"Alguém me disse que tu andas novamente
De novo amor
Nova paixão
Todo contente..." (Anísio Silva, 1960).
O primeiro fato a ser contado hoje é que eu passei toda a minha vida cercada pelo seu nome. Nas capas dos discos, nos encartes das coletâneas que meu pai montava e nas histórias que ele me contava aos domingos sobre como Anísio tinha a voz macia e que não se faz mais música como antigamente.
Anísio Silva foi um famoso cantor de boleros nascido em 1920; mas não é dele que eu pretendo falar. Esse Anísio Silva se escreve com Z.
Primeiro o conheci como Diego, o que é um crime para quem carrega em sua identidade um sobrenome tão bonito. Ao mesmo tempo é um presente, pois como se trata de um tesouro antigo, acabo por ser a única pessoa a chamá-lo de Anízio com tal significado.
Suas feições suaves carregam dentro de si um gênio forte! Resultado de suas experiências passadas e histórias ainda não contadas; mas em volta do meu corpo seus braços são só carinho.
Chovia um pouco quando tentei sem sucesso me esconder no estacionamento do restaurante pra fumar sem ser notada. Só me lembro de sentir um abraço forte que veio do nada e da voz dele me falando o quão era bom ter outro fumante ali, pois ele era o único até a minha chegada. Não me disse seu nome nem gravei seu rosto até dias depois quando ouvi alguém falar com ele e o chamar de Diego.
Desse dia em diante começamos a nos ver mais, conversar mais e nos desembrulhar-nos mais desse mistério que é conhecer o universo de outra pessoa.
Nossos mundos sempre andaram em paralelo sem nunca colidirem, e cada dia ele me presenteava com um fato novo que me levava a crer que eu estava mesmo no lugar certo.
Veja bem...Ele ama a neblina e a forma com que ela cobre os prédios, e gosta de observar a lua e imaginar como estaria o céu sendo visto de uma cachoeira.
Quando ele quer soar mais formal, a voz dele ganha um sotaque que não sei de onde veio, mas acho muito bonitinho.
Ele também tem a voz de quando fica muito muito puto com alguma coisa, quando todas as frases se encaixam nos intervalos de vários "vai se lascar", a voz de cansaço, de quem chegou depois de um cochilo bom e a voz animada de "preste atenção nessa história".
Ele tem um jeito muito engraçado de cantar e mais engraçado ainda de dançar...o que me lembra muito meu pai cantando e dançando pra minha mãe na cozinha enquanto ela fazia o jantar.
Meu pai inclusive adorou a visita dele assim de surpresa...igualmente encantado por ele se chamar Anízio. Não é fácil pra mim deixar alguém entrar assim na minha vida e marcar um café com papai...mas não sei como ele chegou escancarando as portas e arrancando minha carcaça sem cerimônias...como se a gente se conhecesse a vida toda.
Apesar de nos vermos diariamente, nosso tempo é muito pouco. Talvez por isso eu tenha a sensação de que na maioria das vezes ele está com pressa. Temos sempre um horário a cumprir...o que nos levou a criar uma rotina:
Ele me da um abraço de bom dia, me pergunta como dormi, me conta de sua insônia, fumamos um cigarro, eu geralmente almoço...Ele pula a refeição e fica beliscando, durante a tarde ele aparece fazendo algum prezepe pra me fazer rir. Geralmente um dos dois eventualmente se estressa...ou os dois ao mesmo tempo.
Às 18:30 ele volta sonolento...Eu já estou lá. Ele arruma os cabelos no retrovisor, me abraça forte, me aperta, conversamos e voltamos ao trabalho. O cheiro dele fica em mim por umas duas horas...Deus como é cheiroso. Nos estressadmos novamente e se eu saio mais cedo, espero por ele.
Voltamos pra casa e eu venho assanhando os cabelos e ele dando os tremiliques dele com o frio, e sempre acontece algo que me faz soltar uma gargalhada. Ele me arranca risos de todas as formas.
Já em casa, por breves minutos temos nossa dose de cappuccino e paz. De compartilhar músicas, falar de filmes e fazer tudo aquilo que fora daqui não podemos...Essa é a melhor hora do dia.
Inclusive falar de filmes não é seu forte. Descobri isso essa semana quando ele foi me indicar um filme e me contou o final e tudo.
Mas eu adoro quando ele me fala de música e me conta histórias...
Ele não tem uma árvore preferida, mas tenho a sensação de que se um dia ele tiver...será Ipê amarelo;
Ele tem uns cabelos brancos que eu amo, mas ele insiste em cortar;
Quando termina o expediente ele solta a camisa de um jeito muito bonitinho;
Ele tem a mente suja e sempre me fala umas coisas muito baixinho de propósito porque ele sabe que eu não vou escutar, daí eu sempre fico perguntando o que foi e ele ri da minha cara e diz que nao vai repetir;
Ele sente cócegas diferente das outras pessoas...ao invés de rir ele da um grito e pula como se tivesse tomado um murro E EU ACHO MUITO ENGRAÇADO.
Ele tem uma mania de me dar uns apertos como se fosse um desfribilador ou como se ele fosse me salvar de um engasgo...E isso um dia me deu um refluxo desgraçado; mas eu continuei deixando ele fazer isso porque ele faz uma cara de guri ruim na hora que eu nem sei como faz pra lidar;
No aniversário dele eu escrevi à mão uma receita de carbonara com todas as dicas possíveis: ele fez a receita e foi tirar as dúvidas com um colega nosso...EU FIQUEI COM MUITA RAIVA, até ele dizer que só queria me mostrar quando aceitasse 100% aí eu achei lindo né?!
Ele ri toda vez que beija a minha mão e eu falo "Oh, Gómez!"
Eu deixei ele ler um texto meu sobre ele e me mostrei vulnerável pela primeira vez;
Ele confessou que estava com medo de se apaixonar e se mostrou vulnerável pela primeira vez;
Semana passada ele me prometeu que viria, por sempre acreditar em promessas acabei esperando a noite inteira sem resposta; no dia seguinte ele notou minha insatisfação e tivemos aquilo que julgo ter sido nossa primeira discordância. Quando ele não quis olhar pra mim e me tratou com rispidez eu fiquei não nervosa que nem trabalhar direito eu consegui...corri chorando pro banheiro, me olhei no espelho pra lavar o rosto e pensei "puta merda hein?! Medo é pouco...Eu tô é apavorada!!"
Tudo dentro de mim virou do avesso com medo de perde-lo. Não tive sossego até ele voltar e me dizer que foi uma brincadeira (DE PÉSSIMO GOSTO). Mas naquela hora eu percebi que por mais breve que o nosso tempo seja, um dia sem ele já me causa uma terrível saudade.
Como não sentir saudades de alguém que não tem problema algum com a presença da uva passa no arroz da ceia de Natal? IMPOSSÍVEL.
Ele tem esse ar de estudante de filosofia que largou o curso no segundo período e nota essas coisas que eu falo e penso que passaram sem ser notadas.
E um maldito sinal ao lado do nariz...
Ele me tira dúvidas gastronômicas e diz que tem muito a aprender comigo, mas eu também aprendo muito com ele (inclusive ele vai me ensinar a pilotar sim).
Hoje ele me levou um docinho, e eu tirei a mancha de pasta de dentes da gravata dele que já estava me incomodando...igual a presilha que eu sempre arrumo quando está torta, e ele em troca dobra as mangas da minha camiseta.
A gente passa uns segundos se olhando e sorrindo um pro outro, que duram horas...E eu sinto meu coração já todo desmantelado se desmanchar inteiro e me dá um frio na nuca por não saber como dizer que eu não quero que ele vá embora nunca, porque depois que ele chegou minha solidão deixou de ser confortável e passou a me tirar o sono; mas perto dele os minutos voam.
"Mas como eu já lhe disse...Eu vivo o hoje!"
E de hoje em hoje eu espero o amanhã.
Kamila Tavares.
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Ventura.
Sonhei com ele e acordei ouvindo o Ventura. Eu sei, já falei pra todo mundo que não gosto de Los Hermanos e muito menos dos fãs deles. Mas alguma coisa sobre esse álbum me faz sentir o cheiro dele quando o vento toca o meu rosto. Fechei os olhos e senti o calor da praia de Iracema o cheiro das cadeiras do cinema do dragão do mar. Salivei a cerveja do bar que hoje em dia é dele e que anos atrás a gente se sentou pra beber pela primeira vez.
Meu coração carrega o grande fardo de não guardar mágoas e ocupar todo o seu espaço colecionando noites de verão e lembranças de antigos amores.
Ele foi minha musa inspiradora maior. Pra ele eu escrevi poemas, contos, livros, compus as melhores das minhas músicas e dediquei noites em claro pensando em formas de fazê-lo feliz.
Imagino que hoje ele esteja bem, e eu acordei nostálgica, assim como tantas madrugadas que passamos conversando mesmo depois da separação. Cada encontro é uma nova história, cada lembrança uma nova saudade, e cada saudade é uma nova etapa dessa coisa que deveria doer mas não dói.
Meu menino do Ceará hoje acordou nos meus sonhos, e dormiu na minha nostalgia.
E que os amores que vivi tenham sempre um espaço de carinho nas minhas lembranças.
Ele é a bossa do Vinícius que eu nunca cantei.
kamilatavares.
Meu coração carrega o grande fardo de não guardar mágoas e ocupar todo o seu espaço colecionando noites de verão e lembranças de antigos amores.
Ele foi minha musa inspiradora maior. Pra ele eu escrevi poemas, contos, livros, compus as melhores das minhas músicas e dediquei noites em claro pensando em formas de fazê-lo feliz.
Imagino que hoje ele esteja bem, e eu acordei nostálgica, assim como tantas madrugadas que passamos conversando mesmo depois da separação. Cada encontro é uma nova história, cada lembrança uma nova saudade, e cada saudade é uma nova etapa dessa coisa que deveria doer mas não dói.
Meu menino do Ceará hoje acordou nos meus sonhos, e dormiu na minha nostalgia.
E que os amores que vivi tenham sempre um espaço de carinho nas minhas lembranças.
Ele é a bossa do Vinícius que eu nunca cantei.
kamilatavares.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
An empty house is not a home.
Agora eu sou o berço da geração de mulheres que usam os homens e os descartam sem nenhum motivo. Todas as vezes em que estive do outro lado do espectro achei que a diversão inteira morava naqueles que me usaram; estando no lugar deles agora, nunca me senti tão vazia.
Uma vez ouvi numa música que "a verdade, meu amor...a triste verdade é que não existe saudade nos braços de outro alguém!", mas a saudade fez morada em mim desde a última vez em que ele saiu pelo meu portão.
Quase dois meses se passaram desde a última vez que o sol despontou na janela, e quando eu acordei ele estava sorrindo ao meu lado. Hoje outro homem ocupa seu lugar na cama; um cara que acabei de conhecer, gente fina, educado, bonito, cheiroso, carinhoso, sexo incrível...mas no fim das contas eu virei pro outro lado pra não olhar pra ele e ver que não era quem eu queria ao meu lado. Quis expulsar o pobre rapaz da minha casa, não consigo deitar ao lado dele, não consigo compartilhar meu sono com ele, não consigo sorrir pra ele...quero o meu amor de volta!
Pra falar a verdade ele volta amanhã! Tenho contado as semanas, dias, horas, minutos e segundos. Preparei um menu especial, vou arrumar a casa inteira pra sua volta. A razão pela qual tem outra pessoa na minha cama? Ainda não sei. Pensei que tendo uma boa noite de sexo com outra pessoa eu poderia apagar aos poucos a falta que ele me faz, o sorriso dele me assombrando todas as noites, o medo que eu tive ao pensar que ele fosse embora de vez e o tremor nas minhas pernas quando ele me abraça forte. Bem...não funcionou.
Depois de tanto apanhar da vida eu me tornei mais racional, fria, cruel...mas ele desperta em mim tudo que há de bom que eu julgava ter perdido, sem nem me perguntar.
Mesmo com tudo isso, nunca tive a ilusão de que ele fosse só meu. Nossa linha de comunicação que eu fiz questão de construir me dá a segurança de que ele tem outras, mas enquanto ele estiver por perto eu não me importo. A distância foi o que maltratou a gente, me enlouqueceu e me desestabilizou por completo.
Amanhã vou almoçar na casa dos meus pais e passar no mercado pra comprar os ingredientes que faltam pra fazer o seu jantar. Preparar suas sobremesas preferidas, trocar os lençóis da cama, apanhar a roupa do varal, pendurar a toalha dele ao lado da minha no banheiro e deixar sua máscara de dormir em cima do travesseiro. Queria dormir, mas com o outro na nossa cama eu não me deito, não tenho paz, não tenho sossego...tenho uma casa, mas não tenho um lar.
Faltam duas horas pro despertador dele tocar pra que eu possa finalmente mandá-lo embora. Pro meu amor, café da manhã na cama. Pro outro, no máximo um copo d'água. Alguns podem até habitar seu corpo, mas quem mora no coração nem a gente consegue escolher.
Queria poder ser todas as coisas que ele precisa. Por enquanto, vou zelar pelo pedacinho dele que mora dentro de mim. Seja bem-vindo, meu bem...você não sabe o quanto eu senti sua falta e as coisas que eu fiz pra tentar esquecer.
Kamilatavares.
Uma vez ouvi numa música que "a verdade, meu amor...a triste verdade é que não existe saudade nos braços de outro alguém!", mas a saudade fez morada em mim desde a última vez em que ele saiu pelo meu portão.
Quase dois meses se passaram desde a última vez que o sol despontou na janela, e quando eu acordei ele estava sorrindo ao meu lado. Hoje outro homem ocupa seu lugar na cama; um cara que acabei de conhecer, gente fina, educado, bonito, cheiroso, carinhoso, sexo incrível...mas no fim das contas eu virei pro outro lado pra não olhar pra ele e ver que não era quem eu queria ao meu lado. Quis expulsar o pobre rapaz da minha casa, não consigo deitar ao lado dele, não consigo compartilhar meu sono com ele, não consigo sorrir pra ele...quero o meu amor de volta!
Pra falar a verdade ele volta amanhã! Tenho contado as semanas, dias, horas, minutos e segundos. Preparei um menu especial, vou arrumar a casa inteira pra sua volta. A razão pela qual tem outra pessoa na minha cama? Ainda não sei. Pensei que tendo uma boa noite de sexo com outra pessoa eu poderia apagar aos poucos a falta que ele me faz, o sorriso dele me assombrando todas as noites, o medo que eu tive ao pensar que ele fosse embora de vez e o tremor nas minhas pernas quando ele me abraça forte. Bem...não funcionou.
Depois de tanto apanhar da vida eu me tornei mais racional, fria, cruel...mas ele desperta em mim tudo que há de bom que eu julgava ter perdido, sem nem me perguntar.
Mesmo com tudo isso, nunca tive a ilusão de que ele fosse só meu. Nossa linha de comunicação que eu fiz questão de construir me dá a segurança de que ele tem outras, mas enquanto ele estiver por perto eu não me importo. A distância foi o que maltratou a gente, me enlouqueceu e me desestabilizou por completo.
Amanhã vou almoçar na casa dos meus pais e passar no mercado pra comprar os ingredientes que faltam pra fazer o seu jantar. Preparar suas sobremesas preferidas, trocar os lençóis da cama, apanhar a roupa do varal, pendurar a toalha dele ao lado da minha no banheiro e deixar sua máscara de dormir em cima do travesseiro. Queria dormir, mas com o outro na nossa cama eu não me deito, não tenho paz, não tenho sossego...tenho uma casa, mas não tenho um lar.
Faltam duas horas pro despertador dele tocar pra que eu possa finalmente mandá-lo embora. Pro meu amor, café da manhã na cama. Pro outro, no máximo um copo d'água. Alguns podem até habitar seu corpo, mas quem mora no coração nem a gente consegue escolher.
Queria poder ser todas as coisas que ele precisa. Por enquanto, vou zelar pelo pedacinho dele que mora dentro de mim. Seja bem-vindo, meu bem...você não sabe o quanto eu senti sua falta e as coisas que eu fiz pra tentar esquecer.
Kamilatavares.
sábado, 18 de agosto de 2018
Inquietude.
Cresci ouvindo da minha mãe que eu era uma desistente nata! Na primeira dificuldade de qualquer coisa eu pulava fora e tentava outra completamente diferente; e esse era o meu maior defeito.
Aos 10 entrei no piano, aos 12 desisti. Aos 13 entrei na natação, aos 15 saí. Queria aprender xadrez, saber jogar buraco e entender tudo de carteado, tocar bateria e guitarra, falar inglês, espanhol, italiano e francês. Queria saber pintar, desenhar, lutar judô e dançar ballet.
"O seu problema é não saber escolher!"
Aos 11 anos escolhi ser historiadora! Uma paixão que acreditei não conseguir abandonar pelo resto da minha vida; e me segurei nela até chegar o meu desejado diploma...e dessa escolha a minha mãe se orgulhou, mas permaneci inquieta.
Não sei criar raízes em algo e me segurar naquilo até a morte. Nós somos condicionados a escolher um curso, um hobbie, um amor, uma comida preferida, um estilo musical, uma cor de cabelo, um autor preferido, um filme, uma bebida, um destino pra viajar nas férias. Porque diabos se agarrar em uma possibilidade num mundo tão vasto?
Meu coração pulsa por diversas coisas, imagine o que seria de mim se eu soubesse fazer só uma coisa? E se acabassem com as escolas e chegasse o dia em que ninguém mais precisasse de um professor de história? E se minha comida preferida acabar? E se eu só soubesse tocar violão e na loja de instrumentos só vendesse contrabaixos? E se eu conhecer o amor da minha vida, e o amor da vida dele for outra?
Então eu decidi: Eu escolho a mudança! Mudar é a constante da minha vida.
Desta forma minha inquietude se traduz nas músicas que canto, nos cardápios que desenvolvo, nos instrumentos que eu toco, nos filmes que eu assisto, nas peças de teatro em que eu atuei, nos amores que eu tive, nos textos que eu escrevo e nas pinturas que eu deixo pelas paredes. Já tive todas as cores de cabelo, já conversei em três línguas diferentes ao mesmo tempo, já subi no palco, pilotei fogão, dancei, amei, lecionei, vivi.
Meu amor é pelos que sangram suas vontades no meio da rua, pelos que sabem expor seus corações como um sorvete caído no asfalto derretendo com o calor. Em cada esquina uma nova possibilidade, e pra elas eu me abro como um cachorro de rua que corre abanando o rabo pro estranho que lhe trouxe ração cheio de bondade. Permaneço na mesma cidade, mas o mundo é meu!
Eu vou botar todos os meus blocos na rua. Meus braços estão abertos e eu grito!
Não sou misteriosa, não sou discreta, não sou contida e não sou limitada. Se é pra ver o circo pegar fogo, que eu esteja no meio das chamas.
Eu quero o ontem, o hoje e o amanhã...tenho fome de tudo!
E se o mundo se explodir, que eu faça parte do show em forma de fogos de artifício.
Aos 10 entrei no piano, aos 12 desisti. Aos 13 entrei na natação, aos 15 saí. Queria aprender xadrez, saber jogar buraco e entender tudo de carteado, tocar bateria e guitarra, falar inglês, espanhol, italiano e francês. Queria saber pintar, desenhar, lutar judô e dançar ballet.
"O seu problema é não saber escolher!"
Aos 11 anos escolhi ser historiadora! Uma paixão que acreditei não conseguir abandonar pelo resto da minha vida; e me segurei nela até chegar o meu desejado diploma...e dessa escolha a minha mãe se orgulhou, mas permaneci inquieta.
Não sei criar raízes em algo e me segurar naquilo até a morte. Nós somos condicionados a escolher um curso, um hobbie, um amor, uma comida preferida, um estilo musical, uma cor de cabelo, um autor preferido, um filme, uma bebida, um destino pra viajar nas férias. Porque diabos se agarrar em uma possibilidade num mundo tão vasto?
Meu coração pulsa por diversas coisas, imagine o que seria de mim se eu soubesse fazer só uma coisa? E se acabassem com as escolas e chegasse o dia em que ninguém mais precisasse de um professor de história? E se minha comida preferida acabar? E se eu só soubesse tocar violão e na loja de instrumentos só vendesse contrabaixos? E se eu conhecer o amor da minha vida, e o amor da vida dele for outra?
Então eu decidi: Eu escolho a mudança! Mudar é a constante da minha vida.
Desta forma minha inquietude se traduz nas músicas que canto, nos cardápios que desenvolvo, nos instrumentos que eu toco, nos filmes que eu assisto, nas peças de teatro em que eu atuei, nos amores que eu tive, nos textos que eu escrevo e nas pinturas que eu deixo pelas paredes. Já tive todas as cores de cabelo, já conversei em três línguas diferentes ao mesmo tempo, já subi no palco, pilotei fogão, dancei, amei, lecionei, vivi.
Meu amor é pelos que sangram suas vontades no meio da rua, pelos que sabem expor seus corações como um sorvete caído no asfalto derretendo com o calor. Em cada esquina uma nova possibilidade, e pra elas eu me abro como um cachorro de rua que corre abanando o rabo pro estranho que lhe trouxe ração cheio de bondade. Permaneço na mesma cidade, mas o mundo é meu!
Eu vou botar todos os meus blocos na rua. Meus braços estão abertos e eu grito!
Não sou misteriosa, não sou discreta, não sou contida e não sou limitada. Se é pra ver o circo pegar fogo, que eu esteja no meio das chamas.
Eu quero o ontem, o hoje e o amanhã...tenho fome de tudo!
E se o mundo se explodir, que eu faça parte do show em forma de fogos de artifício.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Amores (des)funcionais.
Existe todo esse mito acerca dos escritores e seus amores loucos, doentes, psicopatas, passionais, possessivos...e como eles despertam uma inspiração louca, que arde em nossos dedos que buscam qualquer pedaço de papel que seja pra colocar todo aquele fogo pra fora.
Em contraponto, a famosa sorte de um amor tranquilo...que é morno, calmo, manso. E o tédio que vem junto com ele, nos impedindo de escrever uma linha que seja.
Dizem que o poeta só é grande se sofrer, e eu discordava disso. Bem...discordava.
Tive amores calmos, relacionamentos duradouros e sem nenhuma inspiração. Fui feliz, mas é quase como se tal felicidade não contasse realmente. Meus escritos andavam mortos e eu me sentia o próprio clichê do protagonista sem graça de algum filme indie barato sobre qualquer escritor que passa por uma crise criativa e só escreve bosta.
As pessoas querem queimar, enlouquecer, quebrar as vidraças, atirar um coquetel molotov na casa do ex e gritar no meio da rua que ele foi um filho da puta! Pelo menos é o que os loucos querem, e são os loucos que me interessam, aqueles que ardem! É pra os apaixonados sofredores malditos que eu escrevo - e sempre escrevi - os românticos frustrados que querem uma vida pacata ao lado do grande amor da sua vida, mas que já sofreram o suficiente pra saber que isso é ilusão. E quem escreve uma vida perfeita esta tentando te enganar e roubar o seu dinheiro em plena praça central com essa ideia de que a plenitude no amor é a melhor coisa que existe.
Depois de um ano e alguns dias tentando viver um amor de propaganda de margarina sem sal, onde todos os dias eram manhãs de domingo felizes, porém sem profundidade alguma, eu me livrei dessa falsa ideia de calmaria e voltei ao meu antigo eu: Sozinha, cheia de planos que eu queria executar e com um mundo de possibilidades.
A vida com ele era cômoda, eu não precisava me esforçar com nada. Então a primeira medida era restaurar o meu direito de ir e vir sem dar satisfações pra ninguém. Precisava voltar a dirigir (e ficar boa nisso), organizar as minhas contas pra não esquecer de pagar nenhuma, fazer uma conta da netflix só pra mim, gerenciar meus emails sozinha, organizar minhas receitas, marcar de ver as amigas que eu não conseguia visitar sem ele anexado no meu braço feito um gêmeo siamês e tomar todas as cervejas que eu pudesse nesse intervalo.
Coloquei tudo em prática...e em menos de um mês eu conheci Ray.
Ele foi até o bar onde eu trabalho. De ressaca, jaqueta de couro, voando na moto, perfume de homem, voz grossa, atitude. Estava na cara dele escrito em neon que se eu não ficasse esperta o desgraçamento mental ia ser grande. Foram alguns dias se conversa antes do encontro ao vivo. Meia hora de conversa e ele perdeu a paciência, me pegou pela cintura e me beijou. Alguns minutos depois eu já estava sem capacete na garupa da moto indo em direção a casa dele.
Por ter vivido muitos amores ruins de viver e bons de escrever, eu já tinha uma previsão de como seria o roteiro...e confesso que a saudade de perder as rédeas era grande. Ele era o candidato perfeito. Todo esforço que ele fez pra me impressionar se transformou em gargalhadas descaradas da minha parte. No primeiro dia ele me jogou um romantismo barato que eu respondi dizendo que ele falava aquilo para todas. De prontidão ele me disse "olhe em volta...tem sinal de outra mulher aqui?".
Dei uma boa olhada pelo quarto dele...nada de brincos esquecidos ou bilhetes apaixonados. O cara era bom. Eu sabia que ele tinha outras mulheres, mas levou uns meses até ele começar a me confessar...sempre com medo que eu fosse largar dele. Fiz disso o meu trunfo! Conhecimento nessas horas é uma dádiva.
Nos primeiros encontros eu me segurei o quanto pude pra não ceder ao charme dele, de modo que isso o prendesse - e funcionou! Ele fez de tudo pra conseguir arrancar minha roupa; e quando o fez...aos poucos fomos revelando nosso lado mais doentio e romântico e louco e apaixonado.
Às vezes ele me mandava mensagens românticas, me dava chocolates, ia ao supermercado comigo, me chamava de amor, bebê, neném, meu bem, coisa linda...
Cozinhamos juntos, ele cuidou de mim quando briguei com minha irmã, eu cuidei das febres dele, dividimos segredos sobre nossas vidas, nossas famílias, nossos sonhos. Comemos uma pizza terrível de um delivery qualquer e tentamos assistir um filme uma vez...não deu certo.
Às vezes ele me batia, me estrangulava, dizia que era meu dono, me chamava de puta, cachorra, safada, perguntava se eu dei pra outros em sua ausência, levantou meu vestido em frente ao portão na rua deserta e me dominava de todas as formas possíveis. Claro que tudo isso só aconteceu com minha permissão e só na hora do sexo. Toda vez que ele era romântico na cama, eu dava uma gargalhada e deixava ele me dar um tapa.
O fato é que as duas coisas se misturavam numa dança entre loucura, romance, amor, putaria, cuidado, sumiço, raiva, violência e alegria. O plano dera certo: Nos apegamos.
Enquanto isso ele mantinha as outras, e algumas tantas ele dispensou. E isso me dava um tesão pelas palavras que eu voltei a escrever feito uma louca.
Escrevi cartas, bilhetes em guardanapos, cardápios antigos, nos meus cadernos de anotação. Ray era a musa inspiradora que eu esperei por anos.
Já tive amores que só serviam pra fuder e escrever. Ele foi o melhor deles.
Alguns mereceram bilhetes, outros algumas crônicas, ele merece livros.
Mas de alguma forma, mesmo sem perder totalmente a conexão, não vejo Ray há mais de um mês. Sempre uma desculpa: as provas, a filha, a gripe, a febre, a empresa, o tempo, o dinheiro...
Ainda tenho com ele um compromisso marcado de assistir ele comer outra garota. Talvez ele goste dela, talvez seja só mais uma passageira...não sei ainda, mas vou pedir um caderno e escrever o que vai acontecer por lá! Tenho certeza que vai ser a minha sentença de morte em um dos dias mais poéticos que a minha existência irá presenciar.
Temos várias coisas em aberto: Eu pedi pra ele uma coleira de presente, e prometi que faria uma lasanha e um bolo de prestígio pra ele. Temos um stand up pra assistir, ele combinou de ir no lançamento do meu cardápio novo. Mas eu ando impaciente...sei que oito meses se passaram e sinto que estou perto do fim. Eu tive outros dois como ele e sinto quando a coisa toda vai explodir.
Mas é ótimo...as palavras dançam pelos meus dedos sem o mínimo de esforço. Hoje já mudei de ideia sobre ele umas cinco vezes, acabei com a paciência de Paloma falando sobre isso, conversei sobre Bukowski com ele logo em seguida e já voltei a não querer mais nada...e ao mesmo tempo meu corpo grita de saudade. Perdi completamente o filtro que a Kamila de 17 anos tinha, aquela que não conseguia sequer descrever um beijo em seus textos.
Nesse um mês que ele sumiu eu visitei bares, li três livros, fiz um cardápio novo, fiquei bêbada várias vezes, Paloma me visitou e eu visitei Renata.
Não ligo pras outras mulheres dele, mas seu silêncio me causa um ciúmes louco. Me sinto uma mulher daquelas que enfeitam os filmes com cenas maravilhosas de escândalos de amor. Quero quebrar a moto dele, esfaquear suas putas e gritar ensanguentada na rua, ao mesmo tempo em que quero fazer uma sopa de carne com legumes e ir lá cuidar da dor de garganta dele...fazer um chá de mel com limão e gengibre.
Me sinto viva e à beira da morte. QUE LOUCURA! QUE MARAVILHA! QUE INFERNO!
Vai ser bom deixar ele...vou sempre me lembrar da loucura. Talvez sinta saudades, mas vou sempre agradecer pelo fato de poder fumar meus cigarros com tranquilidade, porque depois de um tempo ele me disse que tinha ódio dos meus cigarros e eu parei de fumar quando ia encontrar com ele.
Uma vez eu saí do trabalho às três da manhã e bati no portão da casa dele. Tirei a roupa ainda na garagem. No dia seguinte ele me olhou apaixonado e me pediu pra ficar...sorri, recolhi minhas roupas e disse "Tchau, até a próxima!"
Ele reclamou dizendo que eu o tratei feito uma puta. Talvez essa seja a vingança dele...e de certa forma é poética.
A gente nunca daria certo, e é por isso que eu o amo tanto.
Me desculpe por te torturar, obrigada por me fazer voltar a escrever.
Adeus, nos vemos em breve.
Em contraponto, a famosa sorte de um amor tranquilo...que é morno, calmo, manso. E o tédio que vem junto com ele, nos impedindo de escrever uma linha que seja.
Dizem que o poeta só é grande se sofrer, e eu discordava disso. Bem...discordava.
Tive amores calmos, relacionamentos duradouros e sem nenhuma inspiração. Fui feliz, mas é quase como se tal felicidade não contasse realmente. Meus escritos andavam mortos e eu me sentia o próprio clichê do protagonista sem graça de algum filme indie barato sobre qualquer escritor que passa por uma crise criativa e só escreve bosta.
As pessoas querem queimar, enlouquecer, quebrar as vidraças, atirar um coquetel molotov na casa do ex e gritar no meio da rua que ele foi um filho da puta! Pelo menos é o que os loucos querem, e são os loucos que me interessam, aqueles que ardem! É pra os apaixonados sofredores malditos que eu escrevo - e sempre escrevi - os românticos frustrados que querem uma vida pacata ao lado do grande amor da sua vida, mas que já sofreram o suficiente pra saber que isso é ilusão. E quem escreve uma vida perfeita esta tentando te enganar e roubar o seu dinheiro em plena praça central com essa ideia de que a plenitude no amor é a melhor coisa que existe.
Depois de um ano e alguns dias tentando viver um amor de propaganda de margarina sem sal, onde todos os dias eram manhãs de domingo felizes, porém sem profundidade alguma, eu me livrei dessa falsa ideia de calmaria e voltei ao meu antigo eu: Sozinha, cheia de planos que eu queria executar e com um mundo de possibilidades.
A vida com ele era cômoda, eu não precisava me esforçar com nada. Então a primeira medida era restaurar o meu direito de ir e vir sem dar satisfações pra ninguém. Precisava voltar a dirigir (e ficar boa nisso), organizar as minhas contas pra não esquecer de pagar nenhuma, fazer uma conta da netflix só pra mim, gerenciar meus emails sozinha, organizar minhas receitas, marcar de ver as amigas que eu não conseguia visitar sem ele anexado no meu braço feito um gêmeo siamês e tomar todas as cervejas que eu pudesse nesse intervalo.
Coloquei tudo em prática...e em menos de um mês eu conheci Ray.
Ele foi até o bar onde eu trabalho. De ressaca, jaqueta de couro, voando na moto, perfume de homem, voz grossa, atitude. Estava na cara dele escrito em neon que se eu não ficasse esperta o desgraçamento mental ia ser grande. Foram alguns dias se conversa antes do encontro ao vivo. Meia hora de conversa e ele perdeu a paciência, me pegou pela cintura e me beijou. Alguns minutos depois eu já estava sem capacete na garupa da moto indo em direção a casa dele.
Por ter vivido muitos amores ruins de viver e bons de escrever, eu já tinha uma previsão de como seria o roteiro...e confesso que a saudade de perder as rédeas era grande. Ele era o candidato perfeito. Todo esforço que ele fez pra me impressionar se transformou em gargalhadas descaradas da minha parte. No primeiro dia ele me jogou um romantismo barato que eu respondi dizendo que ele falava aquilo para todas. De prontidão ele me disse "olhe em volta...tem sinal de outra mulher aqui?".
Dei uma boa olhada pelo quarto dele...nada de brincos esquecidos ou bilhetes apaixonados. O cara era bom. Eu sabia que ele tinha outras mulheres, mas levou uns meses até ele começar a me confessar...sempre com medo que eu fosse largar dele. Fiz disso o meu trunfo! Conhecimento nessas horas é uma dádiva.
Nos primeiros encontros eu me segurei o quanto pude pra não ceder ao charme dele, de modo que isso o prendesse - e funcionou! Ele fez de tudo pra conseguir arrancar minha roupa; e quando o fez...aos poucos fomos revelando nosso lado mais doentio e romântico e louco e apaixonado.
Às vezes ele me mandava mensagens românticas, me dava chocolates, ia ao supermercado comigo, me chamava de amor, bebê, neném, meu bem, coisa linda...
Cozinhamos juntos, ele cuidou de mim quando briguei com minha irmã, eu cuidei das febres dele, dividimos segredos sobre nossas vidas, nossas famílias, nossos sonhos. Comemos uma pizza terrível de um delivery qualquer e tentamos assistir um filme uma vez...não deu certo.
Às vezes ele me batia, me estrangulava, dizia que era meu dono, me chamava de puta, cachorra, safada, perguntava se eu dei pra outros em sua ausência, levantou meu vestido em frente ao portão na rua deserta e me dominava de todas as formas possíveis. Claro que tudo isso só aconteceu com minha permissão e só na hora do sexo. Toda vez que ele era romântico na cama, eu dava uma gargalhada e deixava ele me dar um tapa.
O fato é que as duas coisas se misturavam numa dança entre loucura, romance, amor, putaria, cuidado, sumiço, raiva, violência e alegria. O plano dera certo: Nos apegamos.
Enquanto isso ele mantinha as outras, e algumas tantas ele dispensou. E isso me dava um tesão pelas palavras que eu voltei a escrever feito uma louca.
Escrevi cartas, bilhetes em guardanapos, cardápios antigos, nos meus cadernos de anotação. Ray era a musa inspiradora que eu esperei por anos.
Já tive amores que só serviam pra fuder e escrever. Ele foi o melhor deles.
Alguns mereceram bilhetes, outros algumas crônicas, ele merece livros.
Mas de alguma forma, mesmo sem perder totalmente a conexão, não vejo Ray há mais de um mês. Sempre uma desculpa: as provas, a filha, a gripe, a febre, a empresa, o tempo, o dinheiro...
Ainda tenho com ele um compromisso marcado de assistir ele comer outra garota. Talvez ele goste dela, talvez seja só mais uma passageira...não sei ainda, mas vou pedir um caderno e escrever o que vai acontecer por lá! Tenho certeza que vai ser a minha sentença de morte em um dos dias mais poéticos que a minha existência irá presenciar.
Temos várias coisas em aberto: Eu pedi pra ele uma coleira de presente, e prometi que faria uma lasanha e um bolo de prestígio pra ele. Temos um stand up pra assistir, ele combinou de ir no lançamento do meu cardápio novo. Mas eu ando impaciente...sei que oito meses se passaram e sinto que estou perto do fim. Eu tive outros dois como ele e sinto quando a coisa toda vai explodir.
Mas é ótimo...as palavras dançam pelos meus dedos sem o mínimo de esforço. Hoje já mudei de ideia sobre ele umas cinco vezes, acabei com a paciência de Paloma falando sobre isso, conversei sobre Bukowski com ele logo em seguida e já voltei a não querer mais nada...e ao mesmo tempo meu corpo grita de saudade. Perdi completamente o filtro que a Kamila de 17 anos tinha, aquela que não conseguia sequer descrever um beijo em seus textos.
Nesse um mês que ele sumiu eu visitei bares, li três livros, fiz um cardápio novo, fiquei bêbada várias vezes, Paloma me visitou e eu visitei Renata.
Não ligo pras outras mulheres dele, mas seu silêncio me causa um ciúmes louco. Me sinto uma mulher daquelas que enfeitam os filmes com cenas maravilhosas de escândalos de amor. Quero quebrar a moto dele, esfaquear suas putas e gritar ensanguentada na rua, ao mesmo tempo em que quero fazer uma sopa de carne com legumes e ir lá cuidar da dor de garganta dele...fazer um chá de mel com limão e gengibre.
Me sinto viva e à beira da morte. QUE LOUCURA! QUE MARAVILHA! QUE INFERNO!
Vai ser bom deixar ele...vou sempre me lembrar da loucura. Talvez sinta saudades, mas vou sempre agradecer pelo fato de poder fumar meus cigarros com tranquilidade, porque depois de um tempo ele me disse que tinha ódio dos meus cigarros e eu parei de fumar quando ia encontrar com ele.
Uma vez eu saí do trabalho às três da manhã e bati no portão da casa dele. Tirei a roupa ainda na garagem. No dia seguinte ele me olhou apaixonado e me pediu pra ficar...sorri, recolhi minhas roupas e disse "Tchau, até a próxima!"
Ele reclamou dizendo que eu o tratei feito uma puta. Talvez essa seja a vingança dele...e de certa forma é poética.
A gente nunca daria certo, e é por isso que eu o amo tanto.
Me desculpe por te torturar, obrigada por me fazer voltar a escrever.
Adeus, nos vemos em breve.
terça-feira, 20 de março de 2018
Ray.
Talvez seja simples a razão pela qual eu o veja como um ser tão complexo. Ou talvez tudo que eu saiba sobre ele seja parte de uma ideia completamente equivocada, mas a verdade (ou pelo menos o que eu julgo ser) é que por mais que ele tenha dividido bastante coisa sobre sua vida nas poucas vezes em que nos vimos pessoalmente, eu o enxergo como um ser completamente misterioso.
Nunca ninguém teve tantas ideias erradas sobre mim - isso é fato - e ao mesmo tempo em que não se importa, tem certo cuidado em saber se eu estou bem e segura...só que mais uma vez, não sei muito bem o que pensar sobre isso. Ele mantém os "sentimentos" num espectro entre a ironia e a dúvida, de modo que nunca se sabe o que realmente acontece ali. Eu - por minha vez - acabei colocando o pé atrás em demonstrar os meus, e ele - igualmente de forma irônica - reclama disso e alega que o meu coração só serve pra bombear sangue...e bombeia mais e mais rápido cada vez que ele sorri.
Não saberia escrever algo seguramente biográfico sobre ele por não conseguir ler quem ele é da mesma forma que eu leio com tanta facilidade as outras pessoas ao meu redor, mas eis o pouco que sei, e que pra mim é o que realmente importa pra ser bem sincera.
Ele pega no sono com muita facilidade - ou finge muito bem, isso eu mais uma vez não vou saber responder com certeza - e dorme muitas vezes enquanto eu estou no meio da frase. Mas eu não ligo, porque sei que falo muito e é bem capaz que eu seja de fato tão entediante quanto eu acredito ser.
Quando o sono ainda é leve, ele ronca. Mas eu não ligo, porque não é daqueles roncos super altos que dão medo, e pra quem só dorme ouvindo música e com o barulho do ventilador ligado, um ronquinho é quase um plus.
Quando o sono fica pesado, ele conversa, tem espasmos, me abraça forte, me beija, me empurra, dá risada... Mas eu não ligo. Pra ser sincera eu até gosto, e dessa vez não vou saber explicar porque. Fico devendo uma.
Ele não gosta de ouvir música durante as refeições, o que eu achei bem estranho pra ser sincera. Mas depois de poucos minutos, pensando sobre isso, concluí que é algo de fato admirável, porque mostra que ele não tem medo de enfrentar possíveis silêncios constrangedores. E quem trata comida com um respeito desses merece um troféu, convenhamos.
Há uns anos eu escrevi um texto que falava justamente sobre a minha busca eterna por alguém que não tivesse medo de compartilhar silêncios e não sentir o constrangimento deles, e sim apreciar que é um bom silêncio é algo raro de se dividir com alguém que o entenda. E lá estava eu - completamente falante - contemplando o silêncio dele - que fala bastante também.
Ele pode ser sério e autoritário em certas ocasiões, e se mostrar extremamente doce e carinhoso em outras...e confesso que a segunda é a melhor parte, mas de certa forma uma não convive sem a outra.
Eu não sei quantas pessoas ele amou na vida, quantas já viu partir, quantas vezes sorriu daquele jeito que faz meus olhos brilharem ou quantas noites passou chorando. Não sei quais crimes e pecados ele cometeu, ou quantas vezes ele já foi bom e salvou o dia de alguém. Não faço ideia de quantas cicatrizes ele abriga ou quais são os seus maiores sonhos. Talvez ele tenha me contado muito do que eu não sei, ou talvez tudo seja um grande teatro, e é isso que me intriga e me encanta.
Só sei que ele odiou todas as vezes que eu o acordei e todos os cigarros que fumei na frente dele, mas ele fingiu não ligar, e eu achei uma graça.
Só sei que ele sumiu mais de um mês e cada dia que passava eu sentia mais saudade. E saudade é um sentimento bem grande pra quem tem um coração que só serve pra bombear sangue.
Só sei que andei olhando vários textos antigos que já escrevi e encontrei ele em vários deles...só não sabia que ele existia mesmo.
E por enquanto é isso, eu acho.
Talvez um dia ele desapareça ou me descarte - como disse ele que fez com tantas outras - e essa seja só uma história sobre o rapaz da voz bonita e de um sorriso que abraça. Ou talvez ele continue roncando do meu lado. O maravilhoso é que nunca se sabe.
Nunca ninguém teve tantas ideias erradas sobre mim - isso é fato - e ao mesmo tempo em que não se importa, tem certo cuidado em saber se eu estou bem e segura...só que mais uma vez, não sei muito bem o que pensar sobre isso. Ele mantém os "sentimentos" num espectro entre a ironia e a dúvida, de modo que nunca se sabe o que realmente acontece ali. Eu - por minha vez - acabei colocando o pé atrás em demonstrar os meus, e ele - igualmente de forma irônica - reclama disso e alega que o meu coração só serve pra bombear sangue...e bombeia mais e mais rápido cada vez que ele sorri.
Não saberia escrever algo seguramente biográfico sobre ele por não conseguir ler quem ele é da mesma forma que eu leio com tanta facilidade as outras pessoas ao meu redor, mas eis o pouco que sei, e que pra mim é o que realmente importa pra ser bem sincera.
Ele pega no sono com muita facilidade - ou finge muito bem, isso eu mais uma vez não vou saber responder com certeza - e dorme muitas vezes enquanto eu estou no meio da frase. Mas eu não ligo, porque sei que falo muito e é bem capaz que eu seja de fato tão entediante quanto eu acredito ser.
Quando o sono ainda é leve, ele ronca. Mas eu não ligo, porque não é daqueles roncos super altos que dão medo, e pra quem só dorme ouvindo música e com o barulho do ventilador ligado, um ronquinho é quase um plus.
Quando o sono fica pesado, ele conversa, tem espasmos, me abraça forte, me beija, me empurra, dá risada... Mas eu não ligo. Pra ser sincera eu até gosto, e dessa vez não vou saber explicar porque. Fico devendo uma.
Ele não gosta de ouvir música durante as refeições, o que eu achei bem estranho pra ser sincera. Mas depois de poucos minutos, pensando sobre isso, concluí que é algo de fato admirável, porque mostra que ele não tem medo de enfrentar possíveis silêncios constrangedores. E quem trata comida com um respeito desses merece um troféu, convenhamos.
Há uns anos eu escrevi um texto que falava justamente sobre a minha busca eterna por alguém que não tivesse medo de compartilhar silêncios e não sentir o constrangimento deles, e sim apreciar que é um bom silêncio é algo raro de se dividir com alguém que o entenda. E lá estava eu - completamente falante - contemplando o silêncio dele - que fala bastante também.
Ele pode ser sério e autoritário em certas ocasiões, e se mostrar extremamente doce e carinhoso em outras...e confesso que a segunda é a melhor parte, mas de certa forma uma não convive sem a outra.
Eu não sei quantas pessoas ele amou na vida, quantas já viu partir, quantas vezes sorriu daquele jeito que faz meus olhos brilharem ou quantas noites passou chorando. Não sei quais crimes e pecados ele cometeu, ou quantas vezes ele já foi bom e salvou o dia de alguém. Não faço ideia de quantas cicatrizes ele abriga ou quais são os seus maiores sonhos. Talvez ele tenha me contado muito do que eu não sei, ou talvez tudo seja um grande teatro, e é isso que me intriga e me encanta.
Só sei que ele odiou todas as vezes que eu o acordei e todos os cigarros que fumei na frente dele, mas ele fingiu não ligar, e eu achei uma graça.
Só sei que ele sumiu mais de um mês e cada dia que passava eu sentia mais saudade. E saudade é um sentimento bem grande pra quem tem um coração que só serve pra bombear sangue.
Só sei que andei olhando vários textos antigos que já escrevi e encontrei ele em vários deles...só não sabia que ele existia mesmo.
E por enquanto é isso, eu acho.
Talvez um dia ele desapareça ou me descarte - como disse ele que fez com tantas outras - e essa seja só uma história sobre o rapaz da voz bonita e de um sorriso que abraça. Ou talvez ele continue roncando do meu lado. O maravilhoso é que nunca se sabe.
domingo, 9 de outubro de 2016
Porto (in)seguro.
Cortei um Caju em rodelas, passei um pouco de sal, comi um pedaço e tomei uma lapada de cana;
fiz um suco de graviola e tomei todinho;
terminei aquela atividade do meu livro antigo de inglês que há mais de um ano eu tinha preguiça de fazer;
escutei aquele disco do The Mission...e o do Dire Straits também;
assisti alguns episódios antigos de Supernatural;
assisti o jogo do Chicago Bears...e torci por eles;
tomei várias canecas de café e fui fumar um cigarro olhando pro mundo e pensando na vida;
tomei sorvete de baunilha;
tentei superar algum trauma antigo;
liguei pra minha psicóloca depois de três anos de silêncio;
tentei resolver uma equação sem usar calculadora;
tomei um banho antes de dormir e fiquei deitada com o ventilador ligado, esperando o abafado passar.
Olhei suas fotos, revisei as conversas...sorri.
O que eu perdi no meio do caminho, nada disso conseguiu preencher.
Seu cheiro eu não lembro, sua fisionomia talvez um dia se perca na minha memória também...mas "tudo que morre fica vivo na lembrança".
Mil acasos me levaram até você, mil tropeços me trouxeram de volta.
"It feels like there's oceans between me and you once again, we hide our emotions under the surface and try to pretend!"
KamilaTavares, crônicas sobre ele - primeira e última do livro nunca publicado.
fiz um suco de graviola e tomei todinho;
terminei aquela atividade do meu livro antigo de inglês que há mais de um ano eu tinha preguiça de fazer;
escutei aquele disco do The Mission...e o do Dire Straits também;
assisti alguns episódios antigos de Supernatural;
assisti o jogo do Chicago Bears...e torci por eles;
tomei várias canecas de café e fui fumar um cigarro olhando pro mundo e pensando na vida;
tomei sorvete de baunilha;
tentei superar algum trauma antigo;
liguei pra minha psicóloca depois de três anos de silêncio;
tentei resolver uma equação sem usar calculadora;
tomei um banho antes de dormir e fiquei deitada com o ventilador ligado, esperando o abafado passar.
Olhei suas fotos, revisei as conversas...sorri.
O que eu perdi no meio do caminho, nada disso conseguiu preencher.
Seu cheiro eu não lembro, sua fisionomia talvez um dia se perca na minha memória também...mas "tudo que morre fica vivo na lembrança".
Mil acasos me levaram até você, mil tropeços me trouxeram de volta.
"It feels like there's oceans between me and you once again, we hide our emotions under the surface and try to pretend!"
KamilaTavares, crônicas sobre ele - primeira e última do livro nunca publicado.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Histórias sobre o Enzo. Parte 03. O silêncio!
Uma vez o Enzo sumiu! Lembro que era o começo de tudo, e mesmo assim parece que foi ontem; nós estávamos de férias e meus olhos pesavam de sono, mas eu não queria dormir...queria ver ele chegar, saber a hora, em qual estado ele chegou, qual cheiro ele carregava da rua e o que andara fazendo. Ele estava assim há dois dias, e por não saber por onde ele andava, me lembrei de quando eu era o seu segredo e como ele mentiu bem para todas as pessoas e nenhuma delas desconfiou, e não pude deixar de pensar na possibilidade de que ele estaria mentindo para mim também, e que eu estava sendo enganada, por só ter falado com ele às duas horas da madrugada e ser obrigada a aceitar qualquer versão que ele me contasse sobre como foi o seu dia. Aquilo me aterrorizou, porque eu tinha passado um ano só, mas antes daquilo passei um ano em um relacionamento cheio de mentiras contadas nas madrugadas frias daquele inverno que foi a minha vida; e só de lembrar daquilo os meus medos largaram suas âncoras e subiram até a superfície da minha pele, que ficou fria e doente com tudo aquilo.
Por isso eu não queria deixar os meus olhos vermelhos adormecerem, e o meu pescoço dolorido de olhar para o relógio, finalmente descansar! Minha garganta estava seca e eu sabia o que fazer nem o que pensar, não me lembrava de nenhuma música feliz e não conseguia me distrair com filme algum.
Nesses dias eu me dei conta do quão insubstituível ele se tornou pra mim; quis me punir por ter deixado alguém se fazer tão importante assim nos meus dias, por admitir que - logo eu - precisava SIM de alguém pra ser feliz, e que esse alguém ele justamente ele - o Enzo. Aquilo me encheu de uma insegurança tão grande que eu tinha vergonha de admitir, porque era vergonhoso alguém da minha idade, que passou pelo que eu passei, se deixar levar por pensamentos daquele tipo; mas o drama era inevitável.
Naquele dia eu chorei sem saber o que fazer, quis bater nele, quis abraçá-lo e dizer que ele era a pessoa mais importante do mundo pra mim - mesmo sabendo que aquilo poderia o assustar e fazer ele ir embora correndo, quis ignorá-lo até o amor se acabar, quis bater no portão da casa dele de pijamas pedindo um abraço, quis dormir pra sempre...
Depois é claro que ele voltou e tivemos uma longa conversa tomando um café e fumando um cigarro...e depois daquilo todos os medos foram embora, porque todas as coisas ruins desapareciam quando ele sorria - e é assim até hoje - essa coisa meio mágica que acontece com as pessoas que se gostam. Daí eu acabei descobrindo que sofro de saudade! Quando eu era pequena e meu pai viajava eu sempre adoecia, tinha pesadelos horrorosos e tudo mais, e tudo desaparecia quando ele voltava. Talvez aqueles dias tenham sido uma versão mais crescida de quando eu ficava doente de saudade. Talvez eu tenha tido um flash back da depressão dos 21 anos, talvez alguém tenha envenenado o meu suco, ou talvez ele tenha deixado de me amar por dois dias, e eu tenha sentido isso, e depois ele mudou de ideia e tudo voltou ao normal, talvez...a única coisa que eu tive certeza naquele dia foi: NÃO DÁ SABE?! Não dá pra viver sem ele. É uma coisa tão egoísta, tão passional, tão feia e tão bonita ao mesmo tempo...eu simplesmente ouvi o Tom Jobim e concordei quando ele disse que é simplesmente "impossível ser feliz sozinho!".
No fim das contas era tudo besteira minha - por Odin, como eu sou besta - e tudo acabou bem...com ele tudo sempre acaba bem!
Kamilatavares.
"E o resto é mar, é tudo que eu não sei contar..."
Por isso eu não queria deixar os meus olhos vermelhos adormecerem, e o meu pescoço dolorido de olhar para o relógio, finalmente descansar! Minha garganta estava seca e eu sabia o que fazer nem o que pensar, não me lembrava de nenhuma música feliz e não conseguia me distrair com filme algum.
Nesses dias eu me dei conta do quão insubstituível ele se tornou pra mim; quis me punir por ter deixado alguém se fazer tão importante assim nos meus dias, por admitir que - logo eu - precisava SIM de alguém pra ser feliz, e que esse alguém ele justamente ele - o Enzo. Aquilo me encheu de uma insegurança tão grande que eu tinha vergonha de admitir, porque era vergonhoso alguém da minha idade, que passou pelo que eu passei, se deixar levar por pensamentos daquele tipo; mas o drama era inevitável.
Naquele dia eu chorei sem saber o que fazer, quis bater nele, quis abraçá-lo e dizer que ele era a pessoa mais importante do mundo pra mim - mesmo sabendo que aquilo poderia o assustar e fazer ele ir embora correndo, quis ignorá-lo até o amor se acabar, quis bater no portão da casa dele de pijamas pedindo um abraço, quis dormir pra sempre...
Depois é claro que ele voltou e tivemos uma longa conversa tomando um café e fumando um cigarro...e depois daquilo todos os medos foram embora, porque todas as coisas ruins desapareciam quando ele sorria - e é assim até hoje - essa coisa meio mágica que acontece com as pessoas que se gostam. Daí eu acabei descobrindo que sofro de saudade! Quando eu era pequena e meu pai viajava eu sempre adoecia, tinha pesadelos horrorosos e tudo mais, e tudo desaparecia quando ele voltava. Talvez aqueles dias tenham sido uma versão mais crescida de quando eu ficava doente de saudade. Talvez eu tenha tido um flash back da depressão dos 21 anos, talvez alguém tenha envenenado o meu suco, ou talvez ele tenha deixado de me amar por dois dias, e eu tenha sentido isso, e depois ele mudou de ideia e tudo voltou ao normal, talvez...a única coisa que eu tive certeza naquele dia foi: NÃO DÁ SABE?! Não dá pra viver sem ele. É uma coisa tão egoísta, tão passional, tão feia e tão bonita ao mesmo tempo...eu simplesmente ouvi o Tom Jobim e concordei quando ele disse que é simplesmente "impossível ser feliz sozinho!".
No fim das contas era tudo besteira minha - por Odin, como eu sou besta - e tudo acabou bem...com ele tudo sempre acaba bem!
Kamilatavares.
"E o resto é mar, é tudo que eu não sei contar..."
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Histórias sobre o Enzo. Parte 02. A festa.
Eu estudava com ele e nem me lembrava, mas como Enzo não é um nome muito comum eu me recordo de ter perguntado pra um amigo meu quem era o maldito desgraçado que sempre fazia uma pergunta chata no final da aula, o professor demorava séculos pra responder e a turma toda ficava presa; e lembro que foi esse o nome que eu ouvi "Enzo! É o E N Z O !", e naquele dia que prometi pra mim mesma que se um dia topasse com ele em algum lugar eu ia quebrar os dentes dele, porque sempre fui assim, uma pessoa calma, delicada e contra esses atos de violência.
*** ***
Era aniversário de um ex colega de banda, ele me convidou com a proposta de que a banda (ou parte dela) se juntasse pra fazer uma Jam, relembrar coisas antigas, rir e tudo mais! Eu fui e pra minha sorte tinha cerveja! Conversei com o pessoal, toquei violão e em um dado momento da noite, quando eu já estava devidamente alcoolizada, esse meu amigo aniversariante resolveu que deveria me apresentar aos outros convidados - um por um - nomes que eu nunca ouvi na vida; me abraçavam e voltavam a se sentar...e no meio de todos esses um deles me foi familiar!
- A gente já se conhece!
- Já? De onde?
- Da faculdade, pagamos uma disciplina juntos!
- PERAE...ENZO? O ENZO DAS PERGUNTAS?
- Como assim? Não entendi?
(E aí eu gritava MESMO, falo um pouco ~muito~ alto, just for the record)
- VOCÊ SIM!!! QUE FAZ PERGUNTA DESNECESSÁRIA NO FINAL DA AULA!! EU FICO PRESA NAQUELA MERDA DE AULA POR SUA CAUSA! EU JUREI PRA MIM QUE IA DAR NA SUA CARA!!!!!!
Claro que ele não entendeu nada, e negou tudo! Aliás, ninguém lá entendeu nada e ele acabou saindo de perto de mim ~COM RAZÃO~ porque eu - de fato - queria bater nele...mas me acalmei e voltei pra minha mesa.
O baterista da minha banda perguntou o que tinha sido aquilo, eu expliquei a situação ainda com os olhos vermelhos e os dentes cerrados, tomei um bom gole de cerveja e tentei me acalmar, mas sabe?! Ele me dava nos nervos...era de um cinismo demasiadamente irritante para o meu pavio curto.
ANYWAY, depois de rir bastante da situação toda, eis que o meu querido baterista filósofo profeta olha pra mim e diz em tom de riso "Se vocês se odeiam tanto é porque vão namorar! Olhe bem pra ele porque é pra ele que você vai se declarar infinitas vezes!"
Eu dei a maior gargalhada da minha vida e disse que era IMPOSSÍVEL, claro! Que NUNCA NA MINHA VIDA eu namoraria com uma criatura daquela, e duvidaram de mim - claro - citando milhões de histórias de amor que começaram com pessoas que se odiavam completamente. Pois a minha raiva era tão grande e o meu stress estava tão elevado naquela hora que eu simplesmente me levantei da mesa - o mundo girou 5x em 2 segundos - derrubei o copo de cerveja em cima de algum celular, meio que tropecei mas saí andando em direção ao tal do Enzo, que estava em pé ao lado da mesa conversando com alguém que não importa agora.
Me lembro que ele usava gravata e foi justamente ela que eu puxei e saí arrastando ele pra área externa da piscina, o segurei pelos ombros e dei um beijo nele, daqueles que duram provavelmente uns 30 segundos e parecem aqueles beijos que duram uma semana...ORAS, EU PRECISAVA ME CERTIFICAR.
Quando o afastei (ainda apertava os ombros dele com força) ele olhou pra mim com os olhos saltando de si e as sobrancelhas 100% arqueadas, aqueles poucos segundos duraram um ano, e - como o mundo girava muito - foi quase uma dança. Ele abriu a boca pra falar alguma, mas eu o interrompi bruscamente dizendo "CLARO QUE NÃO GENTE, IMPOSSÍVEL ISSO!" e saí sem dar explicações ou olhar pra trás! Cheguei na mesa, peguei minha bolsa e antes de ir embora olhei para todos e disse que eles estavam todos errados e que eu me certifiquei de que nunca iria namorar com o Enzo.
Ninguém sabe, mas naquela hora o Enzo de apaixonou por mim.
Ninguém soube, mas naquela hora eu me apaixonei por ele também.
E depois daquele dia, foram meses de silêncio e ódio.
Kamilatavares.
*** ***
Era aniversário de um ex colega de banda, ele me convidou com a proposta de que a banda (ou parte dela) se juntasse pra fazer uma Jam, relembrar coisas antigas, rir e tudo mais! Eu fui e pra minha sorte tinha cerveja! Conversei com o pessoal, toquei violão e em um dado momento da noite, quando eu já estava devidamente alcoolizada, esse meu amigo aniversariante resolveu que deveria me apresentar aos outros convidados - um por um - nomes que eu nunca ouvi na vida; me abraçavam e voltavam a se sentar...e no meio de todos esses um deles me foi familiar!
- A gente já se conhece!
- Já? De onde?
- Da faculdade, pagamos uma disciplina juntos!
- PERAE...ENZO? O ENZO DAS PERGUNTAS?
- Como assim? Não entendi?
(E aí eu gritava MESMO, falo um pouco ~muito~ alto, just for the record)
- VOCÊ SIM!!! QUE FAZ PERGUNTA DESNECESSÁRIA NO FINAL DA AULA!! EU FICO PRESA NAQUELA MERDA DE AULA POR SUA CAUSA! EU JUREI PRA MIM QUE IA DAR NA SUA CARA!!!!!!
Claro que ele não entendeu nada, e negou tudo! Aliás, ninguém lá entendeu nada e ele acabou saindo de perto de mim ~COM RAZÃO~ porque eu - de fato - queria bater nele...mas me acalmei e voltei pra minha mesa.
O baterista da minha banda perguntou o que tinha sido aquilo, eu expliquei a situação ainda com os olhos vermelhos e os dentes cerrados, tomei um bom gole de cerveja e tentei me acalmar, mas sabe?! Ele me dava nos nervos...era de um cinismo demasiadamente irritante para o meu pavio curto.
ANYWAY, depois de rir bastante da situação toda, eis que o meu querido baterista filósofo profeta olha pra mim e diz em tom de riso "Se vocês se odeiam tanto é porque vão namorar! Olhe bem pra ele porque é pra ele que você vai se declarar infinitas vezes!"
Eu dei a maior gargalhada da minha vida e disse que era IMPOSSÍVEL, claro! Que NUNCA NA MINHA VIDA eu namoraria com uma criatura daquela, e duvidaram de mim - claro - citando milhões de histórias de amor que começaram com pessoas que se odiavam completamente. Pois a minha raiva era tão grande e o meu stress estava tão elevado naquela hora que eu simplesmente me levantei da mesa - o mundo girou 5x em 2 segundos - derrubei o copo de cerveja em cima de algum celular, meio que tropecei mas saí andando em direção ao tal do Enzo, que estava em pé ao lado da mesa conversando com alguém que não importa agora.
Me lembro que ele usava gravata e foi justamente ela que eu puxei e saí arrastando ele pra área externa da piscina, o segurei pelos ombros e dei um beijo nele, daqueles que duram provavelmente uns 30 segundos e parecem aqueles beijos que duram uma semana...ORAS, EU PRECISAVA ME CERTIFICAR.
Quando o afastei (ainda apertava os ombros dele com força) ele olhou pra mim com os olhos saltando de si e as sobrancelhas 100% arqueadas, aqueles poucos segundos duraram um ano, e - como o mundo girava muito - foi quase uma dança. Ele abriu a boca pra falar alguma, mas eu o interrompi bruscamente dizendo "CLARO QUE NÃO GENTE, IMPOSSÍVEL ISSO!" e saí sem dar explicações ou olhar pra trás! Cheguei na mesa, peguei minha bolsa e antes de ir embora olhei para todos e disse que eles estavam todos errados e que eu me certifiquei de que nunca iria namorar com o Enzo.
Ninguém sabe, mas naquela hora o Enzo de apaixonou por mim.
Ninguém soube, mas naquela hora eu me apaixonei por ele também.
E depois daquele dia, foram meses de silêncio e ódio.
Kamilatavares.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Histórias sobre o Enzo. Parte 01. O café com a velha amiga.
Claro que é verdade que a gente se casou num bar! O dono era meu amigo desde o tempo que eu tinha um banda de rock e tocava lá nos finais de semana, sem contar que foi lá que o Enzo me pediu em namoro...aiai - me lembro daquele dia como se fosse ontem - tinha uma banda HORROROSA de metal tocando e ele me pediu em namoro no meio do show, uma barulheira dos infernos, cheio de gente que a gente não conhecia, e eu - claro - achei a coisa mais romântica do mundo, daí não tinha outra opção a não ser casar lá mesmo, depois de uma boa reforma - claro!
Olhaí as fotos, todos os nossos amigos foram, eu toquei baixo, ele tocou guitarra, todo mundo ficou bêbado...daí acabou que tinha gente dormindo pelas cadeiras, todo mundo foi pro palco e tocou e/ou cantou e umas 6 pessoas foram parar no hospital! Eu não poderia ter escolhido um casamento melhor!
Quando a gente começou a namorar ele sempre me dizia que nunca se imaginou bebendo com a namorada, eu achava aquilo tão fofo, na verdade, naquela época a vida pra mim era um unicórnio saltitante, eu nunca fui tão mimimi - e estranho até hoje, acredite - porque pra começo de conversa eu nunca nem imaginaria que um dia a gente ia namorar, muito menos noivar, muito menos casar, muito menos ter filhos!
Pois é, Cecília está INSUPORTÁVEL, só brigo com ela o dia todo e a culpa é dele que eu não mandei querer tanto uma menina! Eles foram sei lá pra onde, pro parque, pro ballet...sei lá pra onde ele levou a menina, porque no humor que eu acordei hoje ia acabar matando alguém dentro de casa e o acordo é que dos chiliques dela, ele que dê jeito! O Raul tá dormindo porque aquele menino é um anjo - pelo menos isso - não me dá trabalho nenhum!
Mas eu não tenho do que reclamar, de verdade, desde o dia que a gente se conheceu o Enzo tem sido a melhor pessoa do mundo pra mim! Até hoje ele me escreve cartas, acredita?! Eu pensei que essas coisas não existiam mais fora dos filmes e novelas, mas eu dei sorte na vida - depois de cair milhões de vezes né?! - por isso eu te digo que tenha paciência que vai dar tudo certo...inclusive acho que o bolo ficou pronto!
Amiga, olha aí nessa gaveta se ainda tem cigarro! Tem? Ahh, obrigada!
Eu sempre esqueço de comprar, minha salvação é o Enzo que se esquece das calças mas não esquece de comprar cigarro! Eu tive vários amigos que tinham pais fumantes e nunca fumaram, mas se os meus quiserem quando crescerem eu não vou ser a mãe chata não, PELO AMOR DE DEUS LONGE DE MIM, só tenho frescura com idade, filho meu quiser inventar de ser gente e sair bebendo e fumando antes dos 18 eu tranco no quarto por um ano! Mas os meninos são muito bons, obedientes...MENTIRA - Cecília é o demônio, mas um dia ela se aquieta que eu sei, pelo menos tira nota boa na escola e é muito criativa!
Mas olha só pra mim falando do marido e dos filhos, quem diria! De vez em quando eu acordo e penso que dormi na casa errada, que essa vida não é a minha e alguém trocou de alma comigo, acredita?! Mas aí quando vai chegando perto da hora do almoço eu já sei que não trocaria essa vida por nenhuma outra, eu sei que envelhecer assim vai ser bom!
E aí, ficou muito doce? Quer fazer cobertura de que?! Também acho que a gente devia se ver mais, essa correria de trabalho, filho e tudo mais acaba com a pessoa! Mas a gente sai toda sexta, tu que vive trancada em casa! Então próxima sexta a gente combina de beber aqui em casa mesmo e te chama, pode ser?! Ótimo! Pois tá marcado!
Kamilatavares.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Café com pão de queijo.
Eu conheci o Luiz em uma festa aleatória que eu nem queria ter ido pra começo de conversa. Era um Sábado preguiçoso e eu fui beber o luto pela morte de um familiar; não era um dia que eu pudesse chamar de bom ou produtivo. Tentei ir ao banheiro e fui barrada na fila por um cara alto vestindo uma camisa do Motorhead que me disse que o bar estava muito cheio e a fila muito grande; teimei com ele e resolvi esperar assim mesmo, quando saí ele estava me esperando pra dizer que eu não pensasse mal dele, me garantindo que não era um cara chato e me dizendo que ele era novo na cidade e não conhecia quase ninguém.
Pelo sotaque eu soube na hora que ele era mineiro, torcedor do galo e apreciador de cerveja, rock n' roll e pão de queijo com café - estava certa. E ali mesmo começamos a conversar sobre as mais variadas coisas...coisas que nem me interessavam numa conversa de bar, mas conversei do mesmo jeito só pra ouvir a voz dele, só por gostar de sotaque mineiro, só por não querer sentar na calçada e beber sozinha. E ali mesmo ele pediu o meu telefone e falou da cadelinha que ele adotou pra não se sentir tão só, e depois de duas horas de conversas aleatórias, ali mesmo ele me beijou e depois foi embora.
Sabe aqueles filmes americanos que a gente assiste na Sessão da Tarde só pra se iludir que existe romantismo no mundo? Eu achava que não existia essa coisa de ser convidada para um encontro, até o dia seguinte quando o meu telefone tocou e o Luiz estava do outro lado da linha me chamando para ir ao cinema com ele. Veio me buscar em casa, vimos o filme, tomamos chopp e fomos comer sushi; e nesse dia eu descobri que dividimos o mesmo restaurante preferido, o mesmo vício por cinema e que ele também sabe todas as falas de Closer decoradas (nessa hora eu confesso que quis me casar com ele ali mesmo). De alguma forma que eu não sei explicar eu me senti em casa perto dele, como se eu morasse dentro de um filme guardado na minha prateleira de DVD's e que a qualquer momento eu podia voltar ali e reviver tudo.
O Luiz foi embora depois disso, foi embora pra sempre e nunca mais falou comigo - os créditos subiram, a trilha sonora tocou e eu não consegui rebobinar a fita de jeito nenhum, mas, de vez em quando, assim quando eu me deito antes de dormir e penso em como eu tenho vivido feito um robô sem sentimentos, eu fecho os olhos e lembro do Luiz e seu sotaque bonito reproduzindo as falas de closer entre um gole e outro, e me lembro em como é bom ter uma saudade guardada pra sentir de vez em quando, e como é bom pensar que um dia você pode encontrar alguém assim na vida, mas alguém que fique, filme a sequência, lance a trilogia, a versão estendida, os extras e o making of.
Depois disso eu voltei a ser só, mas não me lamento não sabe?! Escuto uma música lenta enquanto sinto o frio entrando pela janela do meu quarto ou quando saio por aí pra esperar que algo de bom me aconteça...e eu sei que vai.
Kamilatavares.
Pelo sotaque eu soube na hora que ele era mineiro, torcedor do galo e apreciador de cerveja, rock n' roll e pão de queijo com café - estava certa. E ali mesmo começamos a conversar sobre as mais variadas coisas...coisas que nem me interessavam numa conversa de bar, mas conversei do mesmo jeito só pra ouvir a voz dele, só por gostar de sotaque mineiro, só por não querer sentar na calçada e beber sozinha. E ali mesmo ele pediu o meu telefone e falou da cadelinha que ele adotou pra não se sentir tão só, e depois de duas horas de conversas aleatórias, ali mesmo ele me beijou e depois foi embora.
Sabe aqueles filmes americanos que a gente assiste na Sessão da Tarde só pra se iludir que existe romantismo no mundo? Eu achava que não existia essa coisa de ser convidada para um encontro, até o dia seguinte quando o meu telefone tocou e o Luiz estava do outro lado da linha me chamando para ir ao cinema com ele. Veio me buscar em casa, vimos o filme, tomamos chopp e fomos comer sushi; e nesse dia eu descobri que dividimos o mesmo restaurante preferido, o mesmo vício por cinema e que ele também sabe todas as falas de Closer decoradas (nessa hora eu confesso que quis me casar com ele ali mesmo). De alguma forma que eu não sei explicar eu me senti em casa perto dele, como se eu morasse dentro de um filme guardado na minha prateleira de DVD's e que a qualquer momento eu podia voltar ali e reviver tudo.
O Luiz foi embora depois disso, foi embora pra sempre e nunca mais falou comigo - os créditos subiram, a trilha sonora tocou e eu não consegui rebobinar a fita de jeito nenhum, mas, de vez em quando, assim quando eu me deito antes de dormir e penso em como eu tenho vivido feito um robô sem sentimentos, eu fecho os olhos e lembro do Luiz e seu sotaque bonito reproduzindo as falas de closer entre um gole e outro, e me lembro em como é bom ter uma saudade guardada pra sentir de vez em quando, e como é bom pensar que um dia você pode encontrar alguém assim na vida, mas alguém que fique, filme a sequência, lance a trilogia, a versão estendida, os extras e o making of.
Depois disso eu voltei a ser só, mas não me lamento não sabe?! Escuto uma música lenta enquanto sinto o frio entrando pela janela do meu quarto ou quando saio por aí pra esperar que algo de bom me aconteça...e eu sei que vai.
Kamilatavares.
domingo, 18 de maio de 2014
Stop being such a Pussy!
Faz um tempo que eu não escrevo diretamente aqui como eu costumava fazer, faz um tempo que eu não falo sério sobre o que penso ou sinto em lugar nenhum, com ninguém...nem comigo mesma, e faz uma vida que eu não escrevo diretamente no melhor estilo "querido diário"...porque por mais que o escritor sempre adicione um pouco do que sente em sua obra (lembrando que nem eu sou escritora, muito menos tenho uma "obra" pra ser citada), sempre se usa a linguagem figurativa - e eu abuso dela de vez em quando...mas não hoje, não agora!
Vim aqui pra dizer que me tornei covarde. O tempo me fez ter medo de me expor, me fez ter medo de chorar em público, medo de dizer as coisas que eu sentia, medo de não me importar com os outros, medo de ser abandonada, medo de perder meus amigos...e esse medo me trancou num quarto cheio de comida e filmes do James Franco - e num piscar de olhos eu me tornei extremamente sozinha e paranoica, e traduzi meus sentimentos pra uma língua que só os desconhecidos conseguiam entender...e os desconhecidos não te julgam. Quanto aos que eu conheço - preferia ser julgada por ter me tornado uma fã paranoica que agora só sabe comer e dormir do que ter que explicar o que estava acontecendo, ou seja: NADA.
Chame do que quiser, mas eu me anestesiei de um jeito que não consigo nem explicar, mas sim...sou fraca e não aguentei ver que ele superou tudo, sumiu de vez e tocou a vida dele pra frente então resolvi cometer um suicídio emocional que foi tão grande que até o que tinha de bom foi embora, e não importa o que aconteça, eu não sinto nada.
Se meus pais brigam comigo ou me enchem de carinho, se eu não tenho um emprego ou um namorado, se minha banda só ensaia e não faz nenhum show, se os meus melhores amigos não são mais tão melhores amigos assim, se aquele cara super bonito me olha no meio da festa, se alguém me rouba um beijo ou diz estar apaixonado por mim, se o meu sobrinho escreveu uma carta pra mim ou eu me dou conta de que estou infinitos quilos mais gorda e trancada no quarto há três dias com pilhas de episódios de seriados, comédias românticas e sacolas da padaria da esquina espalhadas pelo quarto inteiro...se o mundo acabasse agora...ainda assim eu não sentiria nada. Talvez alívio...talvez.
Sei que parece drama adolescente, e talvez seja - já que a minha adolescência não teve grandes dramas - mas é assim que as coisas estão...e eu não vejo uma mudança chegando. Talvez ela chegue naquele dia em que você acorda disposta a mudar sua vida completamente e ser uma pessoa melhor, mas levando-se em consideração que eu estou indo dormir todos os dias umas 7h da manhã, é mais provável que eu acorde no meio da tarde com a minha mãe dizendo que eu perdi o almoço e preciso dar um jeito na minha vida...vida essa que eu já pensei seriamente em dar o reset e deixar pra lá.
Não que eu tenha me tornado uma psicopata depressiva. Eu de fato exponho o meu bom humor fake todos os dias sem grandes problemas, porque já que eu ando sem sentir nada mesmo...fingir que está triste ou feliz acaba se tornando a mesma coisa. Mas quando eu estou aqui, sozinha, lidando com o meu vazio interior, acredite: Se alguém me pedisse em casamento ou se um filhote de gato morresse eletrocutado na minha frente eu sentiria exatamente a mesma coisa: Nada.
Mas acredite, encontrei algumas alternativas para me motivar - minha monografia é um bom exemplo! Pelo menos estudar lhe distrai de certas coisas, e eu estou segura com o tema, tenho um bom orientador e acredito que vou conseguir terminar o curso de forma satisfatória - pelo menos isso. E como a gente tem que ter um sonho impossível - eu ainda acredito que vou pra New York tropeçar com o James Franco dando bobeira pela Broadway...pelo menos eu sei que ele não faz a mínima ideia de quem eu sou (ou seja, não pode piorar), e pelo menos ele me ajuda com a minha monografia (já que estou usando um dos filmes dele) e me inspira...e é bom ter um ídolo - o que significa que eu posso ser louca, mas sou uma louca com um objetivo.
Quanto à ele...não faço a mínima ideia do que tem feito nos últimos meses, ou se um dia vou ter coragem de olhar na cara dele outra vez sem me destruir completamente por dentro. Mas ainda dedico certas horas do meu dia ao exercício de meditar pela felicidade, saúde e paz na vida dele (embora eu não faça isso nem por mim), e esperar as cartas vindas do além.
Eu sempre achei que me faltou coragem de fazer as coisas, porque sempre fui chamada de preguiçosa. Mas quando tive coragem acabei apostando na mesa errada - o que me fez pensar que o que me faltava era direção, mira...mas na verdade me falta tudo, e de tanto errar em tudo eu acabei parando...e por sentir tudo de forma tão exagerada acabei não sentindo mais nada - nem mesmo vontade de escrever...mas vamos dando um passo de cada vez - considere este o primeiro.
Kamilatavares.
Vim aqui pra dizer que me tornei covarde. O tempo me fez ter medo de me expor, me fez ter medo de chorar em público, medo de dizer as coisas que eu sentia, medo de não me importar com os outros, medo de ser abandonada, medo de perder meus amigos...e esse medo me trancou num quarto cheio de comida e filmes do James Franco - e num piscar de olhos eu me tornei extremamente sozinha e paranoica, e traduzi meus sentimentos pra uma língua que só os desconhecidos conseguiam entender...e os desconhecidos não te julgam. Quanto aos que eu conheço - preferia ser julgada por ter me tornado uma fã paranoica que agora só sabe comer e dormir do que ter que explicar o que estava acontecendo, ou seja: NADA.
Chame do que quiser, mas eu me anestesiei de um jeito que não consigo nem explicar, mas sim...sou fraca e não aguentei ver que ele superou tudo, sumiu de vez e tocou a vida dele pra frente então resolvi cometer um suicídio emocional que foi tão grande que até o que tinha de bom foi embora, e não importa o que aconteça, eu não sinto nada.
Se meus pais brigam comigo ou me enchem de carinho, se eu não tenho um emprego ou um namorado, se minha banda só ensaia e não faz nenhum show, se os meus melhores amigos não são mais tão melhores amigos assim, se aquele cara super bonito me olha no meio da festa, se alguém me rouba um beijo ou diz estar apaixonado por mim, se o meu sobrinho escreveu uma carta pra mim ou eu me dou conta de que estou infinitos quilos mais gorda e trancada no quarto há três dias com pilhas de episódios de seriados, comédias românticas e sacolas da padaria da esquina espalhadas pelo quarto inteiro...se o mundo acabasse agora...ainda assim eu não sentiria nada. Talvez alívio...talvez.
Sei que parece drama adolescente, e talvez seja - já que a minha adolescência não teve grandes dramas - mas é assim que as coisas estão...e eu não vejo uma mudança chegando. Talvez ela chegue naquele dia em que você acorda disposta a mudar sua vida completamente e ser uma pessoa melhor, mas levando-se em consideração que eu estou indo dormir todos os dias umas 7h da manhã, é mais provável que eu acorde no meio da tarde com a minha mãe dizendo que eu perdi o almoço e preciso dar um jeito na minha vida...vida essa que eu já pensei seriamente em dar o reset e deixar pra lá.
Não que eu tenha me tornado uma psicopata depressiva. Eu de fato exponho o meu bom humor fake todos os dias sem grandes problemas, porque já que eu ando sem sentir nada mesmo...fingir que está triste ou feliz acaba se tornando a mesma coisa. Mas quando eu estou aqui, sozinha, lidando com o meu vazio interior, acredite: Se alguém me pedisse em casamento ou se um filhote de gato morresse eletrocutado na minha frente eu sentiria exatamente a mesma coisa: Nada.
Mas acredite, encontrei algumas alternativas para me motivar - minha monografia é um bom exemplo! Pelo menos estudar lhe distrai de certas coisas, e eu estou segura com o tema, tenho um bom orientador e acredito que vou conseguir terminar o curso de forma satisfatória - pelo menos isso. E como a gente tem que ter um sonho impossível - eu ainda acredito que vou pra New York tropeçar com o James Franco dando bobeira pela Broadway...pelo menos eu sei que ele não faz a mínima ideia de quem eu sou (ou seja, não pode piorar), e pelo menos ele me ajuda com a minha monografia (já que estou usando um dos filmes dele) e me inspira...e é bom ter um ídolo - o que significa que eu posso ser louca, mas sou uma louca com um objetivo.
Quanto à ele...não faço a mínima ideia do que tem feito nos últimos meses, ou se um dia vou ter coragem de olhar na cara dele outra vez sem me destruir completamente por dentro. Mas ainda dedico certas horas do meu dia ao exercício de meditar pela felicidade, saúde e paz na vida dele (embora eu não faça isso nem por mim), e esperar as cartas vindas do além.
Eu sempre achei que me faltou coragem de fazer as coisas, porque sempre fui chamada de preguiçosa. Mas quando tive coragem acabei apostando na mesa errada - o que me fez pensar que o que me faltava era direção, mira...mas na verdade me falta tudo, e de tanto errar em tudo eu acabei parando...e por sentir tudo de forma tão exagerada acabei não sentindo mais nada - nem mesmo vontade de escrever...mas vamos dando um passo de cada vez - considere este o primeiro.
Kamilatavares.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Breakfest
I saw the Beat generation coming back trough the new hipster's minds
the misfits, the underage drunk kids, the young rebels in the alley
they don't even know about Ginsberg, Kerouac and Lucien Carr
they don't even know about Cassady, the Naked lunch and the junkies
but they're living the dead revolution
They're angels in the sky with diamonds
holy ignorance
holy youth crazyness
Imagine how the world would be with a little more benzedrine.
Your crazy uncle locked up at that mental hospital...you should learn with him
he's the wise one
we are the real crazy people trying so hard to be normal
Hiding our feelings, becoming robots of ourselves
telling our children that they can't be artists, they'll never make it
imagine how crazy would be if you start living your dreams
The boy next door became an astronaut, you see?
and I'm on the edge...on the top of this building
I was about to kill myself on that story, but I know how it ends, so now I'm just waiting
Waiting for the dead revolution of the people that hate everything
specially themselves.
Kamilatavares.
the misfits, the underage drunk kids, the young rebels in the alley
they don't even know about Ginsberg, Kerouac and Lucien Carr
they don't even know about Cassady, the Naked lunch and the junkies
but they're living the dead revolution
They're angels in the sky with diamonds
holy ignorance
holy youth crazyness
Imagine how the world would be with a little more benzedrine.
Your crazy uncle locked up at that mental hospital...you should learn with him
he's the wise one
we are the real crazy people trying so hard to be normal
Hiding our feelings, becoming robots of ourselves
telling our children that they can't be artists, they'll never make it
imagine how crazy would be if you start living your dreams
The boy next door became an astronaut, you see?
and I'm on the edge...on the top of this building
I was about to kill myself on that story, but I know how it ends, so now I'm just waiting
Waiting for the dead revolution of the people that hate everything
specially themselves.
Kamilatavares.
domingo, 23 de março de 2014
Um poema de amor bem amado para Guilherme.
Tu me fazes - oh meu bem -
bem muita raiva
tipo bem muitona
e me abandona e me deixa
e eu devia ter ódio de tu e te dar umas tapas e te abandonar
mas eu não te abandono
porque eu sou besta
e tu disse uma vez que eu era compreensiva
e porque eu te amo
e porque tu tens um bacon gordinho
que eu gosto de apertar
e te apertar é bão
mais bão que pãodjiqueiju com café de mamãe
e eu gosto pronto
e foda-se a rima
me ligue-me
que eu te ligo-te
e nós nos ligamo-nos
e fim.
Kamilatavares.
bem muita raiva
tipo bem muitona
e me abandona e me deixa
e eu devia ter ódio de tu e te dar umas tapas e te abandonar
mas eu não te abandono
porque eu sou besta
e tu disse uma vez que eu era compreensiva
e porque eu te amo
e porque tu tens um bacon gordinho
que eu gosto de apertar
e te apertar é bão
mais bão que pãodjiqueiju com café de mamãe
e eu gosto pronto
e foda-se a rima
me ligue-me
que eu te ligo-te
e nós nos ligamo-nos
e fim.
Kamilatavares.
segunda-feira, 17 de março de 2014
60 minutos.
Eu acho que antes a minha fome por respostas me embaçou mais ainda a visão e me impediu de prestar atenção em outras coisas que fossem também importantes...ou distorceu muita coisa que eu deveria ter visto de outra forma, e eu passei os últimos meses revisando todos os capítulos, mas sempre e busca de algo que eliminasse os meus porquês, os meus questionamentos, as minhas interrogações...
Eu confesso a minha raiva, o meu grito de desespero, o meu choro e o tremer das minhas mãos...eu confesso o olhar desolado através da janela e o soco abafado no travesseiro...eu confesso o nó na garganta e o meu desequilíbrio...eu confesso os meus surtos e mudanças bruscas de humor...eu confesso, fiz cena.
Acho que os dias enclausurada me trouxeram não só momentos profundamente depressivos como também algumas horas de boa reflexão, e por fim a gente acaba se acalmando e o conformismo com seja lá o que for se torna inevitável...começamos puramente raiva e terminamos entregues ao "que seja...agora tanto faz". Mas eu não acredito no tanto faz.
Me limitei a não esperar respostas, elas de nada me servem a não ser para me tirarem os nervos e acabarem com o meu frágil equilíbrio, e me conformei em não mais perguntar, não mais pedir, não mais procurar...mas dedico pequenas parcelas do meu dia para os pensamentos que dizem ao seu respeito, limitando-os apenas aos pensamentos positivos e recordações reconfortantes. Escrevo várias cartas, monto repertórios de músicas e serenatas, planejo supresas que eu sei que você vai gostar e faço listas de presentes.
Todo dia eu lhe dedico uma hora...ou mais, ou menos.
A sua hora é com certeza a mais bonita do dia, é como se eu me enchesse de olhares poétios pra poder te enviar energias boas...tudo fica mais bonito, até os ruídos dos carros somem. Sua hora não é regular, e pode ser dividida em pequenas parcelas de cinco ou dez minutos...
Quando eu vejo o Sol nascer e lhe digo bom dia bem na hora em que você acorda preguiçoso pra ir trabalhar - esperando que você coma bem no café da manhã e preste atenção no trânsito.
Quando eu faço pequenas caminhadas e vejo alguma árvore bonita.
Quando eu pego o violão e toco uma música que você gosta.
Quando eu escrevo.
Quando eu assisto um filme bom e quero que você também assista.
Quando eu escolho a música do dia.
Quando eu leio algum trecho sensacional de um livro qualquer.
Quando o tempo esfria...quando chove.
Quando eu canto ou aprendo a tocar algum instrumento novo.
Quando eu escolho alguma nova coisa preferida.
Quando eu choro...e quando eu sorrio.
Assim a sua hora passa todo dia, e no dia seguinte outra hora começa...e foi assim que eu encontrei a minha versão do que seria meditar - pensar apenas em coisas belas, enviar boas energias, me sentir parte do mundo...da natureza...me sentir um Ipê amarelo jogando flores douradas na calçada. A natureza não precisa de respostas...ela somente é! Você não está sempre lá pelas árvores...mas elas estão sempre lá pra você!
Outro dia eu sonhei que você criava coragem e fugia de casa num Fusca...e vinha me buscar! Foi legal.
Kamilatavares.
Eu confesso a minha raiva, o meu grito de desespero, o meu choro e o tremer das minhas mãos...eu confesso o olhar desolado através da janela e o soco abafado no travesseiro...eu confesso o nó na garganta e o meu desequilíbrio...eu confesso os meus surtos e mudanças bruscas de humor...eu confesso, fiz cena.
Acho que os dias enclausurada me trouxeram não só momentos profundamente depressivos como também algumas horas de boa reflexão, e por fim a gente acaba se acalmando e o conformismo com seja lá o que for se torna inevitável...começamos puramente raiva e terminamos entregues ao "que seja...agora tanto faz". Mas eu não acredito no tanto faz.
Me limitei a não esperar respostas, elas de nada me servem a não ser para me tirarem os nervos e acabarem com o meu frágil equilíbrio, e me conformei em não mais perguntar, não mais pedir, não mais procurar...mas dedico pequenas parcelas do meu dia para os pensamentos que dizem ao seu respeito, limitando-os apenas aos pensamentos positivos e recordações reconfortantes. Escrevo várias cartas, monto repertórios de músicas e serenatas, planejo supresas que eu sei que você vai gostar e faço listas de presentes.
Todo dia eu lhe dedico uma hora...ou mais, ou menos.
A sua hora é com certeza a mais bonita do dia, é como se eu me enchesse de olhares poétios pra poder te enviar energias boas...tudo fica mais bonito, até os ruídos dos carros somem. Sua hora não é regular, e pode ser dividida em pequenas parcelas de cinco ou dez minutos...
Quando eu vejo o Sol nascer e lhe digo bom dia bem na hora em que você acorda preguiçoso pra ir trabalhar - esperando que você coma bem no café da manhã e preste atenção no trânsito.
Quando eu faço pequenas caminhadas e vejo alguma árvore bonita.
Quando eu pego o violão e toco uma música que você gosta.
Quando eu escrevo.
Quando eu assisto um filme bom e quero que você também assista.
Quando eu escolho a música do dia.
Quando eu leio algum trecho sensacional de um livro qualquer.
Quando o tempo esfria...quando chove.
Quando eu canto ou aprendo a tocar algum instrumento novo.
Quando eu escolho alguma nova coisa preferida.
Quando eu choro...e quando eu sorrio.
Assim a sua hora passa todo dia, e no dia seguinte outra hora começa...e foi assim que eu encontrei a minha versão do que seria meditar - pensar apenas em coisas belas, enviar boas energias, me sentir parte do mundo...da natureza...me sentir um Ipê amarelo jogando flores douradas na calçada. A natureza não precisa de respostas...ela somente é! Você não está sempre lá pelas árvores...mas elas estão sempre lá pra você!
Outro dia eu sonhei que você criava coragem e fugia de casa num Fusca...e vinha me buscar! Foi legal.
Kamilatavares.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Antônio e o ralador de cenouras.
Eu gosto de cenouras raladas, mas sou desastrada e sempre rasgava os dedos quando tentava ralar o finalzinho da cenoura, mas achava um desperdício jogar o resto da cenoura no lixo. Pensei em comprar um coelho pra me fazer companhia e comer os pedacinhos da minha cenoura - assim eu não me cortaria no ralador e não jogaria mais cenouras no lixo - Ou quem sabe desistir das cenouras e colocar outras coisas na minha salada, que já tinha alface, tomates e outras coisas que eu encontrava pela geladeira...quem sabe mais ervilhas?! Talvez...
Antônio chegou em casa e percebeu que eu andava meio triste...quando me perguntou eu contei pra ele o dilema da cenoura, mas acontece que se ele não podia ter um gato (porque eu não gosto de gatos), eu não poderia ter um coelho - era uma simples decisão democrática...pensou em comprar um cachorro (nós dois gostamos de cachorros), mas o cachorro não comeria as cenouras...e agora?
Olhei as minhas mãos alaranjadas e pensei: "Que tal um ralador elétrico?" uma geringonça elétrica dessas que vendem hoje em dia que rala cenouras, corta cebolas e tomates e tudo que você imaginar.
- Antônio, eu quero um ralador elétrico!
- Mas e o cachorro?
- Também quero o cachorro, mas primeiro o ralador elétrico! Só assim eu não corto os meus dedos, não jogo nenhum pedaço da cenoura fora e também não precisarei mais cortar cebolas! Está decidido o meu presente de aniversário! Um ralador elétrico!
- Não vou lhe dar um ralador elétrico de presente de aniversário! Seria ofensivo!
- Mas porque ofensivo, Antônio? Se eu quero o maldito ralador...ofensivo seria se eu não o ganhasse!
- O ralador é um presente para a casa, não para você! Lhe darei outra coisa, e depois do seu aniversário eu lhe compro o ralador.
Antônio tinha pensamentos diferentes, entende? A mãe dele odiava os aventais que o seu pai lhe dava todo aniversário...os panos de prato, as panelas novas...de forma que cresceu com tais pensamentos, sua mãe sempre lhe repetia que tais presentes eram ofensivos - mas eu só queria o meu maldito ralador! Não seria uma ofensa para mim - afinal de contas eu precisava mais do ralador do que de um par de sapatos novos.
- Você gosta de cenouras raladas, Antônio?
- Detesto! Você sabe disso!
- Então só quem come cenouras raladas em casa sou eu...logo o ralador de cenouras será meu! Quando eu precisar de sapatos novos lhe pedirei sapatos novos...quando eu precisar de um vestido,lhe pedirei um vestido...mas hoje eu preciso de um ralador elétrico!
- Tu sempre me derruba no argumento, hein mulher?!
- Faremos o seguinte...me dê o ralador que eu lhe dou uma chaleira!
- Hã?
- Eu por acaso bebo chá? - Disse com certo tom de arrogância...ora, eu precisava provocar o Antônio de alguma forma.
- Não!
- Quem faz chá nessa casa toda noite?
- Eu!
- Então lhe comprarei uma chaleira nova...temos um acordo?
- Ok, temos um acordo!
- ok então!
Dei um beijo nele, peguei o meu carro e fui procurar sua chaleira, ele por sua vez foi comprar o meu ralador elétrico...veja só que coisa boba, não é mesmo?! Quando eu conheci o Antônio o drama dele se espantou com a minha praticidade e o seu metodismo tratou de cuidar do meu desleixo...ele assiste novela escondido, sabia?! Acho uma graça...
Quando ele voltou pra casa, trouxe o meu ralador e um livro novo pra não lhe pesar a consciência...eu estava inaugurando a chaleira preparando um chá de qualquer coisa pra ele...nunca soube fazer chá - mas diz ele que ficou bom! No dia seguinte o nosso cachorro chegou, e eu comi a melhor salada do mundo na hora do almoço, que foi melhor que as outras pelo simples fato de eu não ter que me preocupar de achar nenhum pedaço do meu dedo dentro do prato.
"Uma maravilha essa geringonça eletrônica, não é mesmo Antônio?"
E as minhas mãos nunca mais foram cheias de cortes e cor de laranja.
Histórias aleatórias que se contam aos domingos.
Kamilatavares. Do livro que eu nunca publiquei, porque não existe nenhum livro...nem cachorro, nem coelho, nem Antônio, nem cenouras. 2014.
Mas eu gosto de cenouras...
quarta-feira, 5 de março de 2014
Nós três, nós quarto, nós cinco, nós seis!
A gente tocava cover pra se distrair e o bar tinha cheiro de cigarro e mofo
A gente bebia pra se divertir e não se importar com a caixa estourada e o choque no microfone
A gente saía pra não voltar, voltava pra não sair, dormia pra não sonhar e sonhava sem dormir
A gente não fazia a mínima ideia, mas era feliz...era sim!
Depois tudo é composição, produção, gravação, enrolação
Depois tudo é briga e papo sério
Depois tudo é ressaca, tudo é trabalho
Depois chega a responsa, a dor nas costas e a idade
Depois tudo é saudade.
Que nem passar o ano preso na Quarta-feira de cinzas
Dá uma sede, né?!
Sede de água, sede de ontem, sede de carnaval
Que nem encontrar o primeiro namoradinho na fila do supermercado
com um filho no braço.
Estranho, né?!
Que nem um nó na garganta, que nem se engasgar com o suco de cajá quando não tem ninguém em casa
A gente tenta tossir o que incomoda pra sobreviver...mas não tem quem lhe dê um tapa nas costas.
Pois é tipo isso entendes?
Kamilatavares.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Letters for him.
No dia que a gente conversou sobre o Tarantino eu sabia que ia acabar me apaixonando por você...bateu a intuição, sabe?! Foi uma das primeiras conversas mas eu sentia um entusiasmo que me fez querer conversar sobre tudo que eu gostava e te contar sobre o meu dia e as coisas que eu pensava sobre o mundo...e me perguntei porque você trocou a diversão dos bares, cinemas e teatros por meia hora de papo furado comigo; foi aí que eu percebi que você se sentia tão só quanto eu, embora fosse feliz com isso de certa forma...
Eu costumava adorar aglomerações de pessoas...não multidões de estranhos - essas me assustam - mas aglomerações em festas pequenas e médias, encontros de amigos, shows em bares com aquelas bandas que tocam tudo que a gente gosta, sabe?! Costumava andar e encontrar quinhentas pessoas conhecidas, conversar com elas, me divertir, fazer algo fora do planejado. Ontem eu tentei, mas tentei me isolar das pessoas não sei porque...conversei com todas elas mas não tive vontade de ficar perto de nenhuma...e me vi andando sozinha com minha cerveja na mão sem pressa de chegar em casa porque ninguém ia querer saber das coisas engraçadas que eu vi, ou das músicas que tocaram ou daquela velha amiga que eu não via há tempos e que foi tão legal matar as saudades dela...eu consegui com maestria me sentir só na multidão...e a dor vai passando - a gente sabe - os dias vão passando batidos, as taquicardias se tornando triviais e o choro no meio da noite vai dando lugar ao sono, mas isso não quer dizer que eu não sinta sua falta todos os dias...que eu não sofra por ter perdido o meu melhor amigo...porque apesar de tudo o que aconteceu era isso que você representava...o resto todo era incerteza, e eu morria de ciúmes de tudo, e queria amarrar você na grade da janela e não te deixar sair do quarto nunca...porque você era o meu amor e o meu melhor amigo...e isso era uma maravilha que nem eu poderia acreditar.
Não vou tentar ficar bem, nem vou me abraçar com o sofrimento...vou deixar que os dias passem e as cartas diminuam, e que a vontade de te contar quantos sinais verdes eu peguei no caminho pra faculdade passem, e que eu volte a compor canções e não queira te ligar no meio da noite...eu costumava falar sozinha imaginando você sentado na cadeira ao lado...agora eu faço orações pra não perder o equilíbrio depois de tantas crises nervosas...e espero um dia confiar em alguém que possa ouvir o que eu tenho a dizer e que me conte algum segredo importante que eu não possa contar pra mais ninguém...enquanto isso eu espero o dia em que eu vou parar de esperar.
Acho que eu perdi a minha habilidade de fazer boas analogias, acredita? Mas consegui completar o meu top3 de melhores series de drama, concluí que o Ipê amarelo é de fato a minha árvore preferida e descobri que as melhores pessoas são aquelas que não ficam constrangidas em momentos de silêncio com outras pessoas...tente passar cinco minutos em silêncio com alguém...se ela não se incomodar e nem tentar puxar assunto desesperadamente, bem...tenha certeza de que essa pessoa tem opiniões muito boas sobre as coisas e uma visão bacana sobre o mundo!
Sinta saudade de mim quando alguém lhe apresentar uma música nova ou falar de um jeito quase que esquizofrênico sobre alguma coisa que gosta muito...ou quando precisar de um cafuné antes de dormir. Eu vou ficar bem daqui.
O carnaval começou e eu já tirei o meu bloco da rua.
Kamilatavares.
Eu costumava adorar aglomerações de pessoas...não multidões de estranhos - essas me assustam - mas aglomerações em festas pequenas e médias, encontros de amigos, shows em bares com aquelas bandas que tocam tudo que a gente gosta, sabe?! Costumava andar e encontrar quinhentas pessoas conhecidas, conversar com elas, me divertir, fazer algo fora do planejado. Ontem eu tentei, mas tentei me isolar das pessoas não sei porque...conversei com todas elas mas não tive vontade de ficar perto de nenhuma...e me vi andando sozinha com minha cerveja na mão sem pressa de chegar em casa porque ninguém ia querer saber das coisas engraçadas que eu vi, ou das músicas que tocaram ou daquela velha amiga que eu não via há tempos e que foi tão legal matar as saudades dela...eu consegui com maestria me sentir só na multidão...e a dor vai passando - a gente sabe - os dias vão passando batidos, as taquicardias se tornando triviais e o choro no meio da noite vai dando lugar ao sono, mas isso não quer dizer que eu não sinta sua falta todos os dias...que eu não sofra por ter perdido o meu melhor amigo...porque apesar de tudo o que aconteceu era isso que você representava...o resto todo era incerteza, e eu morria de ciúmes de tudo, e queria amarrar você na grade da janela e não te deixar sair do quarto nunca...porque você era o meu amor e o meu melhor amigo...e isso era uma maravilha que nem eu poderia acreditar.
Não vou tentar ficar bem, nem vou me abraçar com o sofrimento...vou deixar que os dias passem e as cartas diminuam, e que a vontade de te contar quantos sinais verdes eu peguei no caminho pra faculdade passem, e que eu volte a compor canções e não queira te ligar no meio da noite...eu costumava falar sozinha imaginando você sentado na cadeira ao lado...agora eu faço orações pra não perder o equilíbrio depois de tantas crises nervosas...e espero um dia confiar em alguém que possa ouvir o que eu tenho a dizer e que me conte algum segredo importante que eu não possa contar pra mais ninguém...enquanto isso eu espero o dia em que eu vou parar de esperar.
Acho que eu perdi a minha habilidade de fazer boas analogias, acredita? Mas consegui completar o meu top3 de melhores series de drama, concluí que o Ipê amarelo é de fato a minha árvore preferida e descobri que as melhores pessoas são aquelas que não ficam constrangidas em momentos de silêncio com outras pessoas...tente passar cinco minutos em silêncio com alguém...se ela não se incomodar e nem tentar puxar assunto desesperadamente, bem...tenha certeza de que essa pessoa tem opiniões muito boas sobre as coisas e uma visão bacana sobre o mundo!
Sinta saudade de mim quando alguém lhe apresentar uma música nova ou falar de um jeito quase que esquizofrênico sobre alguma coisa que gosta muito...ou quando precisar de um cafuné antes de dormir. Eu vou ficar bem daqui.
O carnaval começou e eu já tirei o meu bloco da rua.
Kamilatavares.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Ambiguidade.
Sonhei com você outra vez...mas que merda...que maravilha! É isso mesmo! Me amaldiçoo e me bendigo por cada pensamento que lhe direciono durante o dia ou até mesmo em sonho, e me sinto partida ao meio quando te quero por perto e ao mesmo tempo bem longe de mim, quando concluo que você é a pessoa que mais me fez mal e mais me fez bem, que eu mais amei e amo, que eu mais odiei e odeio...que eu confio cegamente sem acreditar em uma palavra do que você diz!
E me dividindo vou procurando me completar...em silêncio vou gritando.
Tipo aqueles pacientes que não sabem o que fazer quando encontram a cura e não precisam mais voltar ao hospital...tipo aqueles vilões que conseguem matar o herói e depois ficam sem ter o que fazer...tipo quem guardou dinheiro a vida toda pra viajar e uma semana antes de ir acabou infartando de tão feliz e morreu...tipo estudante que ralou a vida inteira pra tirar notas boas e depois que acaba a faculdade ficou sem emprego...tipo nadar e morrer na praia.
Um
Vazio
Sem
Fim.
E que de tão grande me preencheu.
Kamilatavares.
E me dividindo vou procurando me completar...em silêncio vou gritando.
Tipo aqueles pacientes que não sabem o que fazer quando encontram a cura e não precisam mais voltar ao hospital...tipo aqueles vilões que conseguem matar o herói e depois ficam sem ter o que fazer...tipo quem guardou dinheiro a vida toda pra viajar e uma semana antes de ir acabou infartando de tão feliz e morreu...tipo estudante que ralou a vida inteira pra tirar notas boas e depois que acaba a faculdade ficou sem emprego...tipo nadar e morrer na praia.
Um
Vazio
Sem
Fim.
E que de tão grande me preencheu.
Kamilatavares.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Dear...
Para Ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=da-ELYFRFpc
Hoje quando me deitei aconteceu algo mágico, como se duas dimensões se misturassem em uma só criando um espaço paralelo entre dois lugares que só é possível existir quando duas pessoas pensam uma na outra ao mesmo tempo, no mesmo milésimo de segundo. Eu vi o teto se dissolver e ondas azuis e amarelas flutuarem pelo ar, como se eu estivesse presa em uma fotografia antiga, em um filme queimado que dançava no ar...e o piano me acalmava.
Olhei pro lado vazio da cama e você entrou cansado...me fez cócegas e me abraçou antes de se deitar e arrumou o travesseiro pra descansar olhando pra mim...passou a ponta dos dedos no meu rosto e depois de um longo suspiro me contou sobre o seu dia.
Sabe, eu gosto de ver o mundo através dos seus olhos...essa bola gigante de poluição e trânsito ao som do Radiohead e cheio de fumaça de cigarro e coisas suas jogadas por todos os cantos me faz entender porque você gosta de ver o meu mundo de filmes e tardes na praia tocando violão, rede e café quente...então você se lembra do frio e da cachoeira, do vinho e das paredes azuis e se acalma...e para pra ver o céu e sentir o vento no seu rosto...e foge de madrugada pra escutar o barulho das ondas, e se desliga do mundo como eu costumo fazer. Sabe, eu gosto de ver o que você aprendeu com os dias e escutar sua voz enquanto lê...e aprecio os seus silêncios.
Então você dormiu, e de tão leve se dissipou na minha frente...e aquela poeira amarela me emocionou de forma que eu chorei e sorri ao mesmo tempo. Desde então eu lhe conto tudo em silêncio enquanto ando pelas ruas...e tiro fotografias mentais pra te mandar, canto baixinho aquela música enquanto espero o ônibus e sorrio pra criança na rua que eu sei que você acharia bonita...desde então eu te levo para todos os lugares comigo nesse samba da solidão acompanhada - e não me importo com olhares porque tudo é nostalgia, tudo de belo vive nessa dimensão paralela, nesse espectro de vida que se criou ao meu redor, e o que o mundo vê são versões menores do que sinto, porque a plenitude é difícil de se entender.
E então eu durmo...
Kamilatavares.
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