eu quero você pra sempre!
- Eu quero você com Marshmallow
- Eu quero você numa piscina de cerveja
- Eu quero a piscina de cerveja
- TRAIDORA!!!
- Também quero o Tony Stark
- Vai ferir mesmo o meu ego, dona Pandora??
- Até você me salvar do castelo? Sim!
- Pois espere e verás...vou buscar você vestido de Iron Man
- Eu vou fazer uma serenata na sua janela...
- Vou cobrir você de beijo e chocolate...
- E depois ficar diabético! hahahahah
- Diabético de você
- Eu também te amo, seu bobão...
- FINALMENTE!! Pensei que não ia retribuir nunca!
- É que eu fiquei com vergonha desde aquela vez que eu cheguei em casa bêbada e me declarei...ainda bem que tu não acreditou na hora
- Não confio em meninas alcoolizadas...
O aeroporto estava quase vazio...era madrugada e ele chorava! Ela nunca soube reagir nessas situações...queria tanto que as coisas fossem diferentes que chorou com ele, ali na frente das malas, do violão, dos funcionários e do cara que fumava lá fora e assistia a cena toda do outro lado da porta.
- Eu vou te ver, prometo.
- Não acredito em você Lou... - Dizia ela ao soluços
- Não faz isso comigo...eu te amo!
- Eu te amo tanto que vou te enterrar vivo com uma câmera pra você filmar pra mim o seu último suspiro
- Eu te amo tanto que vou arrancar sua perna no moedor de carne!
- Eu te amo tanto que vou fritar você no óleo quente...
- Eu te amo tanto que vou cortar os seus dedos e colocar naquele meu abajur
- Eu te amo tanto que vou arrancar os seus dentes com um alicate e fazer um colar pra mim...
ÚLTIMA CHAMADA...
- Não me deixa ir...
- Se eu pudesse não deixava mesmo...
- Vou te levar pro meu mundo...onde a gente vai poder tudo
- Leva mesmo...
- Quando você for me ver te mostro o caminho...Tchau.
- Pandora!
- Oi?
- ...
Kamilatavares que roubou o diário de Pandora.
domingo, 7 de abril de 2013
Ressaca.
Eu ia voltar cedo pra quem sabe falar alguma bobagem pra você, fiz tudo tão no improviso que nem arrumei o cabelo...mas quando eu arrumo o cabelo não é mesmo!? Talvez eu fale mesmo muita besteira, pra compensar os séculos que passo em silêncio, é que esse calor me deixa agitada, é uma vontade de sair cuspindo sentimentos por ai que você nem imagina! Talvez seja hora de ligar o ar condicionado...quem sabe eu me aquieto, quem sabe eu me calo!
Pandora.
Pandora.
terça-feira, 2 de abril de 2013
π
Acordei com frio, ainda era cedo...a porta deixava os primeiros raios de Sol perturbarem meu sono tranquilo; então eu escutei o barulho do carro e percebi que ele tinha ido embora depois de ter feito a coisa mais certa na hora e no lugar mais errados das nossas vidas.
"E lá vamos nós outra vez Pandora" pensei frustradíssima enquanto levantava pra pegar uma toalha e ir tomar um banho nem que fosse de realidade e tentar tirar o cheiro dele de tudo antes que eu caísse em depressão; mas o bilhete na mesa me chamou mais atenção, e parei pra ver o que ele tinha deixado pra mim.
"Não é certo ficar agora meu amor, você sabe disso...um dia eu volto. Não fica com raiva de mim meu bem...se eu pudesse não te deixava nunca... ♥"
Junto do bilhete ele deixou aquela camiseta que eu gosto, e uma passagem só de ida pro inferno que foi aquele dia...porque eu chorei e não foi pouco! Mas foi chorando que eu percebi que o meu destino é acordar sozinha, pelo simples motivo de ter me acostumado a sorrir com um nó na garganta.
Desde esse dia eu nunca mais fechei a porta...sei lá...quem sabe ele resolvesse voltar assim do nada.
E eis que eu acordo com aquele barulho estranho..."deixei a porta aberta e um ladrão entrou...MUITO INTELIGENTE DA SUA PARTE DORA! Meus Parabéns!"...corri pra cozinha pra pegar uma faca ou sei lá, e de súbito encontrei aquele sorriso e um pote gigante de mousse de maracujá! O resto é história...
Kamilatavares.
"E lá vamos nós outra vez Pandora" pensei frustradíssima enquanto levantava pra pegar uma toalha e ir tomar um banho nem que fosse de realidade e tentar tirar o cheiro dele de tudo antes que eu caísse em depressão; mas o bilhete na mesa me chamou mais atenção, e parei pra ver o que ele tinha deixado pra mim.
"Não é certo ficar agora meu amor, você sabe disso...um dia eu volto. Não fica com raiva de mim meu bem...se eu pudesse não te deixava nunca... ♥"
Junto do bilhete ele deixou aquela camiseta que eu gosto, e uma passagem só de ida pro inferno que foi aquele dia...porque eu chorei e não foi pouco! Mas foi chorando que eu percebi que o meu destino é acordar sozinha, pelo simples motivo de ter me acostumado a sorrir com um nó na garganta.
Desde esse dia eu nunca mais fechei a porta...sei lá...quem sabe ele resolvesse voltar assim do nada.
E eis que eu acordo com aquele barulho estranho..."deixei a porta aberta e um ladrão entrou...MUITO INTELIGENTE DA SUA PARTE DORA! Meus Parabéns!"...corri pra cozinha pra pegar uma faca ou sei lá, e de súbito encontrei aquele sorriso e um pote gigante de mousse de maracujá! O resto é história...
Kamilatavares.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Trivialidades.
Não! Eu não quero esse bar...prefiro aquele ali no fim da rua, porque tem as cadeiras vermelhas...ah...você sabe que eu adoro vermelho!
Meu ar condicionado quebrou hoje, você pode olhar amanhã?! É que anda um calor danado desde a semana passada, e eu tenho aqueles problemas pra dormir...sabe como é! Sim, claro...eu adoro essa cerveja, pode pedir. Claro que te faço um café amanhã... não vou trabalhar de qualquer forma; ganhei uma folga essa semana, vão fazer manutenção nos computadores do andar inteiro e fomos liberados! Pois é, quanto tempo! Te vi semana passada no shopping mas aquele inferno anda tão cheio de gente que não consegui passar pelo bando de adolescentes pra ir te dar um 'oi'. Também adoro essa música...a gente deveria vir mais aqui mesmo...claro! Só marcar o dia. Comigo anda tudo na mesma... o mesmo cansaço de sempre, e a correria parece que só aumenta! Mande um beijo pra sua mãe também, diga a ela que também sinto falta dos bolinhos de queijo...ela é uma graça! Bons tempos aqueles né?! A gente tinha tanto tempo livre...ê saudade!!! A saideira então...a gente se vê por ai! Te ligo sim, podexá! Tchau!
Kamilatavares.
Meu ar condicionado quebrou hoje, você pode olhar amanhã?! É que anda um calor danado desde a semana passada, e eu tenho aqueles problemas pra dormir...sabe como é! Sim, claro...eu adoro essa cerveja, pode pedir. Claro que te faço um café amanhã... não vou trabalhar de qualquer forma; ganhei uma folga essa semana, vão fazer manutenção nos computadores do andar inteiro e fomos liberados! Pois é, quanto tempo! Te vi semana passada no shopping mas aquele inferno anda tão cheio de gente que não consegui passar pelo bando de adolescentes pra ir te dar um 'oi'. Também adoro essa música...a gente deveria vir mais aqui mesmo...claro! Só marcar o dia. Comigo anda tudo na mesma... o mesmo cansaço de sempre, e a correria parece que só aumenta! Mande um beijo pra sua mãe também, diga a ela que também sinto falta dos bolinhos de queijo...ela é uma graça! Bons tempos aqueles né?! A gente tinha tanto tempo livre...ê saudade!!! A saideira então...a gente se vê por ai! Te ligo sim, podexá! Tchau!
Kamilatavares.
domingo, 24 de março de 2013
Sobre o luto.
Entra...mas não repara a bagunça; é que andei bebendo muito, comendo
pouco, dormindo quase nada e esquecendo de abrir as janelas. Os boatos são
verdadeiros, agora você pode ver com seus próprios olhos...ela foi mesmo
embora. O ruim de quando alguém que a gente ama morre é saber que a pessoa não
teve escolha, ela poderia ficar comigo pra sempre, ou me trair, ou ir embora
simplesmente ou até ter um filho meu, criar um cachorro, plantar um jardim...
mas ela foi levada sem ter o direito de escolher que chá ela tomaria amanhã.
Se sente...mas não repara na falta de fotos; eu guardei todas numa caixa
lá no quarto, junto com aquelas cortinas que ela bordou e as almofadas
preferidas dela. De repente aquela porção de fotos espalhadas pela casa me
assombraram e me fizeram mal. Os olhos verdes...não consigo parar de pensar nos
seus olhos verdes...e nas tardes que ela passou bordando aquelas cortinas.
Ela tinha tudo que se esperava de uma mulher pra passar o resto da sua
vida agarrado a ela. Sabe aquela inteligência assustadora?! Ela conseguia
manter o nível da conversa sempre elevado e falava bem sobre quase todos os
assuntos. Por vezes eu me perguntava de onde vinha tanta coisa que ela
sabia...e aquele sorriso!!! Era o melhor bom dia de todos...ver ela sorrindo e
sempre que percebia meu olhar de admiração se envergonhava e colocava a mão na
boca "não amor...acordei com bafinho". Sem contar nas coisas
maravilhosas que ela cozinhava e tudo nela...simplesmente tudo me agradava.
Pode fumar aqui sim, aproveita e me dá um cigarro que eu vou fumar
também...mas não repara se eu chorar na sua frente. Eu sei que uma das coisas
mais estranhas do mundo pra você é ver um marmanjo como eu chorando, são
momentos raros...mas não tenho mais aquele emocional invejável. Nem aquela
aparência invejável...nem sei há quantos dias eu não faço a barba, ou passei um
pente no cabelo. Não...não se preocupe. O luto não dura pra sempre meu caro
irmão, e um dia eu vou voltar a ser aquele cara organizado...mas por enquanto
deixa a merda feder...foram 5 anos de sangue, suor e América do Sul perdidos em
uma noite de angústia naquele maldito hospital. Me deixe sofrer...pelo tempo
que eu precisar.
Eu preciso que você entre lá...mas não repara se eu tentar fazer você
mudar de ideia. É que tem umas coisas dela pra empacotar, e eu preciso que você
faça isso por mim. Não vou ter coragem, na boa! Mas deixa aquele vestido
amarelo que ela usou naquele almoço na sua casa, no dia que eu a conheci. E os
sapatos vermelhos de usar todas as sextas. Ela amava aquele sapato! Deixava ela
da minha altura, toda sexta ela me dizia isso...salvo essas duas coisas,
empacote todo o resto e leve daqui...a mãe dela andou me ligando, por favor
diga a ela que eu estou bem, que apareço lá semana que vem pra deixar algumas
coisas que eu gostaria que ficassem com ela, o presente de dia das mães que a
gente já tinha comprado antes do acidente e aquela canequinha que ela tinha
desde o tempo da escola.
Tudo bem...me abrace só hoje...mas não repara se eu me acostumar. Talvez
eu volte um cara mudado...desses mais - como é que se diz? - inclinado a
abraçar os amigos e dizer que ama as pessoas importantes. É que de repente a
gente descobre que cada dia pode ser o último, e depois que eu limpar esse
apartamento - e me limpar também - eu não vou poder me dar ao luxo de perder
boas oportunidades. No mais é isso...
Kamilatavares.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Dos verões que ainda não tive.
Depois que eu aceitei o seu primeiro café tudo foi mudando aos poucos, e quando pisquei os olhos já tinha aceitado suas tardes, seus cafunés, seus dias de barba mal feita e a cópia das chaves do apartamento. Ele aceitou aquele avental que eu pintei, minha coleção de escovas de dente, minhas receitas que não deram certo, minha bagunça nos dias de jogo e os meus livros espalhados por todos os lugares.
Minha gaveta aos poucos foi virando metade do armário, e eu me dividia entre cuidar do apartamento, escrever minha monografia e deixar o café pronto pra quando ele chegasse cansado do trabalho. Ele gostava do café que eu fazia pra ele (que só ficou bom porque ele me ensinou a fazer) e eu do cafuné que ele fazia em mim quando deitava no sofá cansado depois do banho e me chamava pra ficar pertinho dele; não importava o quão cansado ele estava, sempre tinha tempo pra ser aquele cara mais fofo do mundo pra mim, com aquele sorriso de quem já está quase dormindo.
Ele estava longe de ser aquele quase loiro alto que eu sonhava em ter, mas tinha mel nos olhos, o universo no sorriso e os braços mais acolhedores do mundo. E desde o primeiro dia eu nunca me cansei daquele meio sorriso dele formando covinhas nas bochechas, nem do jeito que ele cerrava os olhos e me elogiava.
Lembro que ontem, antes de dormir ele me contou o que sentiu no dia em que me conheceu enquanto fazia voltas no meu cabelo; e falou do medo que ele teve de se aproximar, e o alívio que sentiu quando eu fui simpática com ele e sobre como ele quis me abraçar forte quando eu disse que era fã do Motorhead. Eu não pedi por nada daquilo, mas precisava tanto ouvir o que ele tinha a me dizer. Só foram surpresas boas desde que eu o conheci! E ainda dizem que sair sozinha é ruim...pois eu agradeço até hoje por ter saído sozinha aquela noite, e por ter tido tempo de arrumar o meu cabelo e passar aquele batom que fez ele chegar perto de mim. Agradeço por ter encontrado alguém que nunca teve medo de dizer as coisas que sente ou pensa - tão diferente de mim que me guardo dessas coisas - o que me passa uma confiança danada. E depois de tantas que eu passei, ter alguém pra confiar é quase como um suspiro forte depois de um quase afogamento.
Ele abriu mão de criar aqueles gatos que me davam tanto medo, e amor é o que sinto olhando o meu cachorrinho dormir enquanto espero ele chegar. Fiz aquelas panquecas que ele gosta pro jantar e pus uns cookies no forno...enquanto não ficam prontos olho o mar aqui da janela e um bocado de gente bonita andando pela orla, mas desde que eu aceitei aquele primeiro café, confesso que não tenho olhos pra mais ninguém.
Kamilatavares.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Montenegro.
Tenho sonhado com ele embora não o conheça...imaginei como seria sua voz, mas aquele sorriso ainda é familiar; quando perguntarem qual é o tipo físico que mais me agrada talvez agora eu saiba responder: Aqueles de sorriso bonito. Tenho essa coisas por sorrisos bonitos independente de como a pessoa seja fisicamente entende!? O que me prende são os sorrisos! O dele é de criança, é um sorriso brincalhão, bonito...com covinhas de timidez. Talvez ele tenha fugido dos meus estalos de esquizofrenia, talvez não exista de verdade nesse mundo dos reais, mas ele veio me visitar com um violão que eu lembro ter visto em outra história antiga, ainda empoeirado pelo tempo e pelo esquecimento. Nada foi dito, ventava muito...os cabelos bagunçados dele eram bonitos assim sob a luz do Sol...ele me sorria, e eu sorria de volta! Então um Opalla cruzou a rua quebrando o silêncio e desviando a minha atenção para os lados...então eu vi a praia! E naquela hora eu soube que estava em Montenegro.
Kamilatavares.
domingo, 17 de março de 2013
Platônico.
O sorriso de aparelho dele me lembra as tardes de domingo melecadas de sorvete, e ainda assim me parece adulto sorrir daquele jeito despretensioso. Afinal de contas, terno e gravata combinam com jeans rasgado e All Star, e uma pasta de couro com adesivos dos Ramones. Fiquei sentada olhando ele procurar a caneta que estava pendurada na orelha dele...e sorri daquele jeito atrapalhado que parece tanto com o meu. O fim de tarde era bonito, eu tomava meu suco de cajá e ele tentava apanhar os guardanapos que voaram; então percebeu que eu o olhava e ficou envergonhado pela cena, deu de ombros com as bochechas vermelhas, sorriu e foi embora. O barulho no copo anunciou o fim do suco, da tarde, e daquela história de amor que eu escrevi em cinco minutos. Hora de ir.
Kamilatavares
Kamilatavares
domingo, 3 de março de 2013
Paradoxo.
Lembra daqueles jogos mentais que eu falei que fazia? De vez em quando eles aumentam sabe?! É como se um milhão de pequenos cérebros funcionassem dentro de mim espalhando infinitas informações...é como se um milhão de pequenas memórias estivessem espalhadas nas pontas dos meus dedos me fazendo lembrar as mais diversas aleatoriedades toda vez que eu toco em algo diferente. Não consigo ser constante! "sou reticente...e ponto final."
Não tenho mais regularidade no sono, não tenho mais regularidade alguma! Acordo me sentindo mais velha que os meus pais e durmo me sentindo mais jovem que o meu sobrinho...estou morrendo e comemoro a vida todos os dias. Escuto as mais variadas músicas e constantemente me pego falando sozinha, reproduzindo diálogos de filmes, cenas que já vivi e outras tantas que pretendo viver enquanto me resta coragem. Imagino coisas que nunca faria, sonho com corredores de hospital, flores na minha cama...e sou feliz!
Há tempos não choro de verdade, nem me arrepio ao escutar um "Eu te amo"...há tempos não enlouqueço e aos mesmos tempos nunca me senti normal...
Planejo futuros enquanto penso em desistir de tudo pra viver sem rumo e sem perspectiva de vida. Corro maratonas inteiras dentro da minha inércia!
E quando o último trago é levado pelo vento na minha janela...fecho os olhos ao som da mesma música que coloco pra tocar toda noite e faço a minha prece...ao universo! Consigo sentir meu corpo inteiro dormente, e sorrio. Criei momentos de paz dentro do caos...aprendi a inventar minha felicidade, e sorrio com coisas bobas.
Não sei mais o que me dói, não sei mais o que me cura! Coleciono sorrisos, abraços, lembranças de crianças correndo na rua, cheiros de pessoas e cafés; fotografias que tirei com os olhos e ninguém mais além de mim consegue ver. Coleciono cenas da minha vida, e pessoas! Escuto músicas depressivas em momentos de felicidade, escuto músicas felizes nos meus momentos depressivos...e de contradições eu vivo! E sou feliz...
Maltrato os que me fazem bem...sofro pelos que me fazem mal, e os mantenho por perto. Não me entendo, não me encontro, não me perco, não me meto na minha vida, não me pergunto coisas complicadas, não me sinto pertencente...não luto...e sou feliz.
kamilatavares
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
O mito do insubstituível.
Quando é que a gente começou a se preocupar tanto em causar uma boa impressão? Quando as opiniões alheias se tornaram mais importante do que a boa convivência e a diversão com os nossos amigos? Quando foi que tudo aquilo que era livre e espontâneo começou a ficar sério e preocupante?
Eu não tinha grandes ambições, na verdade não tinha quase nenhuma a não ser me divertir; aproveitar o que a juventude me permitia e ter uma vida nem que fosse um pouco parecida com a dos filmes que eu tanto via. Mas a inocência me engoliu! A gente se acha esperto mas a vida mostra que não sabia?! Minha mãe me alertava sobre a minha inocência, num mundo onde as pessoas são boas - ou seja, o mundo em que ela pensou que eu viveria - isso seria ótimo; mas no real world, quando o jogo é na vera, quem é inocente acaba de lascando todo! E foi assim como ela disse.
Sabe quando você pensa que finalmente pode ser aquilo que sempre quis ser e que vai ficar tudo bem?! Pois é, não fica! Sabe porque?! Porque a gente vive em um lugar onde as pessoas fingem não se importar; se vestem com seus casacos de couro, all stars e cabelos milimetricamente mal cortados, segurando suas cervejas fingindo serem libertários e abertos a tudo sem preconceitos, mas são na verdade moralistas disfarçados esperando o mínimo erro, um defeito imperceptível pra cairem em cima feito lobos. O mundo engole a gente, uma pessoa de cada vez.
Não soube escolher grande parte dos meus amigos, mas as escolhas certas que fiz me perseguem - no bom sentido - até hoje! E a eles eu agradeço! Se pequei foi pela falta de sagacidade, confesso! Se errei foi pela inocência...e não entendam por inocente quem só faz a coisa certa, porque eu errei pra caralho, por achar que as consequências caberiam só a mim...por achar que ninguém se importaria e apontaria o dedo na minha cara me lembrando as minhas falhas. Errei porque não me meti na vida de ninguém esperando que não se metessem na minha, e fizeram justamente o contrário.
Aos que acabaram de chegar, pegaram todas as portas fechadas, os copos vazios, os microfones desligados, os bares fechando...e eu me pergunto: A troco de que?! A gente reclama tanto de tudo, mas se divertia tanto! Pra que perder tempo gastando suas energias com coisas negativas se a gente pode abrir as garrafas e se divertir!? Pra que implicar tanto com os defeitos dos outros se os outros só querem viver suas vidas?! Arriscar perder as coisas que você mais gosta numa tentativa falha de nascer perfeito?! Continuo não vendo sentido nessas coisas; porque ninguém nasce o melhor do mundo, e se nasce é um a cada sei lá quantos mil no mundo! A maioria aprende caindo mesmo, se lascando todo. Então pra que exigir do outro uma excelência que nem você tem?!
Ainda não recebi tais respostas, e hoje me pego nostálgica olhando pra tudo o que foi estragado pelas opiniões, pelos influenciáveis, pelo tempo, pela minha falta de paciência, falta de auto-estima, excesso de paranoia e mulherzice, pela minha inocência em acreditar em coisas que não existem mais, pelos anos em que me tranquei no mundo dos que não se importam e quando me mudei pra cá simplesmente não soube o que fazer...mas se eu voltasse no tempo...tenho certeza que faria - quase tudo - outra vez!
Mas hoje eu escolhi esquecer...hoje eu resolvi desistir!
Kamilatavares.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Ode à saudade.
Eu gosto dessa coisa que a saudade me dá
De aproveitar as janelas dos carros cheias de pingos de chuva
De sentir o maxilar travando naquele sorriso amedrontado
De lembrar de cada presente que já me foi dado
A amargura deixa tudo que é de ruim, aquelas lembranças que molham o travesseiro, que tiram suas noites de sono, que roubam sua concentração e enchem o seu fígado de dor. Pois se me deixam escolha, eu prefiro a saudade...ela me dá tudo que é de nostalgia boa, me deixa aproveitar cada momento como se fosse o último, cada abraço como se fosse acabar o mundo, cada olhar como aqueles de despedida...e eu gosto de despedidas.
Todo mundo faz questão de odiar o momento do adeus, eu acho uma hora sagrada! Primordial! Sem o adeus deixamos as coisas todas não ditas, os braços frios e o nó na garganta de quem não teve a oportunidade de ter uma última oportunidade, e eu gosto de últimas oportunidades! Elas tem a sua preciosidade, elas são raras, únicas...nós não vamos ter muitas últimas oportunidades na vida...e a lei é essa, dar valor ao que não se tem! Então hoje eu escolhi sorrir pra minha saudade, abraçar as minhas últimas oportunidades e dar valor ao que eu nunca mais vou ter!
Kamilatavares.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
É melhor ser alegre que ser triste!
Então me perguntaram se eu estava bem; respondi que sim mas especialmente hoje a resposta foi carregada de uma sinceridade acima do normal. Ainda completei que ando numa fase de felicidade, bom humor, otimismo e bem estar que eu desconhecia em mim nos últimos tempos!
Motivos para me sentir assim? Não, não tenho! Minha vida está absolutamente a mesma! E até pior em alguns aspéctos. Mas em suma continuo estudando as mesmas coisas, andando com os mesmos amigos, escutando as mesmas bandas, frequentando os mesmos lugares...mas algo em mim me fez olhar o bom das coisas...não sei quando, não sei porque!
Eu poderia me lamentar pela doença da minha mãe, pela saudade do meu irmão e do meu sobrinho, poderia me sentir mal com a minha solidão, reclamar da falta de dinheiro, de um namorado, de mais coragem pra estudar...mas quer saber? Resolvi ficar feliz pelas breves visitas do meu irmão e do meu sobrinho, me sentir grata pelos dias de bom humor da minha mãe, abraçar minha solidão e levar ela pra ler um livro comigo naquele café, usar o tempo em que me falta coragem pra assistir um filme novo, um seriado, ler um livro...
Um belo dia eu acordei e optei por ver o lado bom das coisas, pensar o bom das pessoas, sorrir sem motivo aparente, agradecer pelo que tenho e esquecer de reclamar pelo que não tenho... e acreditem: Se a amargura que você planta depois volta pra você em dobro...imagina o otimismo, como vai ser quando voltar?
Kamilatavares.
Sobre a breve conversa com Kaydson, e as tardes de leitura no café!
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Café poético.
Queimei a língua, mais uma vez! Vai demorar até eu aprender a beber café com a mesma classe que o meu pai, mas vou tentando! Minhas cordas vocais esquentaram e foi como um alívio que me encheu de vontade de cantar, mas não podia...pelo menos não ali! E naquele café com pouca luz, e flores amarelas na mesa - todas de plástico - tentando ler um livro ao som de Milton Nascimento vi as pessoas me olharem checando o meu vestido, os meus sapatos e se perguntando porque eu estaria ali sozinha!
A solidão intriga os outros...assusta de fato; mas pra mim ela é uma companheira e tanto, pra mim é confortável e tão belo quanto a lua que parecia gigante vista ali através do vidro.
Lembrei daquele amigo escritor e de todas as conversas que se desenrolariam facilmente num ambiente como aquele. Senti saudades! Tentei ligar mas lembrei que não tinha o número dele na agenda e na mesma hora o meu telefone tocou, então de sozinha fui promovida a alguém esperando uma amiga, que apesar de não tomar café, iria dar uma passada pra me ver e colocar os papos em dia.
Aquela é sem dúvida a minha rua preferida da cidade, lá eu não tenho pressa, lá o tempo não passa, lá toda hora é bonita de se olhar. As pessoas correm com seus cachorros, meninos passam de bicicleta, homens de terno pegam seus cafés e eu posso ver o Sol fazendo desenhos na água. O novo museu com seus vidros espelhados reflete as mais diferentes cores; e quando anoitece e começa a esfriar a lua aparece - ali naquela rua - maior do que em qualquer outro ponto da cidade!
Minhas mãos tremiam pelo excesso de café enquanto eu lia o meu livro e sentia as pessoas me olhando, quatro capítulos depois resolvi me dedicar ao Script da peça em que vou atuar - um musical pra ser exata - e dividia meu tempo entre goles, leituras e pausas para olhar a rua. Então ela chegou, e tudo voltou ao normal...deixei de ser a menina sozinha sentada num café, todas as mesas se voltaram para sí. Porque esperar uma amiga é algo trivial, sair sozinha e sem planos não, é curioso, incomum, peculiar, algo digno de mim.
- A conta, por favor!
Kamilatavares.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Dez anos depois...
Diário de Pandora, 02/01/2023
"And then one day you find, ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun" (Time - Pink Floyd)
Eu sei que não ando seguindo as recomendações médicas de escrever tudo que se passa no meu dia, e até acho isso meio ridículo! Nunca tive paciência pra diários quando adolescente, porque teria agora? Mas a médica lá disse que me ajudaria com os problemas de memória, e mesmo desobedecendo as ordens dela de escrever diariamente eu creio que os últimos dias devem ser lembrados em seus mínimos detalhes, assim como eu me lembro de como tudo aconteceu dez exatos anos atrás; por sorte não perdi aquelas memórias, e por ajuda médica pretendo não perder estas. Embora eu ache um exagero, visto que meus lapsos são bobos a meu ver...eu não preciso lembrar o que almocei, ou se almocei uai. Mas como não quero me tornar um Benjamin Evans (sim, o daquele Best Seller, que por coincidência carrega o meu nome na dedicatória, e que eu li antes de todos vocês) é melhor me cuidar desde cedo.
Indo direto ao ponto, dez anos se passaram e aconteceu justamente o que a gente previa (claro que nem tudo acontece como planejado mas...) caso um dia a gente fosse em direções opostas e por acaso houvesse um reencontro...
Eu estava (pra variar) sozinha aqui no meu apartamento (como eu havia previsto dez anos atrás) cuidando do meu cachorro e terminando a limpeza de um dos aquários, e planejava passar o ano novo com uma caixa de cervejas, o Jack Daniels (meu cachorro) e meus mais que preciosos DVD's de Star Wars; então recebi um convite de um amigo, que iria passar o ano novo no sítio de outro amigo, em um churrasco na cidade vizinha, e não queria me "deixar sozinha deprimida passando o ano novo com o meu cachorro" embora eu estivesse muito feliz e animada, pois meus sabres de luz haviam chegado no dia anterior. Mesmo assim, peguei aquele vestido amarelo que eu tinha mandado fazer igual ao da Luna Lovegood (porque ela diz que amarelo dá sorte, e todo ano eu cumpria minhas tradições de fim de ano com um vestido de cor diferente, feito inspirado em algum filme, e uma maratona diferente...ano passado a cor foi vermelho e a maratona foi o Batman), minha caixa de cervejas e fui com ele! E claro...fiz uma playlist pra escutar durante a viagem.
Chegando lá, passei um bom tempo olhando os ipês de todas as cores e o jardim super bem cuidado daquele sítio; na garagem um opala amarelo...olhei pra ele e sorri nostálgica; andei mais um pouco, algumas pessoas estavam em volta da churrasqueira, com suas cervejas e conversas sobre política e economia; do outro lado outras pessoas jogavam poker aos cuidados de suas respectivas esposas que lhes serviam drinks...sorri nostalgica mais uma vez. Então um som familiar veio lá de dentro da casa: PINK FLOYD! Meu Deus não pode ser...tanta familiaridade em um dia só...faz tanto tempo que eu não vivo essas coisas todas! Mas a cidade é diferente, o ano é diferente, os rostos são todos diferentes! Peguei uma cerveja e perguntei ao meu amigo qual daqueles era o anfitrião, e ele me disse que não era nenhum deles...espera...é aquele ali saindo da casa! MEU DEUS, É ELE!
Olhei eles se cumprimentarem e esperei que ele não me reconhecesse, quando Ricardo - o meu amigo - se virou para me apresentar ao anfitrião, dei um passo para a luz e vi seus olhos saltarem de surpresa!
- Não-pode-ser! Bonitona?
Sorri o meu sorriso mais bem sorrido e vi ele dar três passos rápidos pra me abraçar pelo que eu julgo terem sido umas três horas! Ele ainda tem o mesmo cheiro, os cabelos ainda não ficaram grisalhos e - graças ao meu bom Deus - ele continua bem barbeado. E naquele abraço eu vi anos se passarem, e na minha garganta se acumularam todas as coisas que não pude dizer depois que ele foi embora e eu fui também! Coisas bobas, do dia-a-dia...frases de filmes, citações de livros e trechos de músicas, uma nova receita com bacon, a falta que ele fez quando eu chorava de dor toda vez que ia fazer uma nova tatuagem, todas as risadas que eu tive que dar sozinha quando tentava explicar pras pessoas que o amor não tinha uma só cor e elas não entendiam...e ele não estava lá pra rir delas comigo. Eu não tinha grandes coisas a dizer, grandes filosofias sobre "oh meu Deus como nós isso e aquilo e como eu gosto de você e como você fez falta" não... eu lamentava pelos pequenos momentos, pelas idiotices que cada um falava pro outro rir, lamentava por não ter com quem comentar o jogo do Domingo e pegar uma briga de mentirinha... e não tinha com quem reclamar quando acordava no natal e via que o papai noel - mais um ano - me deixou sem o meu boneco do Woody.
Ele mudou um tanto também! Fez outras tatuagens, usa lentes de contato agora...engordou de tanto bacon com cerveja, mas não foi muito...exatamente o tanto que eu achei que ele fosse engordar; e - assim como eu - também mora só! Rodeado de suas árvores amarelas, andando no seu carro amarelo e com a sua prateleira de miniaturas de dinossauros, e o seu cachorro! Dez anos e eu ainda compro sabres de luz, e ele miniaturas de dinossauros. Nunca vamos crescer!! E isso é tão bom...
Ricardo ficou sem entender como poderia ser possível que eu o conhecesse, então nos sentamos e começamos a contar-lhe toda a história, e a cada episódio relembrado mais risadas eram derramadas na mesa e mais curioso por novas histórias o Ricardo ficava.
Contamos da banda e ele não acreditou que um dia eu subi num palco pra cantar Led Zeppelin, e que tinha gravado um EP nunca lançado, já que ele só me via nos palcos atuando, e eu só tocava violão em pequenas reuniões de amigos. Ele riu dos nossos apelidos - bonitão e bonitona - e de como a minha mãe se derretia de amores pelo bonitão...e todas as vezes que a gente bebeu até cair, e a forma com que a cidade inteira olhava pra gente e pensava coisas. Por vezes ele segurava os meus seios em público, só pra despertar curiosidades, eu sentia cócegas e ria, mandava ele parar mas achava tão engraçado quanto ele, e fazia piadas infames...e todo mundo pensava que a gente fazia loucuras na cama! E a gente realmente fazia...a loucura de deitar do lado do seu melhor amigo e esperar o sono chegar, sem preocupação nenhuma...quer loucura maior que essa? Existe loucura maior que entregar sua dedicação a um amigo de verdade? Fizemos loucuras sim! Cometi a loucura de chorar na frente dele...por tantas vezes! Loucuras no sofá, assistindo filmes com muita pipoca e cerveja, a loucura de deixar de prestar atenção no Poderoso Chefão pra fazer uma massagem nele...a loucura de brigar, parar de se falar, voltar a se falar...loucuras mil!
E começamos a lembrar da convivência...das viagens...de quando os pais dele viajavam e eu ia dormir lá só pra fazer o jantar dele, senão ele comia qualquer congelado daqueles que você coloca cinco minutos no microondas e tá pronto! Então a gente jantava, eu fazia os famosos cookies, a gente tocava violão, assistia vídeos engraçados, eu fazia massagem nele, tomava um banho, me arrumava, escolhia uma roupa bem bonita pra ele vestir e sair por aí comigo pra tomar cerveja e conversar com os amigos, na volta a gente apagava de bêbado, de sono, de cansaço...eu acordava...preparava o café...conversava e depois ia pra minha casa...pra depois voltar outra vez. E falei de como ele perdeu a paciência tentando me ensinar a jogar poker, e da briga que a gente teve quando eu tentei dirigir o carro dele. E as brigas...meu Deus como a gente brigava por nada, e ele ficava todo estranho por uns tempos...e eu toda distante...depois cada um que não aguentasse mais e fosse falar com o outro pedindo desculpas.
E os domingos tocando violão na grama do parque, com todas aquelas comidas...era o único jeito de me fazer acordar de sete da manhã aos domingos...e mil outras coisas foram lembradas...até chegar a hora da contagem regressiva.
10 - 9 - 8 - 7 - 6 - 5 - 4 - 3 - 2 - 1 - FELIZ ANO NOVO!!!
Abracei algumas pessoas, olhei os fogos, escutei mais uma porrada de músicas e cada um por sua vez foi deixando a festa, até não sobrar ninguém exceto eu, ele e Ricardo, que estava apagado no sofá! Ele me olhou daquele jeito de sempre...eu já sabia o que fazer! Fui na cozinha e comecei a separar as coisas enquanto ele recolhia umas garrafas que estavam espalhadas, sempre muito bem organizado! Então o cheiro de chocolate fez ele correr pra cozinha. Depois de comer os cookies eu fui na varanda e encontrei uma rede, vermelha desta vez, minha cor preferida! Me deitei e ele se juntou a mim...fiquei ali abraçada com ele e dessa vez a conversa foi em silêncio, como a gente costumava fazer...eu esperei ele falar...ele sempre é o primeiro...eu já sabia a frase...então ele falou: "Diz mais aí, fia!"
Pois é...o relógio corre, as folhas caem do calendário, as pessoas se mudam, conseguem empregos, maridos, esposas, animais de estimação...os cabelos brancos aparecem, as rugas, as novas preocupações...mas pra certas coisas, aquelas pequenas coisas, tão pequenas e tão de verdade, tão invisíveis mas tão palpáveis, tão frágeis mas tão imutáveis que se tornam fortes...pra essas coisas...o tempo não passa. E naquela hora eu tive certeza, naquela hora eu soube de tudo. Uma vez eu li num livro...e já é uma citação tão antiga...tão batida...tão clichê...mas não poderia caber mais... é fato que "tu te tornas eternamente responsavel por aquilo que cativas" e eu me senti eternamente responsável pelo meu pequeno príncipe.
Então ele elogiou a cor do meu vestido, a tatuagem do meu braço - que havia sido ideia dele - e finalmente dormiu...sorrindo.
Kamilatavares.
Indo direto ao ponto, dez anos se passaram e aconteceu justamente o que a gente previa (claro que nem tudo acontece como planejado mas...) caso um dia a gente fosse em direções opostas e por acaso houvesse um reencontro...
Eu estava (pra variar) sozinha aqui no meu apartamento (como eu havia previsto dez anos atrás) cuidando do meu cachorro e terminando a limpeza de um dos aquários, e planejava passar o ano novo com uma caixa de cervejas, o Jack Daniels (meu cachorro) e meus mais que preciosos DVD's de Star Wars; então recebi um convite de um amigo, que iria passar o ano novo no sítio de outro amigo, em um churrasco na cidade vizinha, e não queria me "deixar sozinha deprimida passando o ano novo com o meu cachorro" embora eu estivesse muito feliz e animada, pois meus sabres de luz haviam chegado no dia anterior. Mesmo assim, peguei aquele vestido amarelo que eu tinha mandado fazer igual ao da Luna Lovegood (porque ela diz que amarelo dá sorte, e todo ano eu cumpria minhas tradições de fim de ano com um vestido de cor diferente, feito inspirado em algum filme, e uma maratona diferente...ano passado a cor foi vermelho e a maratona foi o Batman), minha caixa de cervejas e fui com ele! E claro...fiz uma playlist pra escutar durante a viagem.
Chegando lá, passei um bom tempo olhando os ipês de todas as cores e o jardim super bem cuidado daquele sítio; na garagem um opala amarelo...olhei pra ele e sorri nostálgica; andei mais um pouco, algumas pessoas estavam em volta da churrasqueira, com suas cervejas e conversas sobre política e economia; do outro lado outras pessoas jogavam poker aos cuidados de suas respectivas esposas que lhes serviam drinks...sorri nostalgica mais uma vez. Então um som familiar veio lá de dentro da casa: PINK FLOYD! Meu Deus não pode ser...tanta familiaridade em um dia só...faz tanto tempo que eu não vivo essas coisas todas! Mas a cidade é diferente, o ano é diferente, os rostos são todos diferentes! Peguei uma cerveja e perguntei ao meu amigo qual daqueles era o anfitrião, e ele me disse que não era nenhum deles...espera...é aquele ali saindo da casa! MEU DEUS, É ELE!
Olhei eles se cumprimentarem e esperei que ele não me reconhecesse, quando Ricardo - o meu amigo - se virou para me apresentar ao anfitrião, dei um passo para a luz e vi seus olhos saltarem de surpresa!
- Não-pode-ser! Bonitona?
Sorri o meu sorriso mais bem sorrido e vi ele dar três passos rápidos pra me abraçar pelo que eu julgo terem sido umas três horas! Ele ainda tem o mesmo cheiro, os cabelos ainda não ficaram grisalhos e - graças ao meu bom Deus - ele continua bem barbeado. E naquele abraço eu vi anos se passarem, e na minha garganta se acumularam todas as coisas que não pude dizer depois que ele foi embora e eu fui também! Coisas bobas, do dia-a-dia...frases de filmes, citações de livros e trechos de músicas, uma nova receita com bacon, a falta que ele fez quando eu chorava de dor toda vez que ia fazer uma nova tatuagem, todas as risadas que eu tive que dar sozinha quando tentava explicar pras pessoas que o amor não tinha uma só cor e elas não entendiam...e ele não estava lá pra rir delas comigo. Eu não tinha grandes coisas a dizer, grandes filosofias sobre "oh meu Deus como nós isso e aquilo e como eu gosto de você e como você fez falta" não... eu lamentava pelos pequenos momentos, pelas idiotices que cada um falava pro outro rir, lamentava por não ter com quem comentar o jogo do Domingo e pegar uma briga de mentirinha... e não tinha com quem reclamar quando acordava no natal e via que o papai noel - mais um ano - me deixou sem o meu boneco do Woody.
Ele mudou um tanto também! Fez outras tatuagens, usa lentes de contato agora...engordou de tanto bacon com cerveja, mas não foi muito...exatamente o tanto que eu achei que ele fosse engordar; e - assim como eu - também mora só! Rodeado de suas árvores amarelas, andando no seu carro amarelo e com a sua prateleira de miniaturas de dinossauros, e o seu cachorro! Dez anos e eu ainda compro sabres de luz, e ele miniaturas de dinossauros. Nunca vamos crescer!! E isso é tão bom...
Ricardo ficou sem entender como poderia ser possível que eu o conhecesse, então nos sentamos e começamos a contar-lhe toda a história, e a cada episódio relembrado mais risadas eram derramadas na mesa e mais curioso por novas histórias o Ricardo ficava.
Contamos da banda e ele não acreditou que um dia eu subi num palco pra cantar Led Zeppelin, e que tinha gravado um EP nunca lançado, já que ele só me via nos palcos atuando, e eu só tocava violão em pequenas reuniões de amigos. Ele riu dos nossos apelidos - bonitão e bonitona - e de como a minha mãe se derretia de amores pelo bonitão...e todas as vezes que a gente bebeu até cair, e a forma com que a cidade inteira olhava pra gente e pensava coisas. Por vezes ele segurava os meus seios em público, só pra despertar curiosidades, eu sentia cócegas e ria, mandava ele parar mas achava tão engraçado quanto ele, e fazia piadas infames...e todo mundo pensava que a gente fazia loucuras na cama! E a gente realmente fazia...a loucura de deitar do lado do seu melhor amigo e esperar o sono chegar, sem preocupação nenhuma...quer loucura maior que essa? Existe loucura maior que entregar sua dedicação a um amigo de verdade? Fizemos loucuras sim! Cometi a loucura de chorar na frente dele...por tantas vezes! Loucuras no sofá, assistindo filmes com muita pipoca e cerveja, a loucura de deixar de prestar atenção no Poderoso Chefão pra fazer uma massagem nele...a loucura de brigar, parar de se falar, voltar a se falar...loucuras mil!
E começamos a lembrar da convivência...das viagens...de quando os pais dele viajavam e eu ia dormir lá só pra fazer o jantar dele, senão ele comia qualquer congelado daqueles que você coloca cinco minutos no microondas e tá pronto! Então a gente jantava, eu fazia os famosos cookies, a gente tocava violão, assistia vídeos engraçados, eu fazia massagem nele, tomava um banho, me arrumava, escolhia uma roupa bem bonita pra ele vestir e sair por aí comigo pra tomar cerveja e conversar com os amigos, na volta a gente apagava de bêbado, de sono, de cansaço...eu acordava...preparava o café...conversava e depois ia pra minha casa...pra depois voltar outra vez. E falei de como ele perdeu a paciência tentando me ensinar a jogar poker, e da briga que a gente teve quando eu tentei dirigir o carro dele. E as brigas...meu Deus como a gente brigava por nada, e ele ficava todo estranho por uns tempos...e eu toda distante...depois cada um que não aguentasse mais e fosse falar com o outro pedindo desculpas.
E os domingos tocando violão na grama do parque, com todas aquelas comidas...era o único jeito de me fazer acordar de sete da manhã aos domingos...e mil outras coisas foram lembradas...até chegar a hora da contagem regressiva.
10 - 9 - 8 - 7 - 6 - 5 - 4 - 3 - 2 - 1 - FELIZ ANO NOVO!!!
Abracei algumas pessoas, olhei os fogos, escutei mais uma porrada de músicas e cada um por sua vez foi deixando a festa, até não sobrar ninguém exceto eu, ele e Ricardo, que estava apagado no sofá! Ele me olhou daquele jeito de sempre...eu já sabia o que fazer! Fui na cozinha e comecei a separar as coisas enquanto ele recolhia umas garrafas que estavam espalhadas, sempre muito bem organizado! Então o cheiro de chocolate fez ele correr pra cozinha. Depois de comer os cookies eu fui na varanda e encontrei uma rede, vermelha desta vez, minha cor preferida! Me deitei e ele se juntou a mim...fiquei ali abraçada com ele e dessa vez a conversa foi em silêncio, como a gente costumava fazer...eu esperei ele falar...ele sempre é o primeiro...eu já sabia a frase...então ele falou: "Diz mais aí, fia!"
Pois é...o relógio corre, as folhas caem do calendário, as pessoas se mudam, conseguem empregos, maridos, esposas, animais de estimação...os cabelos brancos aparecem, as rugas, as novas preocupações...mas pra certas coisas, aquelas pequenas coisas, tão pequenas e tão de verdade, tão invisíveis mas tão palpáveis, tão frágeis mas tão imutáveis que se tornam fortes...pra essas coisas...o tempo não passa. E naquela hora eu tive certeza, naquela hora eu soube de tudo. Uma vez eu li num livro...e já é uma citação tão antiga...tão batida...tão clichê...mas não poderia caber mais... é fato que "tu te tornas eternamente responsavel por aquilo que cativas" e eu me senti eternamente responsável pelo meu pequeno príncipe.
Então ele elogiou a cor do meu vestido, a tatuagem do meu braço - que havia sido ideia dele - e finalmente dormiu...sorrindo.
Kamilatavares.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
The dream
- you're not the boy who doesn't love...you're the boy who love too much and that's why you can't support a half-love, that's why you can't live with something incomplete. And in a world full of incomplete people...well...you end up feeling like this.
- Take it all, or nothing...you're right... but how do you know that?
- I'm just like you.
- Yeah, and i know you try to hide this.
- Like crazy, but it doesn't matter here...this is only a dream!
- What? How can you be so sure?
- 'Cause you're crying, and i'm not!
Kamilatavares.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
The end of the movie
Passion burns, and hurt you...but love keeps you warm and safe. That's why passion is red like fire...and love? Well...love is yellow like the sun in the morning.
I used to yellow you...in fact i still do. But i'm going, i'll dissapear. My love for you will keep you warm and hope you don't miss me while i'm trying to get burned...but you will...
Kamilatavares.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O que eu não quero
Eu não quero alguém estupidamente lindo, ou que me ache estupidamente linda...eu quero alguém que cozinhe fazendo dancinhas estúpidas comigo e use as colheres de baquetas.
Eu não quero alguém que tenha todo o dinheiro do mundo pra me impressionar...eu quero alguém que me impressione com aquela frase que ele decorou do filme e que se encaixe perfeitamente com o que a gente acabou de passar.
Eu não preciso de alguém me esperando na porta de casa com um carro do ano...eu preciso de alguém que me espere na porta com a disposição de sair comigo seja lá pra onde for...seja lá como for! Mas que queira ir comigo!
Eu não quero alguém que saiba tudo sobre o Tarantino ou o Almodóvar...eu quero alguém que assista os filmes... comente a fotografia das cenas, e escute as trilhas sonoras...e que procure objetos de decoração vermelhos e amarelos parecidos com os das cenas que a gente viu.
Eu não quero alguém que saiba contar todas as histórias e me faça rir de todas as piadas...eu quero alguém que tenha piadas internas comigo!
Eu não preciso de alguém que adore festa Black Tie com gravatas e saltos...eu preciso de alguém que ame festa do pijama e fantasias...que passe meses planejando aquela fantasia que combine com a minha, que me deixe pintar seus cabelos com spray e fazer a maquiagem que for, e entre no supermercado comigo vestido de Joker enquanto eu compro uma bebida vestida de Amy Winehouse.
Eu não quero alguém que me dê rosas...quero alguém que as plante comigo!
Eu não quero alguém que me dedique músicas...quero alguém que as cante comigo!
Eu não quero alguém que dê a vida por mim...quero alguém que a viva comigo!
Eu não quero alguém pra me fazer feliz...quero alguém que seja feliz comigo!
Kamilatavares
sábado, 1 de dezembro de 2012
O pássaro vermelho.
Cansado de bater as asas sem rumo...aquele pássaro vermelho tão pequeno viu que a liberdade era muito grande pra ele. Lutou pra aprender a voar como os grandes, sentir os ventos e o calor do Sol em suas penas tão vermelhas de vida, e agora estava ali...cansado de tanto ser livre...procurando um lugar perto de um lago onde as árvores derramem suas folhas na água...onde tudo seja um eterno fim de tarde.
Quando finalmente encontrou o lago tão procurado para o seu descanso, se deparou com uma gaiola dourada...pendurada na maior de todas as árvores ao redor. Meu Deus...só podia ser um presente para as suas asas tão sofridas...aquela gaiola dourada, imponente e solitária esperando ser habitada por ele.
E se sentiu tão feliz...o pássaro e sua gaiola. Nela o pássaro vermelho tinha tudo o que precisava...e embora sofrida e amassada...cheia de marcas, a gaiola ainda refletia um dourado de beleza inigualável. Não era impecável...era defeituosa, como o pássaro queria depois de tanto procurar pela perfeição da liberdade sem conseguir encontrar.
Mas uma gaiola, por mais bonita que seja, não completa a vida de um pássaro! Ele precisava de outros pássaros pra ser completo. Mas era tão feliz em sua gaiola que o conforto o impediu de voar...e lá ele se trancou, olhando os outros pássaros rumarem para o sul enquanto ele se consolava por ter a sua gaiola, e não precisar de mais nada.
Então a comida acabou...e o pássaro chorou por ter que sair da gaiola pra ir procurar mais. Quase desistiu...tinha medo de voltar e ela não estar lá! Ele era o único que sabia que a gaiola precisava tanto dele, quanto ele da gaiola. Pois sem o pássaro ela era apenas um belo espaço vazio, e com tal justificativa interna o pássaro vermelho se consolava dos discursos de que ele era o único que precisava da gaiola...e saiu para buscar comida...pensou em não voltar...lembrava da gaiola vazia...e voltava.
Cuidava da gaiola como se fosse o lugar mais precioso do mundo...e sempre que saia tomava o cuidado de não voar muito longe...mas um dia o pássaro se sentiu sozinho...se olhou através do espelho d'água do lago...suas penas nem eram mais tão vermelhas assim...estava enfraquecido por não voar mais...precisava tomar uma decisão!
Cantou com tristeza naquela tarde...a gaiola se contorcia em reprovação...mas o pássaro precisava voar. E todo dia ele sai da gaiola e voa um pouquinho mais longe...mesmo com aperto no coração...e quando não aguenta mais ele volta. O beija-flor disse que ele não aguentaria viver fora da gaiola...um verdadeiro acomodado; a águia o aconselhou a ir embora e não voltar nunca mais...que ele conseguiria; e um pássaro azul desconhecido, estranhamente parecido com ele, disse que o pássaro vermelho podia ir...que voasse atrás da liberdade que ele esqueceu, porque a gaiola sempre esteve ali pra ele...e sempre vai estar.
Kamilatavares
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Peço que levem tudo
levem as sujeiras, as impurezas, as poluições
levem os restos de cigarros e garrafas vazias
os guardanapos com marcas de batom e números de telefone
levem as cartas amassadas dos ex namorados
e os lenços molhados de lágrimas esquecidos nos velórios
levem as amarguras, as denventuras, desilusões
levem as chaves perdidas e cadeados fechados
levem a aliança da separação esquecida no chão
os comprovantes do consumo, as confissões dos pecados mais inconfessáveis
levem os boletins cheios de notas vermelhas, os jornais cheios de notícias passadas
levem as cinzas das fotografias queimadas...
e por fim levem os espinhos.
Só peço que me deixem, e deixem...
as pétalas das rosas vermelhas e os sorrisos derramados dos ipês amarelos
porque eu preciso pintar os meus pés...antes de ir!
Kamilatavares.
domingo, 25 de novembro de 2012
O tempo, o mundo, as voltas.
Eu não lembrei do aniversário dele! Meu Deus...só hoje eu me dei conta, parece que foi ontem e já passou tanto tempo. Nem sei se ele ainda mora aqui na minha rua, não fiz mais nenhuma visita, não perguntei nada sobre como andava a vida dele pra ninguém, nem pra mim mesma.
O mundo dá voltas...pois é! Quem diria que hoje eu ia me lembrar que depois de tanto que passou ele virou só uma sombra?! Um emaranhado de algumas lembranças que eu preciso ter pra não cometer o mesmo erro outra vez, e outras que eu guardo de alguns dias bons, do meu costume que ir ao parque e daquelas rodas de violão. Tão complicada e tão simples a vida era naquele tempo. Tudo se resolvia entre duas ou três pessoas...não tinha uma porrada de gente achando que sabe de tudo.
E lembrei daquele dia no açude...eu voltei lá esses dias sabe?! Mas dessa vez não chovia...a situação era totalmente diferente e ao mesmo tempo era quase a mesma...como se parte de mim tivesse ficado lá esperando, e outra parte tivesse iso embora atrás de coisa melhor...de viver!
Aos domingos eu matava a saudade, e na segunda a gente mal se falava...trocava um abraço amigável, sentava pra fumar um cigarro...tocar violão! Mas ninguém podia saber! Porque? Até hoje eu não entendo! Ele olhava pra mim e sussurrava "saudade de você" quando via todo mundo distraido ao redor...pra ninguém escutar, e eu respondia "eu também!"...foi quando eu comecei a aprender a falar menos, e mais baixo!
Era tão difícil convencer ele a ir comigo...eu planejava tantas coisas e não podia nem me dar ao luxo de desfrutar de um abraço em público. Porque? Até hoje eu não entendo! Talvez eu fosse muito infantil...talvez eu ainda seja! E hoje eu nem sei por onde ele anda. Me disseram que ele passou no corredor da faculdade olhando pra mim...andando devagar esperando que eu notasse...mas eu estava distraída, juro que não vi! Queria ter visto como ele estava...se havia cortado o cabelo! Eu vivia em luta com o corte de cabelo dele...
Ah ... ao mesmo tempo eu era tão teimosa...arredia...volátil. Um passo infalso e eu fazia alguma rebeldia só pra mostrar que eu mandava em mim. Quem me vê hoje...meu Deus...tão obediente! As voltas...o mundo dá voltas. Ele dizia "use branco"...e eu usava preto! Ele dizia "Deixe o cabelo crescer", eu ia lá e cortava! Porque? Até hoje eu não sei dizer!
Tantas músicas...tantas músicas que eram só nossas músicas e de mais ninguém! E hoje eu escuto como qualquer outra música que goste. As cicatrizes foram leves...ainda bem! Acho que no fim de tudo me tornei forte! Ele me ensinou muito!
Será que vai ser assim com você também? Vou te deixar cair no meu esquecimento depois de tudo? Depois de me machucar bem muito? Juro que fiz tudo diferente do que eu fazia antes...e continua dando tudo errado! Continua tudo uma bagunça! Porque? Até hoje eu não sei dizer! O jeito é esperar...quando eu cair no esquecimento outra vez talvez eu saiba responder...ou acabe esquecendo da pergunta!
Kamilatavares.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
A Kombi.
O que eu quero da vida? Uma Kombi vermelha, um GPS, grana pra abastecer, alguns CDs legais pra ir escutando pelo caminho e uma câmera pra registrar tudo.
Não me leve a mal meu amor, mas você não pode ir comigo! É, eu sei...eu não poderia fazer essa viagem ser tão fantástica, tão incrível e tão especial sem você! Mas eu preciso tentar sabe porque?! Porque se você vier comigo, vai acabar pintando a minha kombi...quem sabe de preto, azul ou amarelo...vai jogar fora os meus CDs e colocar os seus e tomar as minhas chaves e o meu volante. Se você vier comigo a viagem que eu planejei vai ser sua e não minha! Se você vier comigo vão dizer que eu, menina boba que sou, não aguentei a solidão e te acompanhei. Se você vier comigo eu não vou ter voz e nem vez.
Claro que eu planejei esses caminhos todos pra explorar com você, mas eu preciso tomar as rédeas da minha vida, preciso aprender a andar sozinha...se você ao menos me deixasse tentar!
Eu vou ficar...vou criar raízes até você pensar que eu não saio mais daqui; vou pintar a minha kombi de vermelho...separar todas as malas, todos os roteiros, tudo muito escondidinho. É, eu sei, vou mentir pra você! Me perdoe. Mas um dia você vai acordar e eu já vou ter ido embora, assim sem mais nem menos, sem bilhetes de despedida, mas deixo o seu café pronto, eu prometo! Vou trocar a água do vaso, alimentar os peixes no aquário e deixar a minha escova de dentes preferida pra você ficar pensando na possibilidade de um dia eu voltar.
Vai doer mais em mim do que em você, disso todo mundo já sabe! Eu sempre te amei mais do que você me amou...e mesmo assim sou eu quem vou! Mas te levo em cada raio de Sol amarelo que possa refletir o vermelho dos meus cabelos em diferentes lugares; te levo em cada foto que eu tirar, em cada pessoa que eu conhecer, em cada coisa diferente que eu venha a conhecer. E vou sentir sua falta quando o meu Pneu furar, quando o guarda quiser me multar, quando eu fizer comida pra dois e não tiver com quem dividir, quando o frio bater de madrugada, quando eu me embebedar e não ter você ali me carregando pra casa, quando a preguiça me bater e eu não encontrar nenhuma camiseta sua pra vestir, quando eu quiser cortar os meus cabelos, quando aquele filme me fizer chorar, quando a gasolina acabar, quando alguém me pedir uma massagem, quando eu conseguir arrotar bem alto...quando eu não tiver com quem brigar!
Quando eu finalmente voltar, talvez nem te conte todas as novidades e você nem note as minhas tatuagens novas, mas vai ser bom! Talvez eu encontre outro alguém pra me estragar...talvez aconteça tanta coisa...inclusive nada!
Mas minha vida é talvez...e assim vai ser até o dia da grande viagem chegar!
Kamilatavares
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Memórias do começo de tudo.
Naquele dia usei aquele short Jeans folgado com uma meia calça, uma camiseta e o meu velho All Star...na época era o máximo que eu poderia dar de uma versão minha "arrumada"; pelo menos os meus cabelos estavam soltos, e eu usei um pouco de maquiagem, sem batom é claro, eu odiava batom desde que o primeiro menino que eu gostei na vida disse que era horrível beijar e ficar sujo de batom. Acho que eu tinha 14 anos, e desde aquele dia eu evitava batons com todas as minhas forças.
Ele estava de chinelo, bermuda e uma camiseta branca...e aquele sorriso, aquela tranquilidade e aquela educação quase que formal demais pra situação. Um cavalheiro de bermudas, abrindo a porta do carro pra mim. Ainda lembro de certas coisas que ele fazia pra me impressionar. Colocou a minha música preferida daquela banda pra tocar no carro, e disse que era a música preferida dele também. Imagina só, dentre tantas músicas...e aquela nem era a mais famosa!
Me contou aquelas histórias que hoje eu sei de cor, me provou que eu estava errada sobre ele, olhou curioso quando aquele cara me ligou e eu atendi toda nervosa, me fez rir, me mostrou seus DVD's, sua estante de livros e todas as coisas que guardava em prateleiras.
No começo eu confesso, ele foi pretexto pra que eu pudesse esquecer de outras coisas, e olha só o que me aconteceu! Agora quem me faz esquecer dele?
Hoje em dia me vejo muito diferente de quem eu fui naquele dia, com os pés doendo desse salto, as pernas frias onde o vestido não cobre, tirando o esmalte das unhas de nervosismo, procurando batons dentro da bolsa, eu nem usava bolsa! Ia colocando tudo por dentro dos bolsos mesmo, perdendo meus celulares por ai! Hoje eu converso com as pessoas olhando para os lados esperando ele chegar...e quando estou com ele, esqueço de olhar pros lados procurando alguém que me tire dalí, eu sei que não posso ficar...mas fico.
Hoje em dia eu ando muito mais calada, mais sumida, mais distraída...assistindo mais filmes, me prendendo mais nesse mundo meu cheio de coisas. E fico alegre até quase explodir...e fico triste até quase morrer...e fico paranóica com medo de tudo...com medo de mim...
Há quem diga que eu cresci, emagrecí, amadurecí...há quem diga que eu sou a mesma, sofrendo por um personagem diferente, usando roupas diferentes...mas presa na mesma história disfarçada com outro cenário...há quem diga que eu vou ser sempre assim e há quem diga que um dia eu saio dessa! Vou prestando atenção, enquanto perco a memória pra tantas coisas importantes, e vou gastando o pouco que tenho dela lembrando de banalidades como estas.
Me disseram que no futuro, depois de passar por mais um bocado de sofrimento, a gente vai acabar casando (me disseram isso algumas vezes antes, nunca acredito), mas quando os quatro anos juntos se passarem, e eu for repetir a cena de "Closer" fazendo joguinhos de perguntas sobre a nossa relação, não importa o quão difíceis as perguntas dele sejam, eu vou acertar todas! E se tudo der errado, outro menino de bermuda e camiseta vai aparecer, com outro sorriso bonito, pra me fazer esquecer de tudo (ou quase tudo) isso.
Kamilatavares.
domingo, 18 de novembro de 2012
As flores.
Plantei aquele Dente-de-leão pra me lembrar dos conceitos e princípios que eu aprendi com o passar dos meus poucos anos de vida, é tão bonita a dança que eles fazem todos juntos do meu jardim, com seus pequenos pedacinhos brancos e amarelos voando pela rua...sabe-se lá onde eles vão parar. É disso que eu tento me lembrar toda manhã...somos pequenos pedacinhos de um Dente-de-leão, voando por ai sem rumo...sem direção..."sem lenço, sem documento num Sol de quase dezembro"...
Nascemos todos juntos, unidos ao mesmo núcleo protetor...e com o tempo cada um vai se soltando...voando pra longe, pra se encontrar com fragmentos de outros Dentes-de-leão, ou quem sabe orquídeas, violetas, margaridas, girassóis...
Os vasinhos de violeta que eu coloquei na janela morreram todos, não suportaram a chuva lá fora, nem meus lamentos aqui dentro. Tentei prendê-las, tentei prender-te, tentei prender-me...então as folhas secaram e elas morreram sem nunca saber o que era estar fora daquele pequeno vaso.
Quando eu deixei você ir plantei meus Dentes-de-leão por todo o jardim, e adivinha? Eles se adaptam a qualquer clima! Então todo dia eu preparo o meu café e me sento no jardim, pra olhar minhas flores dançarem ao vento...indo embora um pouquinho a cada dia, mas nunca me deixando completamente. Liberdade! Acho que é isso...e eu as amo...minhas pequenas flores. E elas espalham meu amor pelos ventos o ano inteiro...me trazendo beija-flores em recompensa.
kamilatavares.
sábado, 10 de novembro de 2012
O vaso
Nunca consegui explicar minha razão por ter ficado sempre, por ter perdoado sempre, por não ter dado ouvidos aos amigos, ter abandonado os psicólogos, largado os remédios... mas hoje eu sei.
Peguei o espaço vazio em mim, aquele que me perturbava desde pequena, pra carregar um pedaço do coração dele, que é tão pesado que não dava pra ele levar sozinho...é...eu sei...ninguém entende porque hoje em dia tudo é troca, tudo é interesse, tudo tem uma ida e uma volta...e eu não ganho absolutamente nada com isso aos olhos alheios. Pra quem vê de fora eu só perco! Talvez seja verdade, mas tem um nó na minha garganta que não me deixa pensar em mais nada além do quão grande o amor pode ser, e como ele pode se manifestar de diferentes formas.
Você daria o seu coração pra outra pessoa carregar por você? Entregaria um pedaço da sua vida de olhos fechados sem a mínima dívuda de estar fazendo a coisa certa? Confiaria em alguém pra cuidar do seu bem mais precioso? E se não fosse bem cuidado? Consegue perceber a impotência que isso causa?
É muita responsabilidade, carregar duas vidas assim tão complicadas juntas, como se enfiassem um pedaço de outra alma dentro da minha...é pesado. Passei a noite agonizando, talvez fosse uma cirurgia invisível. Abafei meus gritos, derramei meu choro até precisar de um novo travesseiro, me enrolei em todos os lençóis pra me livrar do frio...mas acordei viva!
De agora em diante preciso ser duas vezes forte...não cabe mais raiva em mim, não pode! Me livrei de tudo quanto era coisa ruim e negativa só pra caber o amor dele, vou ter que cuidar de mim pra não deixar morrer o amor dele...vou virar amor também, pra inspirar o amor dele e esquentar meu coração, pra não esfriar o amor dele.
Sou tão pequena pra tanta coisa...mas quero fazer o certo mais uma vez! Minha mãe uma vez disse que todo mundo tinha uma missão no mundo...cresci sabendo que certos tipos de amor não foram feitos pra mim...mas talvez seja por isso...talvez eu seja feita pra guardar isso...e livrar um pouco do peso do outro! Se eu não for? Bem...pelo menos um dia eu vou poder dizer que já fui um vasinho de amor!
Kamilatavares.
sábado, 3 de novembro de 2012
"Um café, por favor!"
Atravessei a cidade numa tarde estranhamente fria, pensei milhões de coisas enquanto o ônibus dava voltas pela cidade barulhenta, e até tirei fotos de umas flores que vi nascer num canteiro de concreto.
Decidi fazer algo de novo, dentro das poucas possibilidades daqui, mas usualmente quando eu saio só alguma coisa de legal acontece, não sei se é porque nunca tenho expectativas, ou se é porque sair só seja algo realmente lucrativo.
Por já ter ido em quase todos os lugares daqui, decidi parar em um café naqela rua escondida do outro lado da cidade, quase nunca passo por ali, seria algo interessante.
Quem me conhece sabe que eu não bebo café. Meu pai toma tantas xícaras por dia que eu meio que abusei por osmose, e o gosto nunca me atraiu, embora seja uma bebida tão amada por todos. Então me desafiei a tomar um café...o lugar era charmoso e agradável, então peguei o cardápio e sem me preocupar muito pedi o café com o nome mais complicado possível, pra nem correr o risco de saber o que tinha ali, nada poderia ser pior que o próprio café.
Acho que é isso que as pessoas solitárias fazem...se sentam em cafés no fim da tarde com seus fones de ouvido e livros, buscando alguma paz quem sabe...então lembrei que tinha um livro na bolsa, ainda estava na metade da leitura.
Nessas horas a gente espera aquela cena de filme, onde alguém te interrompe pra comentar o quão bom aquele livro é, perguntar o que você está ouvindo, trocar comentários sobre o tempo, os filmes, as bandas...e no final ela é o grande amor da sua vida, bem ali, vestindo jeans e camiseta e te sorrindo um sorriso tímido.
O café era estranhamente cremoso, acho que tinha caramelo também...esperei uns 10 minutos pra terminar de tomar porque o primeiro gole quase queimou a minha língua. Olhei a mesa do outro lado e um grupo de 4 meninas tiravam fotos dos seus respectivos cafés. Engraçado a necessidade que a gente tem de que todos saibam até o que nós bebemos. E mais engraçado ainda o paradoxo de como essas mesmas pessoas odeam que outros se metam em suas vidas, que já são tão expostas por eles mesmos...e fiquei ali pensando antes de voltar pra minha leitura.
Pedi uma torta de limão, uma das minhas preferidas...o café nem era tão ruim assim, mas queria tirar o gosto e limão era o candidato perfeito pra isso...alguma música do Pink Floyd começou a tocar...um conhecido entrou no café, pediu alguma coisa e foi embora...não dei muito espaço pra conversa além do "boa tarde, tudo bem?"...e fora isso absolutamente nada aconteceu, exceto por um menino que não parava de olhar a capa do meu livro, mas não teve coragem de interromper a minha concentração, e eu acho que também não permiti que ele se sentisse confortavel para tal.
Talvez a vida seja uma tarde em um café, sem emoção. Ou talvez eu seja só uma observadora esperando virar um personagem com alguma visibilidade. Só sei que eu vou voltar pra experimentar os outros cafés, e só depois disso eu vou dizer se é realmente tão ruim assim...talvez eu até goste de algum café do cardápio e deixe o menino me interromper e perguntar alguma coisa sobre aquele livro. E eu conte pra ele o meu estranho habito de sentar cafés só pela torta de limão.
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