sábado, 13 de abril de 2013

Dos contos do verão inexistente.


O Sol andava escaldante nos últimos dias, me lembro que usava um vestidinho solto, havaianas brancas, um chapéu e um copão de suco de cajá na mão, na bolsa sacolas cheias de verduras e frutas, e o meu pão integral. O Toquinho nos meus fones de ouvido não me deixava sucumbir ao mal humor que aquele calor todo poderia me trazer, era um dia bonito, e o mar estava incrivelmente encantador hoje. Nunca fui muito de mar, praia e Sol...mas a passagem pra Londres já comprada e guardada na minha mesa de cabeceira me fez querer aproveitar o máximo de Sol que eu poderia.
Peguei as chaves, olhei a foto no chaveiro...nossa primeira foto! Subi as escadas - o elevador quebrou na semana passada - e abri a porta. O narguille na mesa de centro junto com os joysticks do super nintendo, duas garrafas de cerveja vazias...o cinzeiro sujo, a rede armada balançava sozinha lá da varanda ... ele não arrumou a casa! Mas o almoço de domingo já cheirava bem e a vizinhança inteira escutava Los Hermanos por tabela de tão alto que ele ligou o som, e ainda cantava! Você precisa ver as dancinhas que ele faz enquanto cozinha, canta, me puxa pra dançar...tudo ao mesmo tempo!
Pensei que ele não tinha me ouvido entrar, devido ao barulho ensurdecedor "E ATÉ QUEM ME VÊ LENDO O JORNAAAAAAL UUUUUUUUUH NA FILA DO PÃO...BOM DIA AMOR! TROUXE AS BATATAS QUE EU PEDI?" e eu gritei de volta "DO NOSSO AMOR A GENTE É QUEM SABE PEQUENAAAAAA...BOM DIA AMOR! TROUXE SIM! ESTÃO AQUI...AVENTAL BONITO!!"
Ele finalmente diminuiu o volume do som e veio me dar um beijo
-Obrigada...esse é novo! Minha mulher quem pintou! Muito talentosa!! Te apresento qualquer dia!
- Pois é...ouvi dizer que ela passou a madrugada inteira pintando...Batman né?!
- É sim!
- Bacana...eu tenho um do Iron Man!
- Coloca ele pra eu ver vai!
- Só se você acertar o ponto do molho dessa vez!
- Sacanagem hein?! Quem cozinha os molhos aqui é você!
- Ok...então arrume aquela bagunça na sala que eu faço!
- Combinado!
Fui terminar o almoço, pus a mesa e ele deu uma arrumada na sala e ficou de preguiça jogando Sonic. Sim, trocamos videogames no último natal! Eu ganhei o Super Nintendo e dei pra ele o Megadrive.
- Vem almoçar criatura!
- Pera molier, deixa eu jogar mais um pouquinho!
- Eu deixo, mas ai não vai comer mousse de maracujá!
Ele correu pra mesa imediatamente...abri todas as janelas pra ver se não morria de calor e aproveitei o almoço que estava uma delícia - vale salientar - enquanto conversava com ele sobre a viagem. Os últimos meses foram infernais estudando pra passar no Douturado na Inglaterra, e agora com as malas quase prontas pra ir tudo o que eu queria era aproveitar esse restinho de vida mansa com ele antes de voltar a estudar feito uma louca. Nem acredito que a gente vai morar quatro anos fora, nem acredito que ele ficou tão feliz em ir comigo mesmo largando tudo por aqui - por mais que não seja definitivo - até a gente voltar, nem acredito que as coisas iam dar tão certo pra mim quando eu larguei tudo por ele e deixei minha vida toda lá onde eu nasci.
- Sobremesa Sobremesa Sobremesa!
- Calma, vou pegar!
Antes que eu pudesse servir a mousse dele senti o puxão no meu vestido. Ele tinha dessas coisas de me surpreender, de fazer eu me sentir querida sabe?! Depois de tantas ruins acho que eu andei um pouquinho mas achei a famosa tampa da panela...e nem era quem eu esperava. Aquela minha amargura toda de não querer quem gosta de tal banda ou quem não toca violão ou quem não gosta de tal filme acabou nem funcionando...ele fez bico e de repente já era tudo que eu queria na vida enquanto eu disfarçava minha falta de beleza tocando violão pra ele pela webcam nos tempos em que a gente não podia se ver pessoalmente! Mas depois que a gente se viu foi amor a segunda vista e eu não larguei dele nunca mais!
Vai passar Toy Story na televisão e nós vamos discutir mais uma vez sobre quem é o melhor! Woody ou Buzz, mas eu sei que quando a tarde cair e o cansaço bater ele vai me abraçar e fazer cafuné até eu não conseguir pensar em mais nada. Eu demorei pra descobrir o que era esse tal de amor correspondido, e sei que nada é perfeito nessa vida...inclusive o jogo do Corinthians que eu perdi porque ele queria assistir um filme. Mas quando a minha mãe me liga no fim do dia pra saber como eu estou, a voz que ela escuta é sempre de felicidade.

Kamilatavares.

terça-feira, 9 de abril de 2013

E agora?

Se não faço tudo que você me pede baby
é por puro instinto de me proteger
confiar é tão complicado hoje em dia...
não, não é isso! Eu confio em você

Se eu não passo o dia aqui conversando contigo baby
é por puro medo de não me desprender
de virar esse pedacinho de ti que já me tornei
e na hora que eu for voltar pra casa me perder

Se eu não te deixo me ver todo dia baby
é porque ontem eu chorei, porque sonhei contigo
eu sei eu sei, você também sonhou comigo
e essa lonjura toda da gente me deixa aqui a mercê

Desse amor pela metade que eu tenho que viver

Se eu não corri pra te ver ainda baby
foi por puro medo de tu não querer voltar comigo
e esse receio de te entregar um coração já partido
atropelado pelos caminhões das estradas que andei

Se eu me protejo tanto assim de ti baby
é pra não admitir o quanto eu gosto de você
e pra esconder esse nó na garganta que dá
quando eu acordo todo dia e sei que ainda não é dia

De te ver.


Kamilatavares.

Run!


- Eu gosto de café expresso
- Eu gosto de HQ's
- Eu gosto de tocar violão
- Eu gosto de Radiohead
- Eu gosto de Pink Floyd e Radiohead
- Eu gosto de você!!!!
Ela prendeu a respiração e arqueou as sobrancelhas de súbito! Não esperava por essa...
- Eu também!
- Também gosta de você?
- Não né...de você seu idiota!
- Linda até me chamando de idiota...
- Seu bobo u.u
- Posso confessar uma coisa?
- Fala...
- Eu tou mesmo meio bobo por você sabia?!
- E eu?! Boba e meia!!!
Ele riu e ficaram parados ali...em silêncio por um minuto eterno olhando o outro através da tela, amaldiçoando essa distância toda e desejando insanamente no mínimo um minuto de contato real entre eles...
- Queria que você estivesse aqui...
- Eu também queria estar ai...

E assim os dias passaram...cruéis.

Eles estão voltando pra casa...ela permaneceu calada o tempo todo, era muita informação pra uma noite só...entrou e foi direto pro outro quarto...quase adormeceu...ele entra com um copo d'água na mão e uma desculpa ensaiada, se deita ao lado dela...seu cheio quase a faz parar de raciocinar...
- Desculpa amor... você queria que eu fizesse o que? Ainda não tive como explicar a situação! - Dizia ele quase que sussurando enquanto tentava abraçar sua esperança o mais forte que podia - As vezes eu penso que não nasci mesmo pra ser feliz...
- A questão não é essa Lou, você sabe o que eu penso sobre isso de felicidade, o seu destino quem faz é você, só colhe infelicidade quem planta essas merdas que você anda fazendo...me diga...você ia gostar de me ver com outro?
- Claro que não! Pergunta idiota...mas eu estava de mãos atadas...é complicado mulher...eu já expliquei...e mesmo não querendo ver você com outros eu sei que você ficou com outros caras na minha ausência...enquanto eu passava os sábados esperando você dar sinal de vida.
- É O QUE? Eu passei os sábados bebendo sim, e pensando em você seu babaca...minhas amigas não me aguentavam mais! E vem cá...me responde uma coisa...
- Diga...
- Se eu quisesse ficar com qualquer outro cara, eu teria vindo até aqui atrás de você? Veja os sacrifícios que eu fiz só pra vir te ver! Eu poderia ter ido pra outros mil lugares...eu cancelei viagens com amigos, congressos da faculdade...uma pá de coisas só pra vir ver você...acho que isso diz muito sobre o que eu sinto
- Eu te amo...eu te amo! Quero ficar só com você...
- Sua vez de fazer um sacrifício! Disposto a começar?
- Começo agora...só não quero ver você chorando assim...
- Eu quero água...pega pra mim?
- Eu quero você pra sempre!
- Eu quero você com Marshmallow
- Eu quero você numa piscina de cerveja
- Eu quero a piscina de cerveja
- TRAIDORA!!!
- Também quero o Tony Stark
- Vai ferir mesmo o meu ego, dona Pandora??
- Até você me salvar do castelo? Sim!
- Pois espere e verás...vou buscar você vestido de Iron Man
- Eu vou fazer uma serenata na sua janela...
- Vou cobrir você de beijo e chocolate...
- E depois ficar diabético! hahahahah
- Diabético de você
- Eu também te amo, seu bobão...
- FINALMENTE!! Pensei que não ia retribuir nunca!
- É que eu fiquei com vergonha desde aquela vez que eu cheguei em casa bêbada e me declarei...ainda bem que tu não acreditou na hora
- Não confio em meninas alcoolizadas...

O aeroporto estava quase vazio...era madrugada e ele chorava! Ela nunca soube reagir nessas situações...queria tanto que as coisas fossem diferentes que chorou com ele, ali na frente das malas, do violão, dos funcionários e do cara que fumava lá fora e assistia a cena toda do outro lado da porta.
- Eu vou te ver, prometo.
- Não acredito em você Lou... - Dizia ela ao soluços
- Não faz isso comigo...eu te amo!
- Eu te amo tanto que vou te enterrar vivo com uma câmera pra você filmar pra mim o seu último suspiro
- Eu te amo tanto que vou arrancar sua perna no moedor de carne!
- Eu te amo tanto que vou fritar você no óleo quente...
- Eu te amo tanto que vou cortar os seus dedos e colocar naquele meu abajur
- Eu te amo tanto que vou arrancar os seus dentes com um alicate e fazer um colar pra mim...
ÚLTIMA CHAMADA...
- Não me deixa ir...
- Se eu pudesse não deixava mesmo...
- Vou te levar pro meu mundo...onde a gente vai poder tudo
- Leva mesmo...
- Quando você for me ver te mostro o caminho...Tchau.
- Pandora!
- Oi?
- ...


Kamilatavares que roubou o diário de Pandora.

domingo, 7 de abril de 2013

Ressaca.

Eu ia voltar cedo pra quem sabe falar alguma bobagem pra você, fiz tudo tão no improviso que nem arrumei o cabelo...mas quando eu arrumo o cabelo não é mesmo!? Talvez eu fale mesmo muita besteira, pra compensar os séculos que passo em silêncio, é que esse calor me deixa agitada, é uma vontade de sair cuspindo sentimentos por ai que você nem imagina! Talvez seja hora de ligar o ar condicionado...quem sabe eu me aquieto, quem sabe eu me calo!

Pandora.

terça-feira, 2 de abril de 2013

π

Acordei com frio, ainda era cedo...a porta deixava os primeiros raios de Sol perturbarem meu sono tranquilo; então eu escutei o barulho do carro e percebi que ele tinha ido embora depois de ter feito a coisa mais certa na hora e no lugar mais errados das nossas vidas.
"E lá vamos nós outra vez Pandora" pensei frustradíssima enquanto levantava pra pegar uma toalha e ir tomar um banho nem que fosse de realidade e tentar tirar o cheiro dele de tudo antes que eu caísse em depressão; mas o bilhete na mesa me chamou mais atenção, e parei pra ver o que ele tinha deixado pra mim.
"Não é certo ficar agora meu amor, você sabe disso...um dia eu volto. Não fica com raiva de mim meu bem...se eu pudesse não te deixava nunca... ♥" 
Junto do bilhete ele deixou aquela camiseta que eu gosto, e uma passagem só de ida pro inferno que foi aquele dia...porque eu chorei e não foi pouco! Mas foi chorando que eu percebi que o meu destino é acordar sozinha, pelo simples motivo de ter me acostumado a sorrir com um nó na garganta.
Desde esse dia eu nunca mais fechei a porta...sei lá...quem sabe ele resolvesse voltar assim do nada.
E eis que eu acordo com aquele barulho estranho..."deixei a porta aberta e um ladrão entrou...MUITO INTELIGENTE DA SUA PARTE DORA! Meus Parabéns!"...corri pra cozinha pra pegar uma faca ou sei lá, e de súbito encontrei aquele sorriso e um pote gigante de mousse de maracujá! O resto é história...


Kamilatavares.


segunda-feira, 25 de março de 2013

Trivialidades.

Não! Eu não quero esse bar...prefiro aquele ali no fim da rua, porque tem as cadeiras vermelhas...ah...você sabe que eu adoro vermelho! 
Meu ar condicionado quebrou hoje, você pode olhar amanhã?! É que anda um calor danado desde a semana passada, e eu tenho aqueles problemas pra dormir...sabe como é! Sim, claro...eu adoro essa cerveja, pode pedir. Claro que te faço um café amanhã... não vou trabalhar de qualquer forma; ganhei uma folga essa semana, vão fazer manutenção nos computadores do andar inteiro e fomos liberados! Pois é, quanto tempo! Te vi semana passada no shopping mas aquele inferno anda tão cheio de gente que não consegui passar pelo bando de adolescentes pra ir te dar um 'oi'. Também adoro essa música...a gente deveria vir mais aqui mesmo...claro! Só marcar o dia. Comigo anda tudo na mesma... o mesmo cansaço de sempre, e a correria parece que só aumenta! Mande um beijo pra sua mãe também, diga a ela que também sinto falta dos bolinhos de queijo...ela é uma graça! Bons tempos aqueles né?! A gente tinha tanto tempo livre...ê saudade!!! A saideira então...a gente se vê por ai! Te ligo sim, podexá! Tchau!

Kamilatavares.

domingo, 24 de março de 2013

Sobre o luto.


Entra...mas não repara a bagunça; é que andei bebendo muito, comendo pouco, dormindo quase nada e esquecendo de abrir as janelas. Os boatos são verdadeiros, agora você pode ver com seus próprios olhos...ela foi mesmo embora. O ruim de quando alguém que a gente ama morre é saber que a pessoa não teve escolha, ela poderia ficar comigo pra sempre, ou me trair, ou ir embora simplesmente ou até ter um filho meu, criar um cachorro, plantar um jardim... mas ela foi levada sem ter o direito de escolher que chá ela tomaria amanhã.
Se sente...mas não repara na falta de fotos; eu guardei todas numa caixa lá no quarto, junto com aquelas cortinas que ela bordou e as almofadas preferidas dela. De repente aquela porção de fotos espalhadas pela casa me assombraram e me fizeram mal. Os olhos verdes...não consigo parar de pensar nos seus olhos verdes...e nas tardes que ela passou bordando aquelas cortinas.
Ela tinha tudo que se esperava de uma mulher pra passar o resto da sua vida agarrado a ela. Sabe aquela inteligência assustadora?! Ela conseguia manter o nível da conversa sempre elevado e falava bem sobre quase todos os assuntos. Por vezes eu me perguntava de onde vinha tanta coisa que ela sabia...e aquele sorriso!!! Era o melhor bom dia de todos...ver ela sorrindo e sempre que percebia meu olhar de admiração se envergonhava e colocava a mão na boca "não amor...acordei com bafinho". Sem contar nas coisas maravilhosas que ela cozinhava e tudo nela...simplesmente tudo me agradava.
Pode fumar aqui sim, aproveita e me dá um cigarro que eu vou fumar também...mas não repara se eu chorar na sua frente. Eu sei que uma das coisas mais estranhas do mundo pra você é ver um marmanjo como eu chorando, são momentos raros...mas não tenho mais aquele emocional invejável. Nem aquela aparência invejável...nem sei há quantos dias eu não faço a barba, ou passei um pente no cabelo. Não...não se preocupe. O luto não dura pra sempre meu caro irmão, e um dia eu vou voltar a ser aquele cara organizado...mas por enquanto deixa a merda feder...foram 5 anos de sangue, suor e América do Sul perdidos em uma noite de angústia naquele maldito hospital. Me deixe sofrer...pelo tempo que eu precisar.
Eu preciso que você entre lá...mas não repara se eu tentar fazer você mudar de ideia. É que tem umas coisas dela pra empacotar, e eu preciso que você faça isso por mim. Não vou ter coragem, na boa! Mas deixa aquele vestido amarelo que ela usou naquele almoço na sua casa, no dia que eu a conheci. E os sapatos vermelhos de usar todas as sextas. Ela amava aquele sapato! Deixava ela da minha altura, toda sexta ela me dizia isso...salvo essas duas coisas, empacote todo o resto e leve daqui...a mãe dela andou me ligando, por favor diga a ela que eu estou bem, que apareço lá semana que vem pra deixar algumas coisas que eu gostaria que ficassem com ela, o presente de dia das mães que a gente já tinha comprado antes do acidente e aquela canequinha que ela tinha desde o tempo da escola.
Tudo bem...me abrace só hoje...mas não repara se eu me acostumar. Talvez eu volte um cara mudado...desses mais - como é que se diz? - inclinado a abraçar os amigos e dizer que ama as pessoas importantes. É que de repente a gente descobre que cada dia pode ser o último, e depois que eu limpar esse apartamento - e me limpar também - eu não vou poder me dar ao luxo de perder boas oportunidades. No mais é isso...


Kamilatavares.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dos verões que ainda não tive.


Depois que eu aceitei o seu primeiro café tudo foi mudando aos poucos, e quando pisquei os olhos já tinha aceitado suas tardes, seus cafunés, seus dias de barba mal feita e a cópia das chaves do apartamento. Ele aceitou aquele avental que eu pintei, minha coleção de escovas de dente, minhas receitas que não deram certo, minha bagunça nos dias de jogo e os meus livros espalhados por todos os lugares.
Minha gaveta aos poucos foi virando metade do armário, e eu me dividia entre cuidar do apartamento, escrever minha monografia e deixar o café pronto pra quando ele chegasse cansado do trabalho. Ele gostava do café que eu fazia pra ele (que só ficou bom porque ele me ensinou a fazer) e eu do cafuné que ele fazia em mim quando deitava no sofá cansado depois do banho e me chamava pra ficar pertinho dele; não importava o quão cansado ele estava, sempre tinha tempo pra ser aquele cara mais fofo do mundo pra mim, com aquele sorriso de quem já está quase dormindo.
Ele estava longe de ser aquele quase loiro alto que eu sonhava em ter, mas tinha mel nos olhos, o universo no sorriso e os braços mais acolhedores do mundo. E desde o primeiro dia eu nunca me cansei daquele meio sorriso dele formando covinhas nas bochechas, nem do jeito que ele cerrava os olhos e me elogiava.
Lembro que ontem, antes de dormir ele me contou o que sentiu no dia em que me conheceu enquanto fazia voltas no meu cabelo; e falou do medo que ele teve de se aproximar, e o alívio que sentiu quando eu fui simpática com ele e sobre como ele quis me abraçar forte quando eu disse que era fã do Motorhead. Eu não pedi por nada daquilo, mas precisava tanto ouvir o que ele tinha a me dizer. Só foram surpresas boas desde que eu o conheci! E ainda dizem que sair sozinha é ruim...pois eu agradeço até hoje por ter saído sozinha aquela noite, e por ter tido tempo de arrumar o meu cabelo e passar aquele batom que fez ele chegar perto de mim. Agradeço por ter encontrado alguém que nunca teve medo de dizer as coisas que sente ou pensa - tão diferente de mim que me guardo dessas coisas - o que me passa uma confiança danada. E depois de tantas que eu passei, ter alguém pra confiar é quase como um suspiro forte depois de um quase afogamento.
Ele abriu mão de criar aqueles gatos que me davam tanto medo, e amor é o que sinto olhando o meu cachorrinho dormir enquanto espero ele chegar. Fiz aquelas panquecas que ele gosta pro jantar e pus uns cookies no forno...enquanto não ficam prontos olho o mar aqui da janela e um bocado de gente bonita andando pela orla, mas desde que eu aceitei aquele primeiro café, confesso que não tenho olhos pra mais ninguém.

Kamilatavares.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Montenegro.


Tenho sonhado com ele embora não o conheça...imaginei como seria sua voz, mas aquele sorriso ainda é familiar; quando perguntarem qual é o tipo físico que mais me agrada talvez agora eu saiba responder: Aqueles de sorriso bonito. Tenho essa coisas por sorrisos bonitos independente de como a pessoa seja fisicamente entende!? O que me prende são os sorrisos! O dele é de criança, é um sorriso brincalhão, bonito...com covinhas de timidez. Talvez ele tenha fugido dos meus estalos de esquizofrenia, talvez não exista de verdade nesse mundo dos reais, mas ele veio me visitar com um violão que eu lembro ter visto em outra história antiga, ainda empoeirado pelo tempo e pelo esquecimento. Nada foi dito, ventava muito...os cabelos bagunçados dele eram bonitos assim sob a luz do Sol...ele me sorria, e eu sorria de volta! Então um Opalla cruzou a rua quebrando o silêncio e desviando a minha atenção para os lados...então eu vi a praia! E naquela hora eu soube que estava em Montenegro.

Kamilatavares.

domingo, 17 de março de 2013

Platônico.

O sorriso de aparelho dele me lembra as tardes de domingo melecadas de sorvete, e ainda assim me parece adulto sorrir daquele jeito despretensioso. Afinal de contas, terno e gravata combinam com jeans rasgado e All Star, e uma pasta de couro com adesivos dos Ramones. Fiquei sentada olhando ele procurar a caneta que estava pendurada na orelha dele...e sorri daquele jeito atrapalhado que parece tanto com o meu. O fim de tarde era bonito, eu tomava meu suco de cajá e ele tentava apanhar os guardanapos que voaram; então percebeu que eu o olhava e ficou envergonhado pela cena, deu de ombros com as bochechas vermelhas, sorriu e foi embora. O barulho no copo anunciou o fim do suco, da tarde, e daquela história de amor que eu escrevi em cinco minutos. Hora de ir.

Kamilatavares

domingo, 3 de março de 2013

Paradoxo.


Lembra daqueles jogos mentais que eu falei que fazia? De vez em quando eles aumentam sabe?! É como se um milhão de pequenos cérebros funcionassem dentro de mim espalhando infinitas informações...é como se um milhão de pequenas memórias estivessem espalhadas nas pontas dos meus dedos me fazendo lembrar as mais diversas aleatoriedades toda vez que eu toco em algo diferente. Não consigo ser constante! "sou reticente...e ponto final."
Não tenho mais regularidade no sono, não tenho mais regularidade alguma! Acordo me sentindo mais velha que os meus pais e durmo me sentindo mais jovem que o meu sobrinho...estou morrendo e comemoro a vida todos os dias. Escuto as mais variadas músicas e constantemente me pego falando sozinha, reproduzindo diálogos de filmes, cenas que já vivi e outras tantas que pretendo viver enquanto me resta coragem. Imagino coisas que nunca faria, sonho com corredores de hospital, flores na minha cama...e sou feliz!
Há tempos não choro de verdade, nem me arrepio ao escutar um "Eu te amo"...há tempos não enlouqueço e aos mesmos tempos nunca me senti normal...
Planejo futuros enquanto penso em desistir de tudo pra viver sem rumo e sem perspectiva de vida. Corro maratonas inteiras dentro da minha inércia!
E quando o último trago é levado pelo vento na minha janela...fecho os olhos ao som da mesma música que coloco pra tocar toda noite e faço a minha prece...ao universo! Consigo sentir meu corpo inteiro dormente, e sorrio. Criei momentos de paz dentro do caos...aprendi a inventar minha felicidade, e sorrio com coisas bobas.
Não sei mais o que me dói, não sei mais o que me cura! Coleciono sorrisos, abraços, lembranças de crianças correndo na rua, cheiros de pessoas e cafés; fotografias que tirei com os olhos e ninguém mais além de mim consegue ver. Coleciono cenas da minha vida, e pessoas! Escuto músicas depressivas em momentos de felicidade, escuto músicas felizes nos meus momentos depressivos...e de contradições eu vivo! E sou feliz...
Maltrato os que me fazem bem...sofro pelos que me fazem mal, e os mantenho por perto. Não me entendo, não me encontro, não me perco, não me meto na minha vida, não me pergunto coisas complicadas, não me sinto pertencente...não luto...e sou feliz.


kamilatavares

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O mito do insubstituível.


Quando é que a gente começou a se preocupar tanto em causar uma boa impressão? Quando as opiniões alheias se tornaram mais importante do que a boa convivência e a diversão com os nossos amigos? Quando foi que tudo aquilo que era livre e espontâneo começou a ficar sério e preocupante?
Eu não tinha grandes ambições, na verdade não tinha quase nenhuma a não ser me divertir; aproveitar o que a juventude me permitia e ter uma vida nem que fosse um pouco parecida com a dos filmes que eu tanto via. Mas a inocência me engoliu! A gente se acha esperto mas a vida mostra que não sabia?! Minha mãe me alertava sobre a minha inocência, num mundo onde as pessoas são boas - ou seja, o mundo em que ela pensou que eu viveria - isso seria ótimo; mas no real world, quando o jogo é na vera, quem é inocente acaba de lascando todo! E foi assim como ela disse.
Sabe quando você pensa que finalmente pode ser aquilo que sempre quis ser e que vai ficar tudo bem?! Pois é, não fica! Sabe porque?! Porque a gente vive em um lugar onde as pessoas fingem não se importar; se vestem com seus casacos de couro, all stars e cabelos milimetricamente mal cortados, segurando suas cervejas fingindo serem libertários e abertos a tudo sem preconceitos, mas são na verdade moralistas disfarçados esperando o mínimo erro, um defeito imperceptível pra cairem em cima feito lobos. O mundo engole a gente, uma pessoa de cada vez.
Não soube escolher grande parte dos meus amigos, mas as escolhas certas que fiz me perseguem - no bom sentido - até hoje! E a eles eu agradeço! Se pequei foi pela falta de sagacidade, confesso! Se errei foi pela inocência...e não entendam por inocente quem só faz a coisa certa, porque eu errei pra caralho, por achar que as consequências caberiam só a mim...por achar que ninguém se importaria e apontaria o dedo na minha cara me lembrando as minhas falhas. Errei porque não me meti na vida de ninguém esperando que não se metessem na minha, e fizeram justamente o contrário.
Aos que acabaram de chegar, pegaram todas as portas fechadas, os copos vazios, os microfones desligados, os bares fechando...e eu me pergunto: A troco de que?! A gente reclama tanto de tudo, mas se divertia tanto! Pra que perder tempo gastando suas energias com coisas negativas se a gente pode abrir as garrafas e se divertir!? Pra que implicar tanto com os defeitos dos outros se os outros só querem viver suas vidas?! Arriscar perder as coisas que você mais gosta numa tentativa falha de nascer perfeito?! Continuo não vendo sentido nessas coisas; porque ninguém nasce o melhor do mundo, e se nasce é um a cada sei lá quantos mil no mundo! A maioria aprende caindo mesmo, se lascando todo. Então pra que exigir do outro uma excelência que nem você tem?!
Ainda não recebi tais respostas, e hoje me pego nostálgica olhando pra tudo o que foi estragado pelas opiniões, pelos influenciáveis, pelo tempo, pela minha falta de paciência, falta de auto-estima, excesso de paranoia e mulherzice, pela minha inocência em acreditar em coisas que não existem mais, pelos anos em que me tranquei no mundo dos que não se importam e quando me mudei pra cá simplesmente não soube o que fazer...mas se eu voltasse no tempo...tenho certeza que faria - quase tudo - outra vez!
Mas hoje eu escolhi esquecer...hoje eu resolvi desistir!

Kamilatavares.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Ode à saudade.


Eu gosto dessa coisa que a saudade me dá
 De aproveitar as janelas dos carros cheias de pingos de chuva
 De sentir o maxilar travando naquele sorriso amedrontado
De lembrar de cada presente que já me foi dado

A amargura deixa tudo que é de ruim, aquelas lembranças que molham o travesseiro, que tiram suas noites de sono, que roubam sua concentração e enchem o seu fígado de dor. Pois se me deixam escolha, eu prefiro a saudade...ela me dá tudo que é de nostalgia boa, me deixa aproveitar cada momento como se fosse o último, cada abraço como se fosse acabar o mundo, cada olhar como aqueles de despedida...e eu gosto de despedidas.

Todo mundo faz questão de odiar o momento do adeus, eu acho uma hora sagrada! Primordial! Sem o adeus deixamos as coisas todas não ditas, os braços frios e o nó na garganta de quem não teve a oportunidade de ter uma última oportunidade, e eu gosto de últimas oportunidades! Elas tem a sua preciosidade, elas são raras, únicas...nós não vamos ter muitas últimas oportunidades na vida...e a lei é essa, dar valor ao que não se tem! Então hoje eu escolhi sorrir pra minha saudade, abraçar as minhas últimas oportunidades e dar valor ao que eu nunca mais vou ter!


Kamilatavares.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

É melhor ser alegre que ser triste!


Então me perguntaram se eu estava bem; respondi que sim mas especialmente hoje a resposta foi carregada de uma sinceridade acima do normal. Ainda completei que ando numa fase de felicidade, bom humor, otimismo e bem estar que eu desconhecia em mim nos últimos tempos!
Motivos para me sentir assim? Não, não tenho! Minha vida está absolutamente a mesma! E até pior em alguns aspéctos. Mas em suma continuo estudando as mesmas coisas, andando com os mesmos amigos, escutando as mesmas bandas, frequentando os mesmos lugares...mas algo em mim me fez olhar o bom das coisas...não sei quando, não sei porque!
Eu poderia me lamentar pela doença da minha mãe, pela saudade do meu irmão e do meu sobrinho, poderia me sentir mal com a minha solidão, reclamar da falta de dinheiro, de um namorado, de mais coragem pra estudar...mas quer saber? Resolvi ficar feliz pelas breves visitas do meu irmão e do meu sobrinho, me sentir grata pelos dias de bom humor da minha mãe, abraçar minha solidão e levar ela pra ler um livro comigo naquele café, usar o tempo em que me falta coragem pra assistir um filme novo, um seriado, ler um livro...
Um belo dia eu acordei e optei por ver o lado bom das coisas, pensar o bom das pessoas, sorrir sem motivo aparente, agradecer pelo que tenho e esquecer de reclamar pelo que não tenho... e acreditem: Se a amargura que você planta depois volta pra você em dobro...imagina o otimismo, como vai ser quando voltar?

Kamilatavares.


Sobre a breve conversa com Kaydson, e as tardes de leitura no café!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Café poético.


Queimei a língua, mais uma vez! Vai demorar até eu aprender a beber café com a mesma classe que o meu pai, mas vou tentando! Minhas cordas vocais esquentaram e foi como um alívio que me encheu de vontade de cantar, mas não podia...pelo menos não ali! E naquele café com pouca luz, e flores amarelas na mesa - todas de plástico - tentando ler um livro ao som de Milton Nascimento vi as pessoas me olharem checando o meu vestido, os meus sapatos e se perguntando porque eu estaria ali sozinha!
A solidão intriga os outros...assusta de fato; mas pra mim ela é uma companheira e tanto, pra mim é confortável e tão belo quanto a lua que parecia gigante vista ali através do vidro.
Lembrei daquele amigo escritor e de todas as conversas que se desenrolariam facilmente num ambiente como aquele. Senti saudades! Tentei ligar mas lembrei que não tinha o número dele na agenda e na mesma hora o meu telefone tocou, então de sozinha fui promovida a alguém esperando uma amiga, que apesar de não tomar café, iria dar uma passada pra me ver e colocar os papos em dia.
Aquela é sem dúvida a minha rua preferida da cidade, lá eu não tenho pressa, lá o tempo não passa, lá toda hora é bonita de se olhar. As pessoas correm com seus cachorros, meninos passam de bicicleta, homens de terno pegam seus cafés e eu posso ver o Sol fazendo desenhos na água. O novo museu com seus vidros espelhados reflete as mais diferentes cores; e quando anoitece e começa a esfriar a lua aparece - ali naquela rua - maior do que em qualquer outro ponto da cidade!
Minhas mãos tremiam pelo excesso de café enquanto eu lia o meu livro e sentia as pessoas me olhando, quatro capítulos depois resolvi me dedicar ao Script da peça em que vou atuar - um musical pra ser exata - e dividia meu tempo entre goles, leituras e pausas para olhar a rua. Então ela chegou, e tudo voltou ao normal...deixei de ser a menina sozinha sentada num café, todas as mesas se voltaram para sí. Porque esperar uma amiga é algo trivial, sair sozinha e sem planos não, é curioso, incomum, peculiar, algo digno de mim.
- A conta, por favor!


Kamilatavares.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Dez anos depois...


Diário de Pandora, 02/01/2023

"And then one day you find, ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun"  (Time - Pink Floyd)

        Eu sei que não ando seguindo as recomendações médicas de escrever tudo que se passa no meu dia, e até acho isso meio ridículo! Nunca tive paciência pra diários quando adolescente, porque teria agora? Mas a médica lá disse que me ajudaria com os problemas de memória, e mesmo desobedecendo as ordens dela de escrever diariamente eu creio que os últimos dias devem ser lembrados em seus mínimos detalhes, assim como eu me lembro de como tudo aconteceu dez exatos anos atrás; por sorte não perdi aquelas memórias, e por ajuda médica pretendo não perder estas. Embora eu ache um exagero, visto que meus lapsos são bobos a meu ver...eu não preciso lembrar o que almocei, ou se almocei uai. Mas como não quero me tornar um Benjamin Evans (sim, o daquele Best Seller, que por coincidência carrega o meu nome na dedicatória, e que eu li antes de todos vocês) é melhor me cuidar desde cedo.
Indo direto ao ponto, dez anos se passaram e aconteceu justamente o que a gente previa (claro que nem tudo acontece como planejado mas...) caso um dia a gente fosse em direções opostas e por acaso houvesse um reencontro...
 Eu estava (pra variar) sozinha aqui no meu apartamento (como eu havia previsto dez anos atrás) cuidando do meu cachorro e terminando a limpeza de um dos aquários, e planejava passar o ano novo com uma caixa de cervejas, o Jack Daniels (meu cachorro) e meus mais que preciosos DVD's de Star Wars; então recebi um convite de um amigo, que iria passar o ano novo no sítio de outro amigo, em um churrasco na cidade vizinha, e não queria me "deixar sozinha deprimida passando o ano novo com o meu cachorro" embora eu estivesse muito feliz e animada, pois meus sabres de luz haviam chegado no dia anterior. Mesmo assim, peguei aquele vestido amarelo que eu tinha mandado fazer igual ao da Luna Lovegood (porque ela diz que amarelo dá sorte, e todo ano eu cumpria minhas tradições de fim de ano com um vestido de cor diferente, feito inspirado em algum filme, e uma maratona diferente...ano passado a cor foi vermelho e a maratona foi o Batman), minha caixa de cervejas e fui com ele! E claro...fiz uma playlist pra escutar durante a viagem.
Chegando lá, passei um bom tempo olhando os ipês de todas as cores e o jardim super bem cuidado daquele sítio; na garagem um opala amarelo...olhei pra ele e sorri nostálgica; andei mais um pouco, algumas pessoas estavam em volta da churrasqueira, com suas cervejas e conversas sobre política e economia; do outro lado outras pessoas jogavam poker aos cuidados de suas respectivas esposas que lhes serviam drinks...sorri nostalgica mais uma vez. Então um som familiar veio lá de dentro da casa: PINK FLOYD! Meu Deus não pode ser...tanta familiaridade em um dia só...faz tanto tempo que eu não vivo essas coisas todas! Mas a cidade é diferente, o ano é diferente, os rostos são todos diferentes! Peguei uma cerveja e perguntei ao meu amigo qual daqueles era o anfitrião, e ele me disse que não era nenhum deles...espera...é aquele ali saindo da casa! MEU DEUS, É ELE!
Olhei eles se cumprimentarem e esperei que ele não me reconhecesse, quando Ricardo - o meu amigo - se virou para me apresentar ao anfitrião, dei um passo para a luz e vi seus olhos saltarem de surpresa!
- Não-pode-ser! Bonitona?
Sorri o meu sorriso mais bem sorrido e vi ele dar três passos rápidos pra me abraçar pelo que eu julgo terem sido umas três horas! Ele ainda tem o mesmo cheiro, os cabelos ainda não ficaram grisalhos e - graças ao meu bom Deus - ele continua bem barbeado. E naquele abraço eu vi anos se passarem, e na minha garganta se acumularam todas as coisas que não pude dizer depois que ele foi embora e eu fui também! Coisas bobas, do dia-a-dia...frases de filmes, citações de livros e trechos de músicas, uma nova receita com bacon, a falta que ele fez quando eu chorava de dor toda vez que ia fazer uma nova tatuagem, todas as risadas que eu tive que dar sozinha quando tentava explicar pras pessoas que o amor não tinha uma só cor e elas não entendiam...e ele não estava lá pra rir delas comigo. Eu não tinha grandes coisas a dizer, grandes filosofias sobre "oh meu Deus como nós isso e aquilo e como eu gosto de você e como você fez falta" não... eu lamentava pelos pequenos momentos, pelas idiotices que cada um falava pro outro rir, lamentava por não ter com quem comentar o jogo do Domingo e pegar uma briga de mentirinha... e não tinha com quem reclamar quando acordava no natal e via que o papai noel - mais um ano - me deixou sem o meu boneco do Woody.
Ele mudou um tanto também! Fez outras tatuagens, usa lentes de contato agora...engordou de tanto bacon com cerveja, mas não foi muito...exatamente o tanto que eu achei que ele fosse engordar; e - assim como eu - também mora só! Rodeado de suas árvores amarelas, andando no seu carro amarelo e com a sua prateleira de miniaturas de dinossauros, e o seu cachorro! Dez anos e eu ainda compro sabres de luz, e ele miniaturas de dinossauros. Nunca vamos crescer!! E isso é tão bom...
Ricardo ficou sem entender como poderia ser possível que eu o conhecesse, então nos sentamos e começamos a contar-lhe toda a história, e a cada episódio relembrado mais risadas eram derramadas na mesa e mais curioso por novas histórias o Ricardo ficava.
Contamos da banda e ele não acreditou que um dia eu subi num palco pra cantar Led Zeppelin, e que tinha gravado um EP nunca lançado, já que ele só me via nos palcos atuando, e eu só tocava violão em pequenas reuniões de amigos. Ele riu dos nossos apelidos - bonitão e bonitona - e de como a minha mãe se derretia de amores pelo bonitão...e todas as vezes que a gente bebeu até cair, e a forma com que a cidade inteira olhava pra gente e pensava coisas. Por vezes ele segurava os meus seios em público, só pra despertar curiosidades, eu sentia cócegas e ria, mandava ele parar mas achava tão engraçado quanto ele, e fazia piadas infames...e todo mundo pensava que a gente fazia loucuras na cama! E a gente realmente fazia...a loucura de deitar do lado do seu melhor amigo e esperar o sono chegar, sem preocupação nenhuma...quer loucura maior que essa? Existe loucura maior que entregar sua dedicação a um amigo de verdade? Fizemos loucuras sim! Cometi a loucura de chorar na frente dele...por tantas vezes! Loucuras no sofá, assistindo filmes com muita pipoca e cerveja, a loucura de deixar de prestar atenção no Poderoso Chefão pra fazer uma massagem nele...a loucura de brigar, parar de se falar, voltar a se falar...loucuras mil!
E começamos a lembrar da convivência...das viagens...de quando os pais dele viajavam e eu ia dormir lá só pra fazer o jantar dele, senão ele comia qualquer congelado daqueles que você coloca cinco minutos no microondas e tá pronto! Então a gente jantava, eu fazia os famosos cookies, a gente tocava violão, assistia vídeos engraçados, eu fazia massagem nele, tomava um banho, me arrumava, escolhia uma roupa bem bonita pra ele vestir e sair por aí comigo pra tomar cerveja e conversar com os amigos, na volta a gente apagava de bêbado, de sono, de cansaço...eu acordava...preparava o café...conversava e depois ia pra minha casa...pra depois voltar outra vez. E falei de como ele perdeu a paciência tentando me ensinar a jogar poker, e da briga que a gente teve quando eu tentei dirigir o carro dele. E as brigas...meu Deus como a gente brigava por nada, e ele ficava todo estranho por uns tempos...e eu toda distante...depois cada um que não aguentasse mais e fosse falar com o outro pedindo desculpas.
E os domingos tocando violão na grama do parque, com todas aquelas comidas...era o único jeito de me fazer acordar de sete da manhã aos domingos...e mil outras coisas foram lembradas...até chegar a hora da contagem regressiva.
10 - 9 - 8 - 7 - 6 - 5 - 4 - 3 - 2 - 1 - FELIZ ANO NOVO!!!
Abracei algumas pessoas, olhei os fogos, escutei mais uma porrada de músicas e cada um por sua vez foi deixando a festa, até não sobrar ninguém exceto eu, ele e Ricardo, que estava apagado no sofá! Ele me olhou daquele jeito de sempre...eu já sabia o que fazer! Fui na cozinha e comecei a separar as coisas enquanto ele recolhia umas garrafas que estavam espalhadas, sempre muito bem organizado! Então o cheiro de chocolate fez ele correr pra cozinha. Depois de comer os cookies eu fui na varanda e encontrei uma rede, vermelha desta vez, minha cor preferida! Me deitei e ele se juntou a mim...fiquei ali abraçada com ele e dessa vez a conversa foi em silêncio, como a gente costumava fazer...eu esperei ele falar...ele sempre é o primeiro...eu já sabia a frase...então ele falou: "Diz mais aí, fia!"
Pois é...o relógio corre, as folhas caem do calendário, as pessoas se mudam, conseguem empregos, maridos, esposas, animais de estimação...os cabelos brancos aparecem, as rugas, as novas preocupações...mas pra certas coisas, aquelas pequenas coisas, tão pequenas e tão de verdade, tão invisíveis mas tão palpáveis, tão frágeis mas tão imutáveis que se tornam fortes...pra essas coisas...o tempo não passa. E naquela hora eu tive certeza, naquela hora eu soube de tudo. Uma vez eu li num livro...e já é uma citação tão antiga...tão batida...tão clichê...mas não poderia caber mais... é fato que "tu te tornas eternamente responsavel por aquilo que cativas" e eu me senti eternamente responsável pelo meu pequeno príncipe.
Então ele elogiou a cor do meu vestido, a tatuagem do meu braço - que havia sido ideia dele - e finalmente dormiu...sorrindo.

Kamilatavares.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

The dream


- you're not the boy who doesn't love...you're the boy who love too much and that's why you can't support a half-love, that's why you can't live with something incomplete. And in a world full of incomplete people...well...you end up feeling like this.
- Take it all, or nothing...you're right... but how do you know that?
- I'm just like you.
- Yeah, and i know you try to hide this.
- Like crazy, but it doesn't matter here...this is only a dream!
- What? How can you be so sure?
- 'Cause you're crying, and i'm not!

Kamilatavares.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

The end of the movie


Passion burns, and hurt you...but love keeps you warm and safe. That's why passion is red like fire...and love? Well...love is yellow like the sun in the morning.
I used to yellow you...in fact i still do. But i'm going, i'll dissapear. My love for you will keep you warm and hope you don't miss me while i'm trying to get burned...but you will...

Kamilatavares.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O que eu não quero


Eu não quero alguém estupidamente lindo, ou que me ache estupidamente linda...eu quero alguém que cozinhe fazendo dancinhas estúpidas comigo e use as colheres de baquetas.
Eu não quero alguém que tenha todo o dinheiro do mundo pra me impressionar...eu quero alguém que me impressione com aquela frase que ele decorou do filme e que se encaixe perfeitamente com o que a gente acabou de passar.
Eu não preciso de alguém me esperando na porta de casa com um carro do ano...eu preciso de alguém que me espere na porta com a disposição de sair comigo seja lá pra onde for...seja lá como for! Mas que queira ir comigo!
Eu não quero alguém que saiba tudo sobre o Tarantino ou o Almodóvar...eu quero alguém que assista os filmes... comente a fotografia das cenas, e escute as trilhas sonoras...e que procure objetos de decoração vermelhos e amarelos parecidos com os das cenas que a gente viu.
Eu não quero alguém que saiba contar todas as histórias e me faça rir de todas as piadas...eu quero alguém que tenha piadas internas comigo!
Eu não preciso de alguém que adore festa Black Tie com gravatas e saltos...eu preciso de alguém que ame festa do pijama e fantasias...que passe meses planejando aquela fantasia que combine com a minha, que me deixe pintar seus cabelos com spray e fazer a maquiagem que for, e entre no supermercado comigo vestido de Joker enquanto eu compro uma bebida vestida de Amy Winehouse.
Eu não quero alguém que me dê rosas...quero alguém que as plante comigo!
Eu não quero alguém que me dedique músicas...quero alguém que as cante comigo!
Eu não quero alguém que dê a vida por mim...quero alguém que a viva comigo!
Eu não quero alguém pra me fazer feliz...quero alguém que seja feliz comigo!


Kamilatavares

sábado, 1 de dezembro de 2012

O pássaro vermelho.


Cansado de bater as asas sem rumo...aquele pássaro vermelho tão pequeno viu que a liberdade era muito grande pra ele. Lutou pra aprender a voar como os grandes, sentir os ventos e o calor do Sol em suas penas tão vermelhas de vida, e agora estava ali...cansado de tanto ser livre...procurando um lugar perto de um lago onde as árvores derramem suas folhas na água...onde tudo seja um eterno fim de tarde.
Quando finalmente encontrou o lago tão procurado para o seu descanso, se deparou com uma gaiola dourada...pendurada na maior de todas as árvores ao redor. Meu Deus...só podia ser um presente para as suas asas tão sofridas...aquela gaiola dourada, imponente e solitária esperando ser habitada por ele.
E se sentiu tão feliz...o pássaro e sua gaiola. Nela o pássaro vermelho tinha tudo o que precisava...e embora sofrida e amassada...cheia de marcas, a gaiola ainda refletia um dourado de beleza inigualável. Não era impecável...era defeituosa, como o pássaro queria depois de tanto procurar pela perfeição da liberdade sem conseguir encontrar.
Mas uma gaiola, por mais bonita que seja, não completa a vida de um pássaro! Ele precisava de outros pássaros pra ser completo. Mas era tão feliz em sua gaiola que o conforto o impediu de voar...e lá ele se trancou, olhando os outros pássaros rumarem para o sul enquanto ele se consolava por ter a sua gaiola, e não precisar de mais nada.
Então a comida acabou...e o pássaro chorou por ter que sair da gaiola pra ir procurar mais. Quase desistiu...tinha medo de voltar e ela não estar lá! Ele era o único que sabia que a gaiola precisava tanto dele, quanto ele da gaiola. Pois sem o pássaro ela era apenas um belo espaço vazio, e com tal justificativa interna o pássaro vermelho se consolava dos discursos de que ele era o único que precisava da gaiola...e saiu para buscar comida...pensou em não voltar...lembrava da gaiola vazia...e voltava.
Cuidava da gaiola como se fosse o lugar mais precioso do mundo...e sempre que saia tomava o cuidado de não voar muito longe...mas um dia o pássaro se sentiu sozinho...se olhou através do espelho d'água do lago...suas penas nem eram mais tão vermelhas assim...estava enfraquecido por não voar mais...precisava tomar uma decisão!
Cantou com tristeza naquela tarde...a gaiola se contorcia em reprovação...mas o pássaro precisava voar. E todo dia ele sai da gaiola e voa um pouquinho mais longe...mesmo com aperto no coração...e quando não aguenta mais ele volta. O beija-flor disse que ele não aguentaria viver fora da gaiola...um verdadeiro acomodado; a águia o aconselhou a ir embora e não voltar nunca mais...que ele conseguiria; e um pássaro azul desconhecido, estranhamente parecido com ele, disse que o pássaro vermelho podia ir...que voasse atrás da liberdade que ele esqueceu, porque a gaiola sempre esteve ali pra ele...e sempre vai estar.


Kamilatavares

quinta-feira, 29 de novembro de 2012


Peço que levem tudo
levem as sujeiras, as impurezas, as poluições
levem os restos de cigarros e garrafas vazias
os guardanapos com marcas de batom e números de telefone
levem as cartas amassadas dos ex namorados
e os lenços molhados de lágrimas esquecidos nos velórios
levem as amarguras, as denventuras, desilusões
levem as chaves perdidas e cadeados fechados
levem a aliança da separação esquecida no chão
os comprovantes do consumo, as confissões dos pecados mais inconfessáveis
levem os boletins cheios de notas vermelhas, os jornais cheios de notícias passadas
levem as cinzas das fotografias queimadas...
e por fim levem os espinhos.

Só peço que me deixem, e deixem...
as pétalas das rosas vermelhas e os sorrisos derramados dos ipês amarelos
porque eu preciso pintar os meus pés...antes de ir!

Kamilatavares.

domingo, 25 de novembro de 2012

O tempo, o mundo, as voltas.


Eu não lembrei do aniversário dele! Meu Deus...só hoje eu me dei conta, parece que foi ontem e já passou tanto tempo. Nem sei se ele ainda mora aqui na minha rua, não fiz mais nenhuma visita, não perguntei nada sobre como andava a vida dele pra ninguém, nem pra mim mesma.
O mundo dá voltas...pois é! Quem diria que hoje eu ia me lembrar que depois de tanto que passou ele virou só uma sombra?! Um emaranhado de algumas lembranças que eu preciso ter pra não cometer o mesmo erro outra vez, e outras que eu guardo de alguns dias bons, do meu costume que ir ao parque e daquelas rodas de violão. Tão complicada e tão simples a vida era naquele tempo. Tudo se resolvia entre duas ou três pessoas...não tinha uma porrada de gente achando que sabe de tudo.
E lembrei daquele dia no açude...eu voltei lá esses dias sabe?! Mas dessa vez não chovia...a situação era totalmente diferente e ao mesmo tempo era quase a mesma...como se parte de mim tivesse ficado lá esperando, e outra parte tivesse iso embora atrás de coisa melhor...de viver!
Aos domingos eu matava a saudade, e na segunda a gente mal se falava...trocava um abraço amigável, sentava pra fumar um cigarro...tocar violão! Mas ninguém podia saber! Porque? Até hoje eu não entendo! Ele olhava pra mim e sussurrava "saudade de você" quando via todo mundo distraido ao redor...pra ninguém escutar, e eu respondia "eu também!"...foi quando eu comecei a aprender a falar menos, e mais baixo!
Era tão difícil convencer ele a ir comigo...eu planejava tantas coisas e não podia nem me dar ao luxo de desfrutar de um abraço em público. Porque? Até hoje eu não entendo! Talvez eu fosse muito infantil...talvez eu ainda seja! E hoje eu nem sei por onde ele anda. Me disseram que ele passou no corredor da faculdade olhando pra mim...andando devagar esperando que eu notasse...mas eu estava distraída, juro que não vi! Queria ter visto como ele estava...se havia cortado o cabelo! Eu vivia em luta com o corte de cabelo dele...
Ah ... ao mesmo tempo eu era tão teimosa...arredia...volátil. Um passo infalso e eu fazia alguma rebeldia só pra mostrar que eu mandava em mim. Quem me vê hoje...meu Deus...tão obediente! As voltas...o mundo dá voltas. Ele dizia "use branco"...e eu usava preto! Ele dizia "Deixe o cabelo crescer", eu ia lá e cortava! Porque? Até hoje eu não sei dizer!
Tantas músicas...tantas músicas que eram só nossas músicas e de mais ninguém! E hoje eu escuto como qualquer outra música que goste. As cicatrizes foram leves...ainda bem! Acho que no fim de tudo me tornei forte! Ele me ensinou muito!
Será que vai ser assim com você também? Vou te deixar cair no meu esquecimento depois de tudo? Depois de me machucar bem muito? Juro que fiz tudo diferente do que eu fazia antes...e continua dando tudo errado! Continua tudo uma bagunça! Porque? Até hoje eu não sei dizer! O jeito é esperar...quando eu cair no esquecimento outra vez talvez eu saiba responder...ou acabe esquecendo da pergunta!

Kamilatavares.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cada foto tem uma palavra
Cada amor tem uma cor
Cada pessoa tem um sorriso
e uma dor.
(Sobre "Natural", a palavra que Bia achou pro silêncio da foto)


Kamilatavares.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Kombi.



O que eu quero da vida? Uma Kombi vermelha, um GPS, grana pra abastecer, alguns CDs legais pra ir escutando pelo caminho e uma câmera pra registrar tudo.
Não me leve a mal meu amor, mas você não pode ir comigo! É, eu sei...eu não poderia fazer essa viagem ser tão fantástica, tão incrível e tão especial sem você! Mas eu preciso tentar sabe porque?! Porque se você vier comigo, vai acabar pintando a minha kombi...quem sabe de preto, azul ou amarelo...vai jogar fora os meus CDs e colocar os seus e tomar as minhas chaves e o meu volante. Se você vier comigo a viagem que eu planejei vai ser sua e não minha! Se você vier comigo vão dizer que eu, menina boba que sou, não aguentei a solidão e te acompanhei. Se você vier comigo eu não vou ter voz e nem vez.
Claro que eu planejei esses caminhos todos pra explorar com você, mas eu preciso tomar as rédeas da minha vida, preciso aprender a andar sozinha...se você ao menos me deixasse tentar!
Eu vou ficar...vou criar raízes até você pensar que eu não saio mais daqui; vou pintar a minha kombi de vermelho...separar todas as malas, todos os roteiros, tudo muito escondidinho. É, eu sei, vou mentir pra você! Me perdoe. Mas um dia você vai acordar e eu já vou ter ido embora, assim sem mais nem menos, sem bilhetes de despedida, mas deixo o seu café pronto, eu prometo! Vou trocar a água do vaso, alimentar os peixes no aquário e deixar a minha escova de dentes preferida pra você ficar pensando na possibilidade de um dia eu voltar.
Vai doer mais em mim do que em você, disso todo mundo já sabe! Eu sempre te amei mais do que você me amou...e mesmo assim sou eu quem vou! Mas te levo em cada raio de Sol amarelo que possa refletir o vermelho dos meus cabelos em diferentes lugares; te levo em cada foto que eu tirar, em cada pessoa que eu conhecer, em cada coisa diferente que eu venha a conhecer. E vou sentir sua falta quando o meu Pneu furar, quando o guarda quiser me multar, quando eu fizer comida pra dois e não tiver com quem dividir, quando o frio bater de madrugada, quando eu me embebedar e não ter você ali me carregando pra casa, quando a preguiça me bater e eu não encontrar nenhuma camiseta sua pra vestir, quando eu quiser cortar os meus cabelos, quando aquele filme me fizer chorar, quando a gasolina acabar, quando alguém me pedir uma massagem, quando eu conseguir arrotar bem alto...quando eu não tiver com quem brigar!
Quando eu finalmente voltar, talvez nem te conte todas as novidades e você nem note as minhas tatuagens novas, mas vai ser bom! Talvez eu encontre outro alguém pra me estragar...talvez aconteça tanta coisa...inclusive nada!
Mas minha vida é talvez...e assim vai ser até o dia da grande viagem chegar!


Kamilatavares

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Memórias do começo de tudo.


Naquele dia usei aquele short Jeans folgado com uma meia calça, uma camiseta e o meu velho All Star...na época era o máximo que eu poderia dar de uma versão minha "arrumada"; pelo menos os meus cabelos estavam soltos, e eu usei um pouco de maquiagem, sem batom é claro, eu odiava batom desde que o primeiro menino que eu gostei na vida disse que era horrível beijar e ficar sujo de batom. Acho que eu tinha 14 anos, e desde aquele dia eu evitava batons com todas as minhas forças.
Ele estava de chinelo, bermuda e uma camiseta branca...e aquele sorriso, aquela tranquilidade e aquela educação quase que formal demais pra situação. Um cavalheiro de bermudas, abrindo a porta do carro pra mim. Ainda lembro de certas coisas que ele fazia pra me impressionar. Colocou a minha música preferida daquela banda pra tocar no carro, e disse que era a música preferida dele também. Imagina só, dentre tantas músicas...e aquela nem era a mais famosa!
Me contou aquelas histórias que hoje eu sei de cor, me provou que eu estava errada sobre ele, olhou curioso quando aquele cara me ligou e eu atendi toda nervosa, me fez rir, me mostrou seus DVD's, sua estante de livros e todas as coisas que guardava em prateleiras.
No começo eu confesso, ele foi pretexto pra que eu pudesse esquecer de outras coisas, e olha só o que me aconteceu! Agora quem me faz esquecer dele?
Hoje em dia me vejo muito diferente de quem eu fui naquele dia, com os pés doendo desse salto, as pernas frias onde o vestido não cobre, tirando o esmalte das unhas de nervosismo, procurando batons dentro da bolsa, eu nem usava bolsa! Ia colocando tudo por dentro dos bolsos mesmo, perdendo meus celulares por ai! Hoje eu converso com as pessoas olhando para os lados esperando ele chegar...e quando estou com ele, esqueço de olhar pros lados procurando alguém que me tire dalí, eu sei que não posso ficar...mas fico.
Hoje em dia eu ando muito mais calada, mais sumida, mais distraída...assistindo mais filmes, me prendendo mais nesse mundo meu cheio de coisas. E fico alegre até quase explodir...e fico triste até quase morrer...e fico paranóica com medo de tudo...com medo de mim...
Há quem diga que eu cresci, emagrecí, amadurecí...há quem diga que eu sou a mesma, sofrendo por um personagem diferente, usando roupas diferentes...mas presa na mesma história disfarçada com outro cenário...há quem diga que eu vou ser sempre assim e há quem diga que um dia eu saio dessa! Vou prestando atenção, enquanto perco a memória pra tantas coisas importantes, e vou gastando o pouco que tenho dela lembrando de banalidades como estas.
Me disseram que no futuro, depois de passar por mais um bocado de sofrimento, a gente vai acabar casando (me disseram isso algumas vezes antes, nunca acredito), mas quando os quatro anos juntos se passarem, e eu for repetir a cena de "Closer" fazendo joguinhos de perguntas sobre a nossa relação, não importa o quão difíceis as perguntas dele sejam, eu vou acertar todas! E se tudo der errado, outro menino de bermuda e camiseta vai aparecer, com outro sorriso bonito, pra me fazer esquecer de tudo (ou quase tudo) isso.

Kamilatavares.

domingo, 18 de novembro de 2012

As flores.


Plantei aquele Dente-de-leão pra me lembrar dos conceitos e princípios que eu aprendi com o passar dos meus poucos anos de vida, é tão bonita a dança que eles fazem todos juntos do meu jardim, com seus pequenos pedacinhos brancos e amarelos voando pela rua...sabe-se lá onde eles vão parar. É disso que eu tento me lembrar toda manhã...somos pequenos pedacinhos de um Dente-de-leão, voando por ai sem rumo...sem direção..."sem lenço, sem documento num Sol de quase dezembro"...
Nascemos todos juntos, unidos ao mesmo núcleo protetor...e com o tempo cada um vai se soltando...voando pra longe, pra se encontrar com fragmentos de outros Dentes-de-leão, ou quem sabe orquídeas, violetas, margaridas, girassóis...
Os vasinhos de violeta que eu coloquei na janela morreram todos, não suportaram a chuva lá fora, nem meus lamentos aqui dentro. Tentei prendê-las, tentei prender-te, tentei prender-me...então as folhas secaram e elas morreram sem nunca saber o que era estar fora daquele pequeno vaso.
Quando eu deixei você ir plantei meus Dentes-de-leão por todo o jardim, e adivinha? Eles se adaptam a qualquer clima! Então todo dia eu preparo o meu café e me sento no jardim, pra olhar minhas flores dançarem ao vento...indo embora um pouquinho a cada dia, mas nunca me deixando completamente. Liberdade! Acho que é isso...e eu as amo...minhas pequenas flores. E elas espalham meu amor pelos ventos o ano inteiro...me trazendo beija-flores em recompensa.


kamilatavares.

sábado, 10 de novembro de 2012

O vaso


Nunca consegui explicar minha razão por ter ficado sempre, por ter perdoado sempre, por não ter dado ouvidos aos amigos, ter abandonado os psicólogos, largado os remédios... mas hoje eu sei.
Peguei o espaço vazio em mim, aquele que me perturbava desde pequena, pra carregar um pedaço do coração dele, que é tão pesado que não dava pra ele levar sozinho...é...eu sei...ninguém entende porque hoje em dia tudo é troca, tudo é interesse, tudo tem uma ida e uma volta...e eu não ganho absolutamente nada com isso aos olhos alheios. Pra quem vê de fora eu só perco! Talvez seja verdade, mas tem um nó na minha garganta que não me deixa pensar em mais nada além do quão grande o amor pode ser, e como ele pode se manifestar de diferentes formas.
Você daria o seu coração pra outra pessoa carregar por você? Entregaria um pedaço da sua vida de olhos fechados sem a mínima dívuda de estar fazendo a coisa certa? Confiaria em alguém pra cuidar do seu bem mais precioso? E se não fosse bem cuidado? Consegue perceber a impotência que isso causa?
É muita responsabilidade, carregar duas vidas assim tão complicadas juntas, como se enfiassem um pedaço de outra alma dentro da minha...é pesado. Passei a noite agonizando, talvez fosse uma cirurgia invisível. Abafei meus gritos, derramei meu choro até precisar de um novo travesseiro, me enrolei em todos os lençóis pra me livrar do frio...mas acordei viva!
De agora em diante preciso ser duas vezes forte...não cabe mais raiva em mim, não pode! Me livrei de tudo quanto era coisa ruim e negativa só pra caber o amor dele, vou ter que cuidar de mim pra não deixar morrer o amor dele...vou virar amor também, pra inspirar o amor dele e esquentar meu coração, pra não esfriar o amor dele.
Sou tão pequena pra tanta coisa...mas quero fazer o certo mais uma vez! Minha mãe uma vez disse que todo mundo tinha uma missão no mundo...cresci sabendo que certos tipos de amor não foram feitos pra mim...mas talvez seja por isso...talvez eu seja feita pra guardar isso...e livrar um pouco do peso do outro! Se eu não for? Bem...pelo menos um dia eu vou poder dizer que já fui um vasinho de amor!


Kamilatavares.

sábado, 3 de novembro de 2012

"Um café, por favor!"



Atravessei a cidade numa tarde estranhamente fria, pensei milhões de coisas enquanto o ônibus dava voltas pela cidade barulhenta, e até tirei fotos de umas flores que vi nascer num canteiro de concreto.
Decidi fazer algo de novo, dentro das poucas possibilidades daqui, mas usualmente quando eu saio só alguma coisa de legal acontece, não sei se é porque nunca tenho expectativas, ou se é porque sair só seja algo realmente lucrativo.
Por já ter ido em quase todos os lugares daqui, decidi parar em um café naqela rua escondida do outro lado da cidade, quase nunca passo por ali, seria algo interessante.
Quem me conhece sabe que eu não bebo café. Meu pai toma tantas xícaras por dia que eu meio que abusei por osmose, e o gosto nunca me atraiu, embora seja uma bebida tão amada por todos. Então me desafiei a tomar um café...o lugar era charmoso e agradável, então peguei o cardápio e sem me preocupar muito pedi o café com o nome mais complicado possível, pra nem correr o risco de saber o que tinha ali, nada poderia ser pior que o próprio café.
Acho que é isso que as pessoas solitárias fazem...se sentam em cafés no fim da tarde com seus fones de ouvido e livros, buscando alguma paz quem sabe...então lembrei que tinha um livro na bolsa, ainda estava na metade da leitura.
Nessas horas a gente espera aquela cena de filme, onde alguém te interrompe pra comentar o quão bom aquele livro é, perguntar o que você está ouvindo, trocar comentários sobre o tempo, os filmes, as bandas...e no final ela é o grande amor da sua vida, bem ali, vestindo jeans e camiseta e te sorrindo um sorriso tímido.
O café era estranhamente cremoso, acho que tinha caramelo também...esperei uns 10 minutos pra terminar de tomar porque o primeiro gole quase queimou a minha língua. Olhei a mesa do outro lado e um grupo de 4 meninas tiravam fotos dos seus respectivos cafés. Engraçado a necessidade que a gente tem de que todos saibam até o que nós bebemos. E mais engraçado ainda o paradoxo de como essas mesmas pessoas odeam que outros se metam em suas vidas, que já são tão expostas por eles mesmos...e fiquei ali pensando antes de voltar pra minha leitura.
Pedi uma torta de limão, uma das minhas preferidas...o café nem era tão ruim assim, mas queria tirar o gosto e limão era o candidato perfeito pra isso...alguma música do Pink Floyd começou a tocar...um conhecido entrou no café, pediu alguma coisa e foi embora...não dei muito espaço pra conversa além do "boa tarde, tudo bem?"...e fora isso absolutamente nada aconteceu, exceto por um menino que não parava de olhar a capa do meu livro, mas não teve coragem de interromper a minha concentração, e eu acho que também não permiti que ele se sentisse confortavel para tal.
Talvez a vida seja uma tarde em um café, sem emoção. Ou talvez eu seja só uma observadora esperando virar um personagem com alguma visibilidade. Só sei que eu vou voltar pra experimentar os outros cafés, e só depois disso eu vou dizer se é realmente tão ruim assim...talvez eu até goste de algum café do cardápio e deixe o menino me interromper e perguntar alguma coisa sobre aquele livro. E eu conte pra ele o meu estranho habito de sentar cafés só pela torta de limão.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Realidades astrais.


Eu andei checando aqui e ali, a gente seria o casal perfeito sabia?! Aliás, já quase somos...a ao mesmo tempo nunca fomos. Dá pra entender isso? Pois é, eu também não!
Você aparece todas as noites nos meus sonhos, sem pular nenhuma! Nem que seja por cinco minutos, pra me dar um "Olá"...é claro que você nunca soube disso, porque eu cultivei essa mania de esconder o melhor. Mas lá, no meu mundo, a coisa funciona! É como se os muros fossem quebrados...não sei explicar. As dificuldades existem...mas lá elas são superadas!
Enquanto isso, aqui eu me entorpeço de romances daqueles que eu vivo dizendo que não gosto de assistir, e fico escutando aquela música repetidas vezes em segredo, pra ninguém saber, enquanto compartilho algo engraçado e sorrio, "está tudo bem"...enquanto ganho novas manias matinais daquelas que eu sei que só você aguentaria, e olho a combinação dos nossos signos no horóscopo.
Mas eu sei, desisti de tentar ter aquela vida maravilhosa que eu poderia ter se lutasse. Não sou lutadora...reconheço. Eu caio no conformismo da situação, talvez por medo de perder o que eu nem tenho...e vou achando que se está assim, é porque é assim que tem que ser.
Talvez com os anos eu me arrependa, talvez me levante amanhã com garra pra mudar essa situação, talvez escreva só mais um texto sobre como eu seria feliz se talvez eu tivesse você, assim de verdade sabe?!

Kamilatavares

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sobre o que eu não sei...

Nem precisa procurar muito pra achar o passado dela, uns dois segundos segurando a barra de rolagem e as lágrimas já começam a aparecer...como a gente se torna emotivo em certas horas do dia não é mesmo? Basta o céu mudar de cor que já nos sensibilizamos e ficamos a mercê de alguém que nos dê uma cena de final de filme bonita.
O motivo pelo qual procuro essas coisas, ainda não sei! A gente se martiriza por uma porrada de coisas na vida, principalmente por ser humano e tão vulnerável. Os anos passam aos montes em meio as horas que passam rápidas nos dias que passam tão lentos, e messes que se arrastam e se acumulam em um demorar que quando a gente olha pra trás, dois ou três anos parecem dois ou três dias...longos dias cheios de mudanças de estação e personalidade. É bonito o relativismo do tempo não é mesmo? 
Ao mesmo tempo em que o tempo é esse senhor tão bonito, como bem disse o Caetano, pode nos mostrar um lado perigoso, como todo detentor de 
beleza no mundo, tem suas armadilhas; e é nessa que a gente cai.
Tão maravilhoso o passado, cheio de coisas que queremos esquecer e que nos prendem! A dor é de saber que muito dali não volta nunca...a dor é saber que tudo o que foi feito ali não pode ser mudado...quantas horas desse tempo relativo nós perdemos em pensamentos sobre o ontem? O meu ontem...o ontem dele...o ontem dela...o nosso hoje!
"Cuidado meu bem, há perigo na esquina", há perigo nas escolhas...há perigo dentro de nós, e talvez este último seja de todos o maior perigo! Passo pelas pessoas e escuto o Tic Tac de suas bombas internas prontas para o show de explosões...somos seres prestes a explodir! Mas nos guardamos no íntimo de nossas lembranças...olhando o mosaico das nossas vidas, tão cheias de coisas maravilhosas e assustadoras!

Kamilatavares.

Goodbye


baby i'm gonna leave you
i gotta be strong
i'm trying for such a long time
but now i'll do it!

baby don't think i'm bad or something
i love you like i never loved someone before
and that's the big problem
i can't handle it
i need a normal relationship.

baby i'm gonna leave you
and it's hurtin' more than you think
here comes the sun, and here i go
don't search for me, please
you may found me, and i'll want to come back
you know i'm not that strong
but i try to be

baby i'll always love you
and you'll see that every day
when you get tired to work
every sunday at the football game
every time you need a beer
every movie that you'll watch

I may found some other love, my darling
and that's why i'm doing this
but i'll always remember you
in fact, i already do!

Kamilatavares.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pandora



Havia esse garoto, e desde o dia em que me lembro de ter prestado atenção nele que as pessoas vinham até mim me dizer coisas das quais eu não estava de fato interessada. A maioria dessas coisas? Sim, eram ruins.
Me disseram pra não confiar nele, me disseram pra correr pra bem longe, me disseram pra não ligar, me contaram o que ele fazia com as pessoas, me mostraram as marcas de seus sofrimentos, me relataram as interrogações que ele exalava sobre sua personalidade, sobre um mistério que ninguém sabia qual era, me contaram coisas sobre traição, confiança, mentiras, verdades, perfeições e imperfeições...
Mas o que nenhuma dessas pessoas sabia - e não seria eu que iria contar - é que eu sempre fui uma criança curiosa, que quando pequena, se me mostrassem uma caixa de monstros, eu dava um jeito de abrir só pra ver como era! Sim, eu era uma pequena Pandora, meu irmão assim me chamava desde os meus cinco anos, na falta de um nome melhor pra descrever a irmã pequena de cabelos desarrumados e olhos pretos grandes e curiosos; calada na frente dos estranhos, mas um monstrinho correndo atrás do ninho da cobra quando sozinha.
Pois essa menina, de certa forma ainda vive em mim, então eu fui lá ver que tais monstros eram esses que habitavam aquele menino de sorriso bonito e papo ensaiado. Engraçado foi como os monstros dele conversaram com os meus; não tenho medo de mudar de opinião com o passar do tempo, mas o tempo passou e eu ainda afirmo que nossos monstros eram da mesma espécie!
Então eu falei pra ele que todos o achavam maravilhoso, e enxergavam seus monstros como grandiosos cavalos alados, e falei que quem não os visse como cavalos alados ou como uma fênix pairando num fim de tarde, não era digno de estar perto dele, e foi assim que o menino aprendeu a conviver com seus monstros, e melhor! Tentar de fato transformar imperfeição em beleza.
Eu também, não poderia ficar imune, já que acabei me envolvendo na história do garoto; e vejam só, logo eu...acostumada a querer abrir a caixa de Pandora de todo mundo, tive que abrir a minha pra ele!
Buscar os monstros dos outros me ajudou a perceber que todo mundo tinha monstros como os meus, mas os meus...eu escondia! Mostrava todos os meus cadeados dourados, minhas fechaduras, cofres com inimagináveis combinações numéricas e feitiços que faziam todo mundo pensar que eu era de fato louca; e até exibia algumas cobras, escorpiões, e um pequeno dragão...mas os meus monstros mais frágeis, eu escondia. Eles estavam todos doentes por falta de exposição ao Sol.
Treinei os dragões do menino, e ele domou meus leões, mas não se apaga o instinto, só se consegue disfarçar. Eu sabia que ele ia fazer o que me disseram, só iria demorar mais, porque de certa forma - pelo menos por enquanto - ele precisava de mim. E quando não precisou mais, ele de fato me abandonou, e eu voltei a usar cadeados...então ele voltava, e eu mostrava que eles não estavam de fato trancados.
Lidar com monstros é fácil, mas com o coração das pessoas é impossível...então eu resolvi me preparar pra abandonar o menino também. E assim o fiz...depois voltei, não sei porque. Na verdade sei! Mas não digo, porque ainda sou aquela menina teimosa.
O fato é que todo dia quando o Sol nasce eu arrumo as minhas malas, e toda noite quando ele chega eu desfaço elas, ali meio que escondido, e destranco o cadeado.

Kamilatavares.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sobre mais sonhos malucos...


Hoje eu tive mais um daqueles sonhos malucos que eu vivo relatando em textos de primaveras que nunca vivi, encontros em estações de trem e conversas com sombras coloridas em bancos de praça; mas hoje, especialmente hoje, eu acordei querendo compor uma música.
Peguei o violão, a melodia já estava pronta, só precisava procurar, mas as estrofes ficram incompletas, não gostei de nada, me senti meio frustrada, sei lá...acho que não tenho (ou nunca tive) tato pra música...poucas são as vezes em que eu consigo colocar acordes em algo amoroso, sempre musiquei minha agressividade, tentar me encontrar em uma postura diferente não é fácil...mas já consegui algumas vezes, consigo mais uma!
O negócio é que eu li um texto, e bixo, desandei a escrever...no momento, as palavras me fluem mais quando não rimam, e a leitura é feita em silêncio! Pois é, as pessoas mudam, e eu espero gostar dessa nova versão de mim, que em certos aspéctos é até parecida com uma antiga Kamila tocando violão sozinha no seu mundo, sem platéias, sem pressão, sem burburinhos...
O outro negócio, é que eu sonhei que tinha um filho! E adivinha? Eu estava feliz! No sonho eu estava no banheiro escovando os dentes e uma voz masculina do outro lado do box tomava banho rindo e cogitando nomes, eu ia descobrir naquela tarde se seria mãe de uma menina ou de um menino! Na cama? Listas de nomes, sapatinhos, roupinhas minúsculas com os símbolos do Pink Floyd, Beatles, Ramones...bilhetes das minhas amigas, murais de fotos, prateleiras cheias de livros e discos de vinil...eu não morava mais com meus pais.
Não faço ideia de quantos anos eu tinha nesse sonho, mas parecia que 10 anos haviam se passado, e ao mesmo tempo 10 dias, pois me sentia a mesma - com uma barriga bem maior - mas ainda assim, a mesma.
Gi (que 10 anos ou 10 dias depois, continuava minha melhor amiga) me ligava gritando de alegria e curiosidade pra saber qual o sexo do novo sobrinho ou sobrinha, e pela primeira vez eu não disse que queria um menino...mandei ela se acalmar e disse "Não importa, menino, menina, com saúde, sem tanta saúde assim...o importante é que venha!" enquanto ela ria e gritava que se fosse uma menina eu não chamasse de Júlia, porque é o nome da filha dela, ninguém pode usar.
Era uma sexta, eu comentava sobre os meus seis meses sem beber nem fumar, e me sentia muito bem vestindo o mesmo vestido amarelo que me recordo de ter visto em uma foto da minha mãe grávida de mim. A vida é mesmo um ciclo...
Acordei com um misto de medo e riso; quando criança dizia que nunca teria filhos, ou me casar e ter uma família...dizia que ia viver só, ia morrer velhinha, viajada e cheia de livros, com um filho adotado talvez, ou em um apartamento cheio de cachorros, porque nunca gostei de gatos; mas quer saber? Não importa...Que eu morra só, ou me case e tenha filhos, ou adote alguns, ou seja a velhinha da rua que mora com 10 cachorros, 50 gatos, 300 coelhos...que a vida venha, com saúde, sem saúde, com família, sem família...o importante é que a vida passe por mim, e que eu passe por ela sabendo aproveitar e aprender o que tiver de aprender!

Kamilatavares.

Ah, a vida!

Ela me estapeia, e me consola... me mostra coisas que eu não queria ver mas já saio olhando só pra me machucar, e depois me fala que tudo aquilo machucou ela também, e que eu, assim como ela, vou saber passar por isso. Nenhuma palavra é dita, mas milhões delas são trocadas em meios sorrisos, olhares furtivos e alguma espécie de telepatia maravilhosa que até me assusta, mas ao mesmo tempo me faz be
m; Me resta soltar o ar que ficou preso e ver que eu não enlouqueci sozinha, tem gente enlouquecendo pelo mesmo motivo aos montes por ai todos os dias, passem elas por nossas vidas ou não...mas ela...olhou pra mim como se eu fosse o ontem, e eu...olhei pra ela assustada sem saber se aquele seria o amanhã. Ela sabe, eu sei que ela sabe...e ela sabe que eu sei também...o amor tem uma cor diferente pra cada um...
A vida, por vezes, tão maravilhosa e entorpecente, que a própria vida parece com alguém sentado ao lado na mesa do bar, dividindo uma cerveja e falando sobre a vida...





Kamilatavares.

domingo, 14 de outubro de 2012

Hello Stranger

Sabe começo de filme bobinho, daqueles românticos que a gente assiste agarrada com um balde de pipoca esperando voltar a acreditar no amor? Foi mais ou menos assim. Aquelas coisas que acontecem e te puxam o tapete de uma forma positiva quando você menos espera; pois é! Esse é mais um daqueles sobre estranhos que a gente encontra por ai.
Eu não andava (e pra confessar, essa situação ainda não mudou) nos meus melhores dias, emocionalmente falando... já tem alguns meses desde que eu decidi me aquietar, pisar no freio, me sentar e olhar em volta  pra tentar enxergar algo que eu não via antes; então resolvi passar o feriado fora pra olhar pro mar e me acalmar...pensar em coisas boas, me rodear de quem só me passa energia boa...me renovar!
Deus sabe o quanto eu sou desastrada, e é ai que a parte toda dos filmes entra! Entrei tropeçando no ônibus, derrubando a bolsa na tentativa de encontrar minha passagem e descobrir onde diabos eu ia sentar, depois que achei a passagem e me reequilibrei de um tropeço (Tropecei no meu próprio vestido, falta de costume de usar longos), então ele estava lá, de xadrez e sorrindo da minha performance atrapalhada, e era justamente ali que eu iria sentar! Ele se levantou e me deu passagem, antes que eu caísse mais uma vez, agradeci e me sentei; cada um pegou seu fone e virou pro outro lado, pra minha felicidade eu estava sentada na janela, então tinha com o que me distrair...
Eu queria, sei lá, falar com ele...mas me deparei com uma timidez tão grande que tive até medo, fiquei vermelha só de pensar, então fiquei na minha pensando sobre o quão legal ele seria, me perguntando que música ele estava escutando, se tinha um gosto musical parecido com o meu, o que ele gostava de ler, estudar, escutar, assistir...imaginei mil coisas a respeito daquele menino que eu nem sequer sabia o nome...imaginei tanto que adormeci na timidez da minha poltrona, e fui acordada minutos depois com as luzes de acendendo nos meus olhos.
Ele olhou pra mim se sentindo igualmente desconfortável com as luzes nos olhos, também estava dormindo...agora sem os fones de ouvido, ele ria de um bêbado que conversava com todos algumas poltronas a frente, então entrou o famoso cara do lanche.
"Eu sempre me pergunto de onde esse cara do lanche vem, não é?" Sim! Ele puxou assunto comigo.
"E eu pra onde ele vai depois que desce no meio do nada!" E de fato eu sempre me perguntei isso...
Ele continuou sorrindo pra mim e começou a falar sobre a dor nos olhos quando ligaram as luzes, sobre a sede que ele sentia, sobre as conversas do bêbado, e então ele comprou uma Coca-Cola e continuou conversando...me perguntou porque eu estava fugindo pra praia, se tinha alguma festa legal pra ir, o que eu estudava, onde estudava, o que eu queria escrever na monografia...e eu fui respondendo. Então não me aguentei e perguntei o que ele estava escutando, e começamos a falar do meu assunto preferido: MÚSICA! Ele ama Pink Floyd tanto quanto eu, e os Beatles e tudo mais que eu considere bom! E me falou dos amigos, do curso...de inúmeras coisas...e derrubou Coca-Cola na roupa, passamos um tempo rindo e falando sobre a nossa capacidade de derrubar coisas, tropeçar, trocar as palavras...aliás, acho que eu nunca gaguejei tanto...
No final, é claro, descobri que ele tinha/tem uma namorada ou algo assim, e também que já tinha me visto em alguns lugares por ai, e meio que me conhecia de vista, embora eu nunca o tenha visto! Trocamos apenas nossos nomes, e eu sinceramente não sei se o verei novamente, mas é verdade viu?! A gente vive reclamando (pelo menos eu faço isso todo dia) que as pessoas são as mesmas, os lugares são os mesmos, a vida é a mesma...mas uma pequena mudança de rotina pode nos abrir um leque de possibilidades inimaginável. Hoje é um estranho que você conhece num ônibus e talvez nunca mais o veja, e amanhã? O que pode vir de novo?


Kamilatavares.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O mundo perfeito que eu desenhei.


No mundo perfeito que eu desenhei, todo dia era ensolarado e frio, o vento sempre fazia sons de paz quando batia nas plantas, na rede, na janela, todas os dias começavam no fim da tarde, com o céu bem bonito e todos os passeios eram livres de trânsito e sem limite de velocidade.
No mundo perfeito que eu desenhei, minhas panquecas nunca queimavam, os sorrisos nunca faltavam, nem os abraços e beijos eram racionados, e a música nunca parava, mesmo quando tudo era calmaria, sempre havia alguma melodia.
No mundo perfeito que eu desenhei, os cabelos estavam sempre molhados, as mãos cheirosas, os lençóis limpos, o café quente, o violão afinado, a lista de filmes pra assistir renovada, as cervejas geladas e as pessoas certas estavam sempre por perto.
No mundo perfeito que eu desenhei, você estava sempre lá, e a gente conseguia o que tanto procurava, no meu mundo perfeito aquele amor não acabava.
Mas o mundo perfeito que nós desenhamos, existe só ali no papel, como objetivo pra gente lutar, mas quem se cansa como eu...se senta na grama num final de tarde...aquele final de tarde, pega o lápis e desenha mais, adormece e sonha, sorri enquanto dorme, porque acordar por vezes é cruel!
No mundo imperfeito que foi desenhado pra mim, vou me conformando com os fragmentos de desenhos que consegui encaixar, e aproveitando o infinito das coisas finitas, pra poder sonhar mais, e não me desanimar.
No mundo imperfeito que desenharam pra mim, consigo extrair dias de mundos perfeitos que eu insisto em desenhar...

Kamilatavares.

Free falling.


i love you, you love me
but we're not enough for each other
there's always something missing
we're always looking for something
or someone
we're always a little bit empty
'cause things are not made to be perfect
love is not as free as our minds
but we'll fall together...yes we will.

Kamilatavares.

domingo, 7 de outubro de 2012

Sobre os sintomas


O coração de repente congela, de fato
dá pra sentir o sangue parando, os olhos arregalando
procurando qualquer apoio, qualquer segurança
as mãos tremem, as palavras faltam
as lágrimas sobram.

é tão irreal
tão ilusório
e você sabe tanto disso
você escuta a sua voz gritando "ACORDE, ISSO FICOU NO PASSADO"
mas não se escuta, sua pressão abaixou muito pra ouvir qualquer coisa racional...

Sempre classifiquei o ciúme como coisa de gente irracional
maluca
desequilibrada
insegura
e adivinha só? é isso tudo mesmo
e adivinha mais uma coisa: a gente sente isso tudo vez ou outra por ai nessa vida doida.

E a gente não sabe se chora de ciúme, de amor, de ódio, de medo ou do papel de idiota que a gente faz de vez em quando...
é medo, medo de perder, medo de mudar, medo de se readaptar
medo de abrir os olhos e ver outro sorriso te sorrindo, ou não ver nenhum
medo de dormir com frio, medo de parar de escutar aqueles CD's todos pra não ter lembranças intragáveis
medo de explicar pra todo mundo o que aconteceu
medo de ver todas as suas noias tomando forma...

E tudo isso? vale o preço de gostar de alguém? Me pergunto as vezes
a gente já sabe tanto que vai perder a paz, e insanamente vai se afundando, e achando lindo
engraçado o ser humano...mas dessa vez é diferente não é mesmo?
Sempre é...
sempre foi...
sempre vai ser...

Com cada um a gente perde o juízo de um jeito diferente.

Kamilatavares.

sábado, 22 de setembro de 2012

Sobre o balanço e as despedidas

Eu não me lembro exatamente quando ele chegou, talvez antes mesmo de eu ter vindo ao mundo...só lembro que ele sempre esteve lá em cada volta pra casa, em cada fim de tarde...
Aquele balanço feito de ferro, preso ao chão... que já foi um dia branco, vermelho, amarelo... foi o meu companheiro de todas as tardes, desde a época em que não conseguia tocar o chão com os meus pés, e precisava da ajuda do meu irmão pra me balançar, até o dia em que eu fiquei tão grande que mal cabia nele... sempre!
Lembro que eu tinha uns 6 anos, um amigo do meu irmão se sentou nele, segurando sua cerveja e rindo e eu cheguei autoritária demarcando o meu território ordenando que ele se levantasse, como ele não o fez, em vingança dei-lhe uma martelada no joelho...e até hoje essa história é contada quando o tal amigo vem nos visitar.
Eu chegava todas as tardes da escola, jogava a mochila e ficava ali por horas me balançando...olhando pro céu...esperando o jantar. Brincava de bicileta, jogava bola, soltava pipa...mas no fim de tudo eu entrava em casa pra me balançar...e assim foi a minha vida toda.
Quando eu entrei na faculdade e cheguei em casa cansada e feliz depois do primeiro dia de aula, não vi o meu balanço no jardim...minha primeira reação foi entrar em casa gritando tão autoritária quanto a kamila de 6 anos com um martelo na mão exigindo satisfações sobre o paradeiro do meu balanço, e encontrei o meu pai, uma caixa de ferramentas e uma pilha de barras de ferro desmontadas e lixadas, sem cor alguma! Meu pai, por sua vez, olhou pra mim e disse "Já estava na hora...eu vou trocar a grama...e você cresceu".
Com toda a informalidade que o momento pede, eu tenho que dizer que bixo, eu choreeeeeeeeeeeeei sentada no batente do terraço olhando pro vazio do jardim, sem ter onde me balançar...chorei feito criança meu amigo! Mas passou, eu cresci.
Se passaram mais ou menos três anos desde que o meu balanço havia sido desmontado, e uma semana antes do aniversário de 6 anos do meu sobrinho, eu entro em casa e sinto um cheiro de tinta forte...quando cheguei no quintal o meu balanço estava lá, montado, vivo outra vez e com uma cor de ouro linda...a tinta estava fresca então não pude me balançar, mas olhei pra ele por um bom tempo, quando meu pai chegou e disse "Eu montei o balanço de volta, vou dar de presente a Arthur"...eu olhei intrigada e perguntei "Mas o balanço não cabe lá...vai ter que ficar aqui em casa" e uma ponta de felicidade me invadiu, só pela possibilidade de ter o meu balanço de volta; então meu pai me olhou e disse "Ele se muda pra Caruaru na semana que vem, foi decidido de última hora, e o balanço cabe lá na casa nova!... Esse balanço já foi do seu irmão, seu...e agora é a vez dele...e assim por diante..."
Uma semana se passou, meu sobrinho completou seus 6 anos, escolheu como tema do aniversário o meu desenho preferido, porque de alguma forma ele já sabia que nossa convivência diária iria diminuir drasticamente, e então hoje ele pegou suas malas, meu balanço, um pedaço do meu coração e foi embora.
Nessas horas eu percebo a dor que me causa essa história de ter que crescer...de saber que com o tempo a gente vai ganhando maturidade ao passo em que vai perdendo certas coisas, e também certas pessoas. É fato que eu não perdi o meu pequeno, mas não vou ter mais ele aqui todos os dias comigo, brincando de Jaspions e escutando Motorhead, e é fato também, que eu vou ter que aceitar o fato de não ser mais a menina durona segurando um martelo pra ameaçar quem quer que chegue perto do seu balanço.

Time to let it go!

Kamilatavares.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A ida...a volta...

E foi nessa de "deixe ir, se voltar é seu" que eu fui perdendo muita gente por ai, mas olha mesmo, ele voltou como um filho pródigo, e todo dia ele abre mais os braços e aumenta mais o sorriso quando me vê. Eu por minha vez, morro de medo de ver ele ir mais uma vez e dessa vez não voltar mais...ainda não aprendi a conviver com as inconstâncias alheias...não sei se viro amor ou orgulho diante disso.
Só sei que é como se algum personagem de final de filme baseado em fatos reais se sentasse no banco da praça ao meu lado e pousando a mão no meu ombro falasse que nós de fato estamos fadados ao fracasso da eternidade de saber que fomos feitos um pro outro e ao mesmo tempo nunca vamos dar certo, e vamos ter uma vida pra fracassar buscando um ao outro em outras pessoas...só pra depois voltar ao local de origem e respirar fundo naquele abraço de "é, nós tentamos...mais uma vez".

Kamilatavares.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Coma

É uma insuficiência respiratória, cardíaca, sentimental...uma falência múltipla do amores dentro da gente que hoje em dia vivemos em coma, entubados e presos em nossas macas recebendo aquele soro de ideias ultrapassadas, preconceitos doentios, julgamentos, opiniões negativas, intrigas, energias negativas...
Precisamos largar desse vício de viver na amargura, de reprimir o que é bonito, de deixar morrer na garganta aquele eu te amo, de privar os nossos braços de outros braços, nossas mãos de outras mãos...
Acordei com essa sensação de não desistir, de reverter o quadro clínico desse amor que só machuca, que só nos faz trajar o luto da falta de esperança nas pessoas, da descrença... acordei querendo ver sorrisos, sentir abraços e respirar fundo aquele ar fresco na sombra de alguma árvore...
Eu quero sair do coma, gritar poemas de Vinícius de Moraes, ser clichê mais uma vez na vida, deixar a máscara de menina de gelo cair...quero um recomeço!

"É meu amigo só resta uma certeza, é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor..."


Kamilatavares.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Labirinto.

Fui tão longe no labirinto dele, derrotei tantos monstros e consegui voltar inteira de tal forma que isso o assustou! Agora eu sei todos os segredos, todas as passagens secretas, os caminhos de ida, de volta, as regras, as brechas...se ele vacilar eu vou saber!
Então o rei da terra dos labirintos, vendo que eu havia vencido todos, me baniu de suas terras, porque eu agora, sabia o que se passava sob sua coroa, sabia os truques de falsidade e as mentiras que seguravam seu status como os pilares que seguravam os templos.
Olhar pra mim era como ver nos meus olhos quem ele realmente era por trás da pompa, e ele não gostava do que via, ele não queria o espelho das inseguranças, dos corações partidos, dos amigos abandonados como objetos, das cabeças nas bandejas de prata... ele não queria ver a língua venenosa por trás do sorriso bonito, nem as mentiras ao som daquela voz doce...não queria ver o beijo da morte nem o afago do abandono...
Mudar é difícil...é mais fácil banir aqueles que nos querem verdadeiros, despidos das atuações diárias do que expor o verdadeiro eu em praça pública! E é assim que a vaidade se alimenta de nós, nos sugando aos poucos de forma que só nos damos conta do que está acontecendo quando nos tornamos secos! Porque por ora, é muito mais fácil aproveitar o divertimento diário dos igualmente revestidos de vaidades, pompas e mentiras, do que tentar subir a escada do aprendizado moral pra se tornar uma pessoa melhor.

Kamilatavares.